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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Universidade pública no Brasil: nova expansão com novos significados: a universidade brasileira ampliou e diversificou suas vagas, tornando seu acesso mais democrático]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Universidade p&uacute;blica no Brasil: nova expans&atilde;o com novos significados: a universidade brasileira ampliou e diversificou suas vagas, tornando seu acesso mais democr&aacute;tico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jornalista, escritora, divulgadora de ci&ecirc;ncias, editora-executiva da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura e m&atilde;e apaixonada por escrever (especialmente sobre ci&ecirc;ncia)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira universidade das Am&eacute;ricas foi criada em 1538, na Rep&uacute;blica Dominicana. A Universidade de S&atilde;o Domingos foi a pioneira e abriu caminho para outras, no Peru (1551) e no M&eacute;xico (1553). Na Am&eacute;rica no Norte, a primeira universidade, Harvard, surgiu em 1636. No Brasil, esse in&iacute;cio foi bem mais tardio. Embora j&aacute; contasse com escolas superiores isoladas, desde 1808, como a Escola de Cirurgia da Bahia (1808) e a Faculdade de Direito de Olinda (1827), somente no s&eacute;culo 20, o pa&iacute;s fundou sua primeira universidade: a Universidade do Rio de Janeiro, criada em 1920, pelo Decreto nº 14.343.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ensino superior no Brasil n&atilde;o s&oacute; demorou a surgir - como tamb&eacute;m, a se expandir. At&eacute; 2002, o pa&iacute;s tinha apenas 45 universidades federais, concentradas, principalmente, nas regi&otilde;es Sudeste e Sul. De acordo com dados do Censo da Educa&ccedil;&atilde;o Superior 2013, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&iacute;sio Teixeira (Inep) &#91;1&#93;, esse n&uacute;mero elevou-se para 63, em 2014, com o Programa de Apoio a Planos de Reestrutura&ccedil;&atilde;o e Expans&atilde;o das Universidades Federais (Reuni). Os 148 campi experimentaram um aumento para 321, no per&iacute;odo, constru&iacute;dos principalmente em cidades de m&eacute;dio porte no interior do pa&iacute;s, visando a desconcentra&ccedil;&atilde;o regional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, entre 2003 e 2013, o percentual de crescimento das matr&iacute;culas, nas regi&otilde;es Nordeste e Norte, foi de 94% e 76%, respectivamente, segundo o relat&oacute;rio "A democratiza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior no pa&iacute;s 2003-2014", da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Superior (SESu) &#91;2&#93;. O documento tamb&eacute;m mostra um aumento de 86% nas matr&iacute;culas nas universidades federais, no per&iacute;odo. Al&eacute;m disso, as vagas nos cursos noturnos - que beneficiam os estudantes trabalhadores - subiram de 944.584 para 3,45 milh&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Com a implementa&ccedil;&atilde;o do programa Reuni, a partir de 2007, houve uma amplia&ccedil;&atilde;o na oferta de vagas e cursos p&uacute;blicos, a diversifica&ccedil;&atilde;o dos turnos, com a cria&ccedil;&atilde;o de novos campi, Universidades e Institutos Federais. Se em 2007, havia 1,3 milh&atilde;o de matriculados (cerca de 0,7% da popula&ccedil;&atilde;o), em 2019 esse n&uacute;mero saltou para 2,08 milh&otilde;es (quase 1,0% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira)", aponta Maria Ang&eacute;lica Pedra Minhoto, professora do Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o da Escola de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas (EFLCH) da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp) e coordenadora do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ci&ecirc;ncia (SoU_Ci&ecirc;ncia).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impacto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa expans&atilde;o impactou, significativamente, as realidades locais. A instala&ccedil;&atilde;o das universidades (e, consequentemente, de seus alunos), impactaram, positivamente, desde o mercado imobili&aacute;rio e de materiais de constru&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o setor de servi&ccedil;os, como os de alimenta&ccedil;&atilde;o e lazer, impulsionando a amplia&ccedil;&atilde;o de postos de trabalho variados, resultando em ganhos para as comunidades em que se essas institui&ccedil;&otilde;es se instalaram. Al&eacute;m disso, a presen&ccedil;a das universidades acarretou aumento da qualifica&ccedil;&atilde;o, que se refletiu no mercado de trabalho local, tanto pela contrata&ccedil;&atilde;o direta dos profissionais formados, como pela ocupa&ccedil;&atilde;o de outros postos de trabalho por pessoas melhor qualificadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Houve tamb&eacute;m um impacto indireto, sentido atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria, no fortalecimento de uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica e pol&iacute;tica, que resultou em atua&ccedil;&otilde;es mais diversas na comunidade. "Isso inclui desde pessoas que fizeram cursos de extens&atilde;o e passaram a ver com outros olhos aspectos da realidade brasileira, at&eacute; egressos que assumem fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas em seus munic&iacute;pios, ou passam a atuar politicamente em organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil de diversas ordens", explica Marcelo Ximenes Aguiar Bizerril, professor da Faculdade UnB Planaltina da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB). Professor h&aacute; 17 anos em um dos primeiros campi dessa fase de expans&atilde;o e interioriza&ccedil;&atilde;o do ensino superior p&uacute;blico, tendo dirigido esse campus na periferia de Bras&iacute;lia por nove anos nas fases iniciais de sua implanta&ccedil;&atilde;o, Bizerril cita como exemplo o primeiro prefeito quilombola do pa&iacute;s, no munic&iacute;pio de Cavalcante (GO), que &eacute; membro da comunidade Kalunga e egresso do curso de licenciatura em educa&ccedil;&atilde;o do campo, da UnB (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a16fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "O estabelecimento dos campi nas periferias e interior do pa&iacute;s, contribuiu para democratizar o acesso das comunidades locais &agrave; vida e cultura universit&aacute;rias."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda, o estabelecimento dos campi nas periferias e interior do pa&iacute;s, contribuiu para democratizar o acesso das comunidades locais &agrave; vida e cultura universit&aacute;rias. Nesse conceito, incluem-se o acesso &agrave;s estruturas f&iacute;sicas como bibliotecas, laborat&oacute;rios, audit&oacute;rios, quadras esportivas, favorecendo o conhecimento e a assimila&ccedil;&atilde;o dos valores intr&iacute;nsecos da universidade p&uacute;blica, como a ci&ecirc;ncia, a cultura, a diversidade e a democracia. "Essa aproxima&ccedil;&atilde;o se deu por meio de projetos de extens&atilde;o e pesquisa, mas tamb&eacute;m pela pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia dos campi e sua tradi&ccedil;&atilde;o de livre acesso &agrave;s suas depend&ecirc;ncias, e as m&uacute;ltiplas rela&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o se estabelecendo entre a comunidade local e a acad&ecirc;mica", aponta Bizerril.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desafios</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o das universidades na periferia e no interior do pa&iacute;s facilitou o acesso, ao ensino superior p&uacute;blico, para jovens e adultos que antes n&atilde;o tinham essa perspectiva em suas vidas. "A expans&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior (IES) brasileiras foi muito importante, pois permitiu, al&eacute;m do ingresso de maior n&uacute;mero de pessoas, a amplia&ccedil;&atilde;o do acesso pela interioriza&ccedil;&atilde;o de novos campi e a cria&ccedil;&atilde;o dos Institutos Federais de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (IFs), o que trouxe para a educa&ccedil;&atilde;o superior pessoas que n&atilde;o poderiam ter se deslocado para estudar longe do seu domic&iacute;lio", afirma Gladys Beatriz Barreyro, professora na Escola de Artes, Ci&ecirc;ncias e Humanidades (EACH) da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). A pesquisadora tamb&eacute;m aponta que se, por um lado, essa amplia&ccedil;&atilde;o foi muito essencial, por outro ela ainda foi insuficiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O n&uacute;mero de vagas nas universidades e IES cresceu, mas n&atilde;o acompanhou a necessidade real da popula&ccedil;&atilde;o brasileira - especialmente a de baixa renda. A demanda continua sendo maior do que a expans&atilde;o trazida pelo Reuni. "A expans&atilde;o do ensino privado &eacute; astronomicamente superior do que das universidades p&uacute;blicas e isso acarreta equidade e oportunidade de acesso ao estudante que deseja ingressar na universidade", explica Maria das Gra&ccedil;as Gon&ccedil;alves Vieira Guerra, professora do Centro de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB). "&Eacute; preciso uma pol&iacute;tica p&uacute;blica de reestrutura&ccedil;&atilde;o curricular mais radical, capaz de atingir um maior contingente da popula&ccedil;&atilde;o na idade de escolariza&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria", defende a pesquisadora.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "As cotas para negros, ind&iacute;genas e estudantes, do ensino p&uacute;blico, modificou drasticamente o perfil da comunidade estudantil universit&aacute;ria, diversificando-a e tornando-a mais pr&oacute;xima ao que &eacute; o Brasil de fato."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, esse ciclo de expans&atilde;o parece ter se esgotado nos &uacute;ltimos anos e o n&uacute;mero de matr&iacute;culas p&uacute;blicas tem encolhido visivelmente. "Em 1995, o Brasil tinha por volta de 670 mil matriculados em universidades p&uacute;blicas. S&oacute; ultrapassamos a marca de um milh&atilde;o de matriculados no ano de 2002. Em termos de propor&ccedil;&atilde;o de matr&iacute;culas sobre a popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, esses n&uacute;meros n&atilde;o representam nem 0,5%", ressalta Minhoto. A pesquisadora tamb&eacute;m aponta que a distribui&ccedil;&atilde;o de matr&iacute;culas no ensino superior, entre as diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s, ainda &eacute; desigual. "No Sul h&aacute; o maior percentual de matriculados e no Nordeste, o menor. Essa realidade n&atilde;o ajuda a combater as hist&oacute;ricas desigualdades entre as diferentes regi&otilde;es. Por isso, a pol&iacute;tica de expans&atilde;o e interioriza&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Superior &eacute; estrat&eacute;gica e seu planejamento deve ser retomado", enfatiza.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Diversidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A expans&atilde;o das universidades trouxe para o debate a quest&atilde;o da diversidade. Al&eacute;m de aumentar o n&uacute;mero de vagas, o objetivo era trazer para a educa&ccedil;&atilde;o superior os grupos historicamente exclu&iacute;dos: pobres, negros, ind&iacute;genas, filhos de pais com pouca e/ou nenhuma escolaridade e estudantes das escolas p&uacute;blicas. Assim, se no in&iacute;cio dos anos 1990, oito entre 10 alunos eram brancos, hoje essa propor&ccedil;&atilde;o caiu para seis entre 10 estudantes, segundo o "Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022", elaborado pelo Instituto Semesp &#91;3&#93; (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o no ensino superior, a "Lei de Cotas" certamente foi a que teve um dos maiores impactos na mudan&ccedil;a do perfil do estudante, j&aacute; em seu primeiro ano de implanta&ccedil;&atilde;o, em 2013. "H&aacute; uma amplia&ccedil;&atilde;o evidente em termos de diversidade &eacute;tnico-racial, de 2013 para 2019, refletindo o impacto da pol&iacute;tica de cotas na mudan&ccedil;a do perfil dos estudantes", afirma Minhoto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cotas para negros, ind&iacute;genas e estudantes, do ensino p&uacute;blico, modificou drasticamente o perfil da comunidade estudantil universit&aacute;ria, diversificando-a e tornando-a mais pr&oacute;xima ao que &eacute; o Brasil de fato, e, ao mesmo tempo, distanciando-a da elite (classe m&eacute;dia e alta), que tradicionalmente monopolizava os espa&ccedil;os das IES p&uacute;blicas. Em diversos espa&ccedil;os da educa&ccedil;&atilde;o superior, programas de a&ccedil;&atilde;o afirmativa tiveram &ecirc;xito, ao abrir vagas p&uacute;blicas para segmentos que antes eram exclu&iacute;dos ou subrepresentados. "Perceb&iacute;amos que as universidades p&uacute;blicas eram do Estado, mas n&atilde;o se destinavam ao povo. Vagas em universidades p&uacute;blicas de melhor qualidade, e nos cursos de maior prest&iacute;gio social, eram (e ainda s&atilde;o, em grande medida, apesar das pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas compensat&oacute;rias) destinadas quase que, exclusivamente, a uma minoria branca e de classe dominante da sociedade", ressalta Guerra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, em uma d&eacute;cada, as cotas foram capazes de incluir, na Educa&ccedil;&atilde;o Superior, estudantes pobres, negros, ind&iacute;genas e provenientes de escolas p&uacute;blicas em uma propor&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita no pa&iacute;s. A maioria desses estudantes representa a primeira gera&ccedil;&atilde;o de suas fam&iacute;lias a ter acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior. "Os cotistas t&ecirc;m apresentado um desempenho acad&ecirc;mico similar ao dos n&atilde;o cotistas, no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) (ver Relat&oacute;rio do SoU_Ci&ecirc;ncia &#91;4&#93; ), al&eacute;m de se evadirem proporcionalmente menos. Esse cen&aacute;rio, aliado ao fato de que o sal&aacute;rio &eacute; em m&eacute;dia 2,5 vezes maior entre os brasileiros portadores de diploma superior do que entre os que possuem diploma de n&iacute;vel m&eacute;dio, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), nos d&aacute; a dimens&atilde;o do impacto promovido por essa pol&iacute;tica no combate &agrave;s desigualdades e na promo&ccedil;&atilde;o da mobilidade social no pa&iacute;s", aponta Minhoto. "Essas informa&ccedil;&otilde;es nos permitem assegurar que as pol&iacute;ticas afirmativas e de inclus&atilde;o social promoveram uma esp&eacute;cie de revolu&ccedil;&atilde;o silenciosa no pa&iacute;s", termina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisas sobre o perfil dos estudantes, associadas ao desempenho acad&ecirc;mico, bem como o acompanhamento de egressos, sua empregabilidade e aumento da renda familiar, vem sendo feitas e mostram resultados amplamente favor&aacute;veis &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas, no pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, outros aspectos, que dizem respeito a mudan&ccedil;as sociais a partir da valoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento, do estudo e da forma&ccedil;&atilde;o intelectual em classes sociais, mostram a import&acirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es afirmativas. "Isso certamente for&ccedil;ou a universidade a lidar com temas que eram gritantes na sociedade, mas minimizados no dia a dia das universidades como o racismo, a LGBTfobia, a acessibilidade, a inclus&atilde;o, as doen&ccedil;as mentais, o suic&iacute;dio, o acesso digital, a assist&ecirc;ncia estudantil, e a pr&oacute;pria revis&atilde;o da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica no ensino superior", aponta Bizerril.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Democratiza&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aumento de vagas e campi implicou na contrata&ccedil;&atilde;o de um grande contingente de servidores p&uacute;blicos, como docentes ou t&eacute;cnicos administrativos. Essa amplia&ccedil;&atilde;o de vagas, para atua&ccedil;&atilde;o profissional no ensino superior p&uacute;blico, democratizou o acesso ao trabalho nas universidades e ajudou a mudar o perfil dos docentes e t&eacute;cnicos. No caso dos docentes, perfis mais diversificados foram contratados, abalando a hegemonia dos pesquisadores de carreira, que sa&iacute;am do doutorado ou p&oacute;s-doutorado, direto para as universidades, muitas vezes, para seguir atuando no mesmo grupo de pesquisa no qual foi formado. J&aacute; no caso dos t&eacute;cnicos, houve uma amplia&ccedil;&atilde;o de contrata&ccedil;&atilde;o, para perfis profissionais at&eacute; ent&atilde;o inexistentes nas universidades, atraindo pessoal mais escolarizado e com outras perspectivas profissionais. "Esse aumento na diversidade docente resultou em um fortalecimento do debate interno a respeito do conhecimento transdisciplinar e das miss&otilde;es e pap&eacute;is da universidade p&uacute;blica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade. E a diversidade de profissionais t&eacute;cnicos fortaleceu debates internos a respeito dos direitos desse segmento e de seu papel no funcionamento da universidade, como na gest&atilde;o e no acesso &agrave; p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o", afirma Bizerril (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n1/a16fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m &eacute; interessante avaliar o impacto da expans&atilde;o das universidades p&uacute;blicas, atrav&eacute;s da inser&ccedil;&atilde;o de seus egressos. Um estudo de caso &#91;5&#93; recente mostrou que os alunos egressos da Unifesp, de diferentes origens socioecon&ocirc;micas, t&ecirc;m conseguido exercer, de forma equitativa, as suas atividades profissionais na &aacute;rea em que se formaram. Ainda &eacute; preciso superar desafios &agrave; dificuldade para se empregar, &agrave; faixa de renda e &agrave; continuidade dos estudos, mas isso j&aacute; demonstra os efeitos da mudan&ccedil;a no perfil de egressos, na sociedade e no mercado de trabalho. "A educa&ccedil;&atilde;o apenas n&atilde;o resolve os problemas sociais e s&atilde;o necess&aacute;rias outras pol&iacute;ticas complement&aacute;rias. Reserva de vagas segundo crit&eacute;rios sociais em concursos p&uacute;blicos, assim como incentivos &agrave;s empresas que contratem ex-cotistas ou ex-bolsistas, poderiam ajudar na inclus&atilde;o dos estudantes no mercado de trabalho", enfatiza Barreyro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante disso, esse seria o momento de retomar a expans&atilde;o universit&aacute;ria, criando estruturas para acolher essa diversidade de alunos e caminhando rumo a uma universidade cidad&atilde;, que reconhece e deseja que os direitos das pessoas estejam presentes e ativos, dentro e fora de seus limites. "A IES precisa ser criativa e eficiente, mantendo sua qualidade, tanto para a sociedade abastada e como para a sem recursos. Para acolher a massa de exclu&iacute;dos e ter um papel relevante na integra&ccedil;&atilde;o social desses sujeitos, para produzir conhecimento local-regional - internacional e ter relev&acirc;ncia nos projetos de desenvolvimento nacional, para contribuir para superar esse triste momento de barb&aacute;rie cultural, desmoraliza&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, retrocesso social e desesperan&ccedil;a pol&iacute;tica, a IES precisa se recriar de fato como 'l&oacute;cus' social para todos, com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para amplia&ccedil;&atilde;o que garantam condi&ccedil;&otilde;es de acesso e perman&ecirc;ncia", defende Guerra.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "Esse seria o momento de retomar a expans&atilde;o universit&aacute;ria, criando estruturas para acolher essa diversidade de alunos e caminhando rumo a uma universidade cidad&atilde;, que reconhece e deseja que os direitos das pessoas estejam presentes e ativos, dentro e fora de seus limites."</b></styled-content>   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, &eacute; necess&aacute;rio retomar o processo de expans&atilde;o das universidades, dessa vez fazendo os ajustes a partir das li&ccedil;&otilde;es aprendidas e das m&uacute;ltiplas experi&ecirc;ncias vividas em todos os cantos do pa&iacute;s. "Para isso, &eacute; importante valorizar que essas hist&oacute;rias sejam contadas, revistas, discutidas e socializadas; &eacute; fundamental criar espa&ccedil;os de di&aacute;logo dos atores que viveram essas experi&ecirc;ncias para tirarmos as li&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias e acertarmos mais nas pr&oacute;ximas tentativas", aponta Bizerril.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. BRASIL. MINIST&Eacute;RIO DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&iacute;sio Teixeira (Inep). <i>Resumo T&eacute;cnico - Censo da Educa&ccedil;&atilde;o Superior 2013. </i>Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=123568&pid=S0009-6725202300010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. BRASIL. MINIST&Eacute;RIO DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O. Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Superior (SESu). <i> A democratiza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior no pa&iacute;s 2003-2014. </i> Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=123570&pid=S0009-6725202300010001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. INSTITUTO SEMESP. <i>Mapa do Ensino Superior</i>. 12&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: SEMESP, 2022.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=123572&pid=S0009-6725202300010001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. UNIFESP. <i>SoU_Ci&ecirc;ncia - Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ci&ecirc;ncia. </i>S&atilde;o Paulo (SP): UNIFESP, 2020.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=123574&pid=S0009-6725202300010001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. MINHOTO, M. A. P.; SILVESTRE, M. A.; DE SOUZA, D. L.; REIS, R. C. Experiences of Unifesp undergraduates: the evaluation of graduates. <i>Education Policy Analysis Archives, </i>v. 30, p.1-65, 2022.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=123576&pid=S0009-6725202300010001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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