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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20230014</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Universidade do Futuro: o mundo e as demandas estão mudando, a universidade e seu tripé fundamental enfrentam tempos de adaptação e reflexão sobre o futuro]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A Universidade do Futuro: o mundo e as demandas est&atilde;o mudando, a universidade e seu trip&eacute; fundamental enfrentam tempos de adapta&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o sobre o futuro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Karina Francisco</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Jornalista, mestranda em Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Cultural, ama ler sobre ci&ecirc;ncia e fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observando as &uacute;ltimas novidades da &aacute;rea de tecnologia e inform&aacute;tica &eacute; poss&iacute;vel perceber uma tend&ecirc;ncia &agrave;s novas tecnologias. Esse sistema de desenvolvimento de novos conhecimentos, plataformas e aparelhos eletr&ocirc;nicos j&aacute; alterou em muito o curso da humanidade. Isso &eacute; o que o engenheiro e economista alem&atilde;o Klaus Schwab tem chamado de "A Quarta Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial", que se caracteriza pelo uso de todas as tecnologias existentes na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento. A universidade est&aacute; intrinsecamente conectada a esse sistema e sente todas as recentes mudan&ccedil;as, precisando novamente mudar, se adaptar e refletir qual a universidade do futuro no Brasil, olhando atentamente suas agendas, prioridades e &ecirc;nfases de ensino e pesquisa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, &eacute; preciso iniciar o debate em como o conhecimento &eacute; desenvolvido, e como se transfere em pesquisa, produto e parte intr&iacute;nseca do cotidiano de muitas pessoas. De acordo com algumas ag&ecirc;ncias, o conhecimento no mundo dobra a cada dois anos, fato que se coloca como ponto essencial para a universidade, trazendo a necessidade de formar os estudantes com amplitude de vis&atilde;o em diversas &aacute;reas, uma vez que o conhecimento est&aacute; cada vez mais interdisciplinar. Segundo Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira, professora da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do Grupo Internacional de Estudos e Pesquisas sobre Educa&ccedil;&atilde;o Superior, "a universidade est&aacute; atenta e acompanha a velocidade dessa revolu&ccedil;&atilde;o do conhecimento, bem como as novas formas de trabalhar essa din&acirc;mica produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a pesquisa dentro da universidade resiste e ainda &eacute; grande devido ao seu enorme potencial, financiamento e captura de c&eacute;rebros pelo sistema de ensino. Para a pesquisadora, essa postura de adapta&ccedil;&atilde;o aos tempos foi o que permitiu &agrave; universidade ser uma das poucas institui&ccedil;&otilde;es sociais que perduram h&aacute; mais de 1000 anos. "Ela &eacute; uma das institui&ccedil;&otilde;es sociais mais longevas, se apenas contarmos o tempo depois de Cristo - 'DC'. A Unesco considera a primeira universidade, a Universidade Quaraouiyine, que data do ano de 850 e est&aacute; na cidade de Fez, em Marrocos", completa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse sistema de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento &eacute; muito forte nas universidades p&uacute;blicas do Brasil. Ivan Domingues, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que a pesquisa e a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento &eacute; uma atribui&ccedil;&atilde;o da universidade, desde que ela foi organizada por Wilhem Humbolt, em 1810, em Berlim, iniciando o modelo moderno de universidade que influenciou as universidades ocidentais. Antes desse per&iacute;odo, ela n&atilde;o tinha a fun&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, mas apenas de transmiss&atilde;o (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pereira lembra que a Unicamp, a Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), as universidades federais e estaduais de outros estados e algumas privadas, tiveram inspira&ccedil;&atilde;o nesse modelo humboltidiano, isto &eacute;, no modelo de universidade de pesquisa. O que se entende por esse modelo &eacute;: a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extens&atilde;o; a liberdade de ensinar e pesquisar; a defesa da pesquisa b&aacute;sica desinteressada. Muitas Institui&ccedil;&otilde;es de Educa&ccedil;&atilde;o Superior (IES) no Brasil n&atilde;o fazem pesquisa, ou seja, n&atilde;o se voltam para a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para se ter uma ideia da dimens&atilde;o e da import&acirc;ncia das universidades brasileiras, a USP est&aacute; em 8º lugar no ranking mundial em quantidade de publica&ccedil;&otilde;es entre 938 universidades do mundo. Os artigos publicados pela USP, entre 2010 e 2014, foram 955 e est&atilde;o entre os 10% mais citados no mundo. A Unesp est&aacute; em 158º e a Unicamp est&aacute; em 186º, "o que demonstra uma boa contribui&ccedil;&atilde;o das universidades brasileiras na divulga&ccedil;&atilde;o de importantes conhecimentos para o mundo", complementa Pereira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <i>Academic Ranking of World Universities </i>publicou, em 2022, sua mais recente pesquisa &#91;1&#93;, colocando a USP entre as 150 melhores universidades do mundo, Unicamp no grupo 301-400 e a Unesp, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no grupo 401-500. Ao todo, 22 universidades brasileiras figuram na lista (Tabela 1).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a14tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os professores Pereira e Domingues tamb&eacute;m contam que, al&eacute;m das universidades, o Brasil tem alguns Institutos de Pesquisas que s&atilde;o n&atilde;o universit&aacute;rios. Os mais conhecidos s&atilde;o o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (IPEA), vinculado ao Minist&eacute;rio da Economia, o Instituto Tecnol&oacute;gico da Aeron&aacute;utica (ITA) o Instituto Militar de Engenharia (IME), e o Instituto de Matem&aacute;tica Pura Aplicada (IMPA), vinculado ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o neurocientista Luiz Roberto Giorgetti de Britto, professor do Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas ICB-USP, o foco da universidade &eacute; primeiramente o ensino, que est&aacute; atrelado e se beneficia da pesquisa e da extens&atilde;o. "O diferencial da universidade &eacute; sua preocupa&ccedil;&atilde;o com o ensino. O fato de ela n&atilde;o ter esse monop&oacute;lio na pesquisa &eacute; um sinal de avan&ccedil;o da sociedade. Significa que essas outras institui&ccedil;&otilde;es de tecnologia e inform&aacute;tica est&atilde;o mais avan&ccedil;adas e a universidade n&atilde;o conseguiu acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas por <i>n</i> raz&otilde;es", afirma o cientista, com uma vis&atilde;o bastante positiva das mudan&ccedil;as que estamos vivendo recentemente com a alta velocidade da pesquisa em tecnologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ele segue explicando que a universidade n&atilde;o tem capacidade log&iacute;stica de atrair uma pessoa dedicada a pesquisa de tecnologia, pois ela tem a preocupa&ccedil;&atilde;o com a forma&ccedil;&atilde;o e &eacute; engessada em alguns aspectos administrativos e burocr&aacute;ticos como sal&aacute;rios iguais e cria&ccedil;&atilde;o de novos cursos, "o que tem acontecido &eacute; que os bons profissionais, formados dentro da universidade, v&atilde;o para a iniciativa privada, porque t&ecirc;m mais oportunidades, sal&aacute;rios astronomicamente maiores", completa. Ainda h&aacute; de se apontar mais problemas que tornam a universidade menos eficaz: sua burocratiza&ccedil;&atilde;o. Segundo Britto, mesmo as universidades que nasceram com a ideia de serem menos burocratizadas est&atilde;o seguindo o mesmo caminho e esse fator &eacute; extremamente dificultante. Por&eacute;m, Pereira segue com uma vis&atilde;o positiva das recentes mudan&ccedil;as, "se tomarmos em considera&ccedil;&atilde;o as tr&ecirc;s primeiras revolu&ccedil;&otilde;es industriais do mundo e vermos que a universidade acompanhou todas elas, podemos afirmar que ela acompanhar&aacute; esta quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial", resume.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Renato Dagnino, professor do Departamento de Pol&iacute;ticas Cient&iacute;ficas e Tecnol&oacute;gicas (DPCT) da Unicamp, enfatiza que o foco das universidades brasileiras deveria ser mais local. "O que preocupa &eacute; o fato de que mesmo a pesquisa que se faz na universidade n&atilde;o est&aacute; orientada para o que deveria ser o trabalho numa universidade p&uacute;blica. Esse &eacute; o tema central no caso dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, em particular do Brasil, onde n&oacute;s temos um potencial t&eacute;cnico cient&iacute;fico bastante relevante", defende o professor, completando que as agendas da universidade e suas prioridades est&atilde;o orientadas para o que se faz no norte global e n&atilde;o se conecta com a realidade do brasileiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Disparidade</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; uma disparidade na qualidade do ensino b&aacute;sico e do ensino superior no Brasil. Isso acaba gerando a forma&ccedil;&atilde;o de muitos profissionais extremamente qualificados que n&atilde;o s&atilde;o absorvidos pelo mercado brasileiro, e acabam sendo atra&iacute;dos para fora. Dagnino aponta que no per&iacute;odo entre 2006 e 2008, quando a economia estava em alta, o Brasil formou 90 mil mestres e doutores em ci&ecirc;ncias duras, 30 mil por ano, segundo dados da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes). Uma Pesquisa de Inova&ccedil;&atilde;o (Pintec), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) em 2011, perguntou para as empresas inovadoras "quantos mestres e doutores em ci&ecirc;ncias duras voc&ecirc; contratou para realizar P&amp;D?" A resposta &eacute; que em tr&ecirc;s anos eles contrataram 68 pessoas dos 90 mil formados. Ou seja, "estamos formando gente para quem?", questiona o professor Dagnino (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a14fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, os professores concordam que est&aacute; na hora de pensar a universidade do futuro no Brasil. O que &eacute; preciso adaptar, mudar, acelerar para que esse sistema de gera&ccedil;&atilde;o de conhecimento seja de qualidade, acess&iacute;vel, absorvido pelo mercado brasileiro e pensado para o interesse p&uacute;blico. Mas Pereira j&aacute; adianta, "n&atilde;o haver&aacute; uma universidade de modelo &uacute;nico. Nunca existiu e n&atilde;o existir&aacute;. A universidade continuar&aacute; sendo o local mais adequado para o ensino das gera&ccedil;&otilde;es, a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e a ter o olhar para a sociedade do seu tempo. As formas &eacute; que est&atilde;o se alterando desde j&aacute;".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os problemas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Houve uma explos&atilde;o do conhecimento e das disciplinas a partir da metade do s&eacute;culo 19. "Nunca se produziu tanto conhecimento como nos s&eacute;culos 20 e 21 e nunca foi t&atilde;o grande o n&uacute;mero de disciplinas e de &aacute;reas do conhecimento. Essa explos&atilde;o levou ao aumento das universidades, cursos de especializa&ccedil;&atilde;o, p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e a uma explos&atilde;o de escala das coisas em quantidade e demandas da sociedade", explica Domingues. Com essa velocidade, novos cursos - que demoram para ser elaborados e aprovados - acabam inaugurando j&aacute; obsoletos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, Britto aponta que, apesar de a autonomia das autarquias universit&aacute;rias ser prevista pela constitui&ccedil;&atilde;o, na pr&aacute;tica, n&atilde;o h&aacute; efetividade quando para se criar um novo cargo &eacute; preciso solicita&ccedil;&atilde;o &agrave; Assembleia Legislativa, o que acaba envolvendo um jogo pol&iacute;tico complexo e flutuante, dependente de partidos dominantes do momento. "Isso acaba atrasando e dificultando os projetos que a universidade tem de tentar acompanhar". Segundo o pesquisador, &eacute; preciso haver um esfor&ccedil;o no sentido de interagir mais com as &aacute;reas de tecnologia, o que n&atilde;o &eacute; nada simples visto as limita&ccedil;&otilde;es atuais das universidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso n&atilde;o quer dizer que a universidade se torna menos relevante com as mudan&ccedil;as que est&atilde;o ocorrendo, porque ela &eacute; fundamental &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de pessoal qualificado e tem uma representatividade significativa na pesquisa mundial, mas como torn&aacute;-la atrativa, adapt&aacute;vel e de qualidade para todos?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os professores Dagnino e Domingues foram consistentes em afirmar que a universidade est&aacute; muito massificada hoje, e esse n&atilde;o era o planejamento. A Unicamp, por exemplo, foi planejada para abrigar no m&aacute;ximo 10 mil alunos. Segundo seu Anu&aacute;rio Estat&iacute;stico de 2020, com a base de dados de 2019, mostram quase 40 mil alunos matriculados somando gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, com uma taxa de aceita&ccedil;&atilde;o de apenas 4,3%, segundo as notas de aprova&ccedil;&atilde;o na primeira fase e pontua&ccedil;&atilde;o dos &uacute;ltimos matriculados em documento da Comiss&atilde;o Permanente para os Vestibulares (Comvest) de 2016.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso mostra um planejamento inadequado ao crescimento geogr&aacute;fico do pa&iacute;s e ao imagin&aacute;rio social criado de que &eacute; necess&aacute;rio ter uma gradua&ccedil;&atilde;o para ser um bom profissional. Dentre as solu&ccedil;&otilde;es apresentadas, os entrevistados lembram que a maioria dos pa&iacute;ses valoriza tamb&eacute;m outros tipos de forma&ccedil;&atilde;o, como a t&eacute;cnica, absorvendo o mercado com bons sal&aacute;rios - algo que n&atilde;o acontece no Brasil e cria-se a solu&ccedil;&atilde;o &uacute;nica de que &eacute; preciso ter n&iacute;vel superior, lotando as universidades, tornando-as massificadas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "Nunca se produziu tanto conhecimento como nos s&eacute;culos 20 e 21. Essa explos&atilde;o levou ao aumento das universidades, cursos de especializa&ccedil;&atilde;o, p&oacute;sgradua&ccedil;&atilde;o e a uma explos&atilde;o de escala das coisas em quantidade e demandas da sociedade."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; claro que se defende a universidade p&uacute;blica para todos, mas para sua qualidade ser mantida &eacute; preciso planejamento e projeto de m&eacute;dio e longo prazos. Segundo Domingues, a universidade no Brasil inchou em quantidade e tornou-se confusa com m&uacute;ltiplas tarefas, excesso de fun&ccedil;&otilde;es aos docentes e sem mudan&ccedil;as r&aacute;pidas. &Eacute; preciso agora modificar o card&aacute;pio das ofertas de ensino superior, visando educa&ccedil;&atilde;o humanista, mas n&atilde;o esquecendo que as escolas t&eacute;cnicas t&ecirc;m seu valor e precisam de maior investimento, assim como o ensino b&aacute;sico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2019, a USP contava com pouco mais de 97 mil alunos. Al&eacute;m disso, para o mesmo ano, cerca de 1,2 milh&atilde;o de alunos estavam matriculados nas 69 universidades federais do pa&iacute;s. Para Domingues, o "n&uacute;mero m&aacute;gico" de funcionamento das universidades, com a sua estrutura atual, seria de 33 mil alunos. Mas, como Britto assume, n&atilde;o podemos deixar de lado todo esse contingente, pois os alunos s&atilde;o o que fazem da universidade ser tudo o que ela &eacute; hoje.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O papel da universidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dagnino defende que um dos pap&eacute;is da universidade &eacute; atender as demandas da sociedade e pesquisar solu&ccedil;&otilde;es para ela. O sistema atual &eacute; muito elitizado e voltado para a pesquisa ao estilo europeu ou norte-americano, o que n&atilde;o condiz com a realidade latina. "Existe toda uma estrutura voltada para um tipo de pesquisa que n&atilde;o atende a realidade brasileira, n&atilde;o dialoga com aqueles que pagam a universidade atrav&eacute;s dos impostos. A classe baixa e a m&eacute;dia t&ecirc;m demandas coletivas que n&atilde;o s&atilde;o atendidas. A nossa universidade do futuro tem que se preocupar com essas quest&otilde;es de equanimidade".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Britto tamb&eacute;m lembra que a miss&atilde;o do trip&eacute; - pesquisa, ensino e extens&atilde;o - &eacute; ser voltada para a sociedade e a universidade do futuro precisa abranger isso. "A inova&ccedil;&atilde;o precisa tamb&eacute;m estar nesse projeto, tudo o que pesquisamos precisa ter um impacto social", completa. Al&eacute;m dessas mudan&ccedil;as, a universidade precisa aprender a conversar com outras institui&ccedil;&otilde;es, saber negociar com o governo, interagir com a ind&uacute;stria e dialogar com a sociedade, atrav&eacute;s da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: "Ainda temos que aprender bastante a disseminar o nosso conhecimento para um p&uacute;blico geral. Porque sabemos disseminar a pesquisa para o meio cient&iacute;fico, para os nossos pares, mas n&atilde;o sabemos muito sobre essa dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento para o p&uacute;blico em geral", conclui.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A universidade do futuro: o ensino </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro desse projeto pensado para adaptar a universidade &agrave;s mudan&ccedil;as atuais, o ensino tamb&eacute;m precisa ser repensado. Segundo Britto, a universidade tem que encontrar um modo de se ajustar, usando ferramentas da inform&aacute;tica, ensino a dist&acirc;ncia e outras estrat&eacute;gias. "N&atilde;o tem mais sentido tentarmos, como faz&iacute;amos 50 anos atr&aacute;s, passar conhecimento para os alunos. Isso &eacute; imposs&iacute;vel com o avan&ccedil;o do conhecimento que n&oacute;s temos no s&eacute;culo XXI, principalmente. E isso vem aumentando a cada dia mais", completa o professor e explica que a USP e outras universidades t&ecirc;m tentado se adaptar com novas formata&ccedil;&otilde;es de sala de aula - fugindo do modelo tradicional das carteiras em fila - cursos h&iacute;bridos e a internacionaliza&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; &eacute; forte para a pesquisa e precisa de mais incentivo na &aacute;rea do ensino, como o interc&acirc;mbio de alunos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O pesquisador continua defendendo que o ensino cl&aacute;ssico j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais atrativo e eficiente nem para os jovens digitais e nem para os mais velhos. Pereira, completa que, com a densidade de conhecimento que est&aacute; dispon&iacute;vel hoje e ao alcance de todos, o docente passa a ter um novo papel, seja presencial ou a dist&acirc;ncia, para a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais com vis&atilde;o inter e multidisciplinar contempor&acirc;nea. "A pandemia trouxe a necessidade de ser mais estudado e aplicado o ensino a dist&acirc;ncia, conhecendo quais suas possibilidades e limita&ccedil;&otilde;es. Desde a vis&atilde;o de uma forma mais democr&aacute;tica de ensino universit&aacute;rio, at&eacute; de organizar novas metodologias que n&atilde;o sejam apenas a transposi&ccedil;&atilde;o de aulas presenciais para aulas online", completa. Sobre o formato das salas de aula e a estrutura f&iacute;sica das universidades, Domingues comenta que "universidade &eacute; mais que sala de aula, &eacute; um ambiente. O aluno precisa estar dispon&iacute;vel para suas viv&ecirc;ncias, eventos e networking", para uma forma&ccedil;&atilde;o completa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas s&atilde;o tend&ecirc;ncias que a &aacute;rea da pesquisa j&aacute; tem passado, visto os crescentes grupos de pesquisa e o desenvolvimento em parcerias internacionais. A pesquisa n&atilde;o &eacute; mais feita solitariamente, e o ensino tamb&eacute;m n&atilde;o deve ser. "O mundo globalizado pede a forma&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos com perspectivas inter e multiculturais, com estudos e pesquisas sobre grandes temas da humanidade como: polui&ccedil;&atilde;o, desmatamento, extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies, degrada&ccedil;&atilde;o do solo, produ&ccedil;&atilde;o de alimento para uma poss&iacute;vel superpopula&ccedil;&atilde;o, mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, energia limpa, evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, epidemias e crises de sa&uacute;de, discrimina&ccedil;&atilde;o, conflitos em larga escala, conflitos religiosos, grupos extremistas. A gradua&ccedil;&atilde;o, j&aacute; h&aacute; tempos, deixou de ser vista como forma&ccedil;&atilde;o final e &eacute; entendida como forma&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica que favorece ao profissional conhecimentos b&aacute;sicos para uma aut&ocirc;noma continuidade de aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos", explica Pereira.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Solu&ccedil;&otilde;es </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como parte das problem&aacute;ticas apontadas, a universidade do futuro precisa iniciar um di&aacute;logo entre seus pares - docentes, pesquisadores, servidores, ag&ecirc;ncias de fomento, gestores. "&Eacute; poss&iacute;vel fazer pesquisa de excelente qualidade, original, de alta complexidade, para atender a outras realidades que n&atilde;o a realidade dos pa&iacute;ses desenvolvidos. N&atilde;o pode ficar orientando a nossa pesquisa e o nosso ensino para as necessidades que n&atilde;o s&atilde;o nossas", completa Dagnino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; necess&aacute;rio acrescentar que um bom momento para iniciar esse di&aacute;logo de qual universidade queremos para o futuro &eacute; agora. O momento em que fundos est&atilde;o sendo recompostos e religados. Mas n&atilde;o se pode repetir o que foi feito no passado, esperando algum sucesso similar. &Eacute; preciso pensar algo novo, para o novo momento vivido. Ap&oacute;s uma s&eacute;rie de desmontes vividos pela universidade, &eacute; preciso reergu&ecirc;-la para o futuro. "N&atilde;o podemos repetir o que foi feito no passado porque n&atilde;o &eacute; o que a sociedade brasileira precisa para construir um futuro melhor. Decidir como ser&aacute; feito agora tem que vir de baixo para cima, n&atilde;o &eacute; ministro que vai decidir, mas toda a sociedade, em di&aacute;logo", defende Dagnino.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "A universidade deve ser mantida pelo pr&oacute;prio bem da sociedade. A forma como ela ser&aacute;, est&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o direta de como a sociedade ser&aacute;."</b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O pesquisador tamb&eacute;m lembra que uma possibilidade de melhorar o sistema est&aacute; acontecendo com a curriculariza&ccedil;&atilde;o da extens&atilde;o, mas deve ser projetado e executado com aten&ccedil;&atilde;o e cuidado. Complementando, Domingues atenta para solu&ccedil;&otilde;es, pois "&eacute; preciso mudar as agendas, as &ecirc;nfases e as prioridades. O desafio &eacute; preparar quadros para o mundo do futuro em que a maioria das profiss&otilde;es hoje conhecidas n&atilde;o mais existir&aacute;, exigindo n&atilde;o mais uma habilidade t&eacute;cnica ou uma profiss&atilde;o espec&iacute;fica, mas a forma&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos aut&ocirc;nomos e polivalentes, capazes de aprender novas habilidades em tempo real e se adaptar &agrave;s novas demandas e as mais diversas situa&ccedil;&otilde;es", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pereira completa com algumas ideias que j&aacute; est&atilde;o sendo implementadas, como adotar um curr&iacute;culo mais multicultural com possibilidades de ser desenvolvido em qualquer universidade do mundo; pesquisas interdisciplinares e em redes de pesquisas com participantes de diversas universidades do mundo, sobre quest&otilde;es amplas da humanidade; atividade de extens&atilde;o voltada para a sociedade mais ampla e n&atilde;o s&oacute; a local, regional ou nacional. "Uma coisa que podemos ter certeza &eacute; que a universidade continuar&aacute; a existir daqui a 100 anos. A certeza vem da sua capacidade em 'ler' as necessidades da sociedade e de se adequar a elas. A universidade deve ser mantida pelo pr&oacute;prio bem da sociedade. A forma como ela ser&aacute;, est&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o direta de como a sociedade ser&aacute;".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. SHANGAI RANKING. <i>2022 Academic Ranking of World Universities</i>. Shangai: Shangai Ranking, 2022.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=123454&pid=S0009-6725202300010001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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