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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ecologia: do conhecimento sistêmico ao transformador: é preciso tratar o componente humano como parte indissociável do que entendemos como natureza]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Ecologia integral]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Transdisciplinaridade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ecologia: do conhecimento sist&ecirc;mico ao transformador: &eacute; preciso tratar o componente humano como parte indissoci&aacute;vel do que entendemos como natureza</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fabio Rubio Scarano<sup>I</sup>; Anna Carolina Fornero Aguiar<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Titular da C&aacute;tedra Unesco de Alfabetiza&ccedil;&atilde;o em Futuros do Museu do Amanh&atilde;, professor titular de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor do Mestrado Profissional em Ci&ecirc;ncia da Sustentabilidade da PUC-Rio    <br>   <sup>II</sup>P&oacute;s-doutora da C&aacute;tedra Unesco de Alfabetiza&ccedil;&atilde;o em Futuros do Museu do Amanh&atilde;, e professora do Mestrado Profissional em Ci&ecirc;ncia da Sustentabilidade da PUC-Rio</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Ecologia surgiu, por defini&ccedil;&atilde;o, como uma ci&ecirc;ncia do todo. Em seguida, pulverizou-se em m&oacute;dulos reducionistas, por&eacute;m importantes para diversas aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas em problemas ambientais variados. Hoje, diante da crise sist&ecirc;mica planet&aacute;ria, a Ecologia volta &agrave; sua natureza transdisciplinar e comp&otilde;e o elenco de contribui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas voltadas para a transi&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o a um mundo mais sustent&aacute;vel. Este artigo prop&otilde;e que o uso dos termos "b&aacute;sico" e "aplicado" n&atilde;o s&atilde;o apropriados para a ci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica, por conta de um vaiv&eacute;m cont&iacute;nuo e, por vezes, indistingu&iacute;vel entre teoria e pr&aacute;tica. S&atilde;o apresentadas outras duas alternativas de categoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento ecol&oacute;gico. Em seguida, o artigo tra&ccedil;a uma distin&ccedil;&atilde;o entre ecologia <i>stricto sensu</i> e ecologia <i>lato sensu</i> - esta &uacute;ltima no sentido do que hoje se agrupa sob uma variedade de "ecologias" ditas "integrais". Nesse ponto, a ci&ecirc;ncia trava um di&aacute;logo com movimentos sociais como o ambientalismo, refor&ccedil;ando sua pot&ecirc;ncia transformadora. Conclu&iacute;mos com a reflex&atilde;o que, no tempo atual, talvez a a&ccedil;&atilde;o mais "b&aacute;sica" na ci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica seja tamb&eacute;m a mais "aplicada": tratar o componente humano como parte indissoci&aacute;vel do que entendemos como natureza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Ecologia integral; Ecosofia; Hist&oacute;ria da ecologia; Natureza; Transdisciplinaridade.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1866, Ernst Haeckel cunhou o termo Ecologia e o definiu como sendo o total das rela&ccedil;&otilde;es do organismo com o meio abi&oacute;tico e bi&oacute;tico ao seu redor, incluindo, em um contexto mais amplo, todas as condi&ccedil;&otilde;es para a sua exist&ecirc;ncia &#91;1&#93;. Os cr&iacute;ticos dizem que se isso fosse Ecologia, seria dif&iacute;cil determinar o que n&atilde;o era &#91;2&#93;. O fato &eacute; que a Ecologia &eacute; uma ci&ecirc;ncia essencialmente integrativa, cuja pr&aacute;tica requer um constante exerc&iacute;cio de conex&atilde;o e di&aacute;logo entre disciplinas e entre diferentes escalas e n&iacute;veis hier&aacute;rquicos de observa&ccedil;&atilde;o &#91;3&#93;. Repare a preocupa&ccedil;&atilde;o com tais hierarquias nesta defini&ccedil;&atilde;o: "Ecologia &eacute; o estudo cient&iacute;fico de processos que influenciam a distribui&ccedil;&atilde;o e abund&acirc;ncia de organismos, a intera&ccedil;&atilde;o entre organismos e a transforma&ccedil;&atilde;o de fluxo de energia e mat&eacute;ria" &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda que o termo tenho surgido em meados do s&eacute;culo XIX, a emerg&ecirc;ncia da Ecologia como pr&aacute;tica cient&iacute;fica s&oacute; se daria no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX &#91;2&#93;, de forma a preencher a lacuna existente entre fisiologia e biogeografia &#91;3&#93;. Decerto que esse in&iacute;cio vinha carregado de influ&ecirc;ncias da hist&oacute;ria natural, demografia humana, biometria e dos problemas pr&aacute;ticos da medicina e da agricultura, assim como, claro, do pensamento de Darwin.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A Ecologia &eacute; uma ci&ecirc;ncia essencialmente integrativa, cuja pr&aacute;tica requer um constante exerc&iacute;cio de conex&atilde;o e di&aacute;logo entre disciplinas e entre diferentes escalas e n&iacute;veis hier&aacute;rquicos de observa&ccedil;&atilde;o."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, este campo que emerge como uma esp&eacute;cie de "estudo do todo" n&atilde;o escapa ao cacoete reducionista da ci&ecirc;ncia moderna e logo se v&ecirc; fragmentado em dois paradigmas: o populacional (ou evolutivo) e o ecossist&ecirc;mico. Mais que isso, se daria uma subdivis&atilde;o ainda mais aguda dentro de cada um dos paradigmas. Portanto, as chamadas ecologia gen&eacute;tica, ecofisiologia, ecologia populacional e ecologia de comunidades pendem para um lado, enquanto que a ecologia de ecossistemas, de paisagens e a biogeoqu&iacute;mica pendem para outro &#91;3&#93;. Mas a redu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o para por a&iacute;: aqu&aacute;tico <i>versus</i> terrestre, animal <i>versus</i> vegetal, microbiana, humana. Esta &uacute;ltima &eacute; particularmente sintom&aacute;tica do fato das palavras "natureza", "biodiversidade" &#91;5&#93; e tamb&eacute;m "ecologia" serem automaticamente relacionadas ao n&atilde;o humano. Quando o componente humano &eacute; inclu&iacute;do, ele vem como adjetivo: ecologia humana, natureza humana, diversidade humana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta pulveriza&ccedil;&atilde;o da Ecologia talvez seja o que levou o fil&oacute;sofo brit&acirc;nico Timothy Morton a afirmar que ela transformou o meio ambiente em uma gigantesca biblioteca, um livro sem &iacute;ndice da natureza &#91;6&#93;. Se o projeto cartesiano era o de reduzir o todo &agrave;s suas partes, para primeiro entender as partes e depois compreender o todo &#91;7&#93;, n&atilde;o seria o momento de integrarmos as partes da Ecologia?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, sist&ecirc;mica ou &uacute;til?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este n&uacute;mero de <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> se debru&ccedil;a sobre a ci&ecirc;ncia b&aacute;sica, que pressup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de seu par dicot&ocirc;mico, ci&ecirc;ncia aplicada. Essa classifica&ccedil;&atilde;o decorre de uma leitura de ci&ecirc;ncia como algo voltado para dois fins: o de ampliar o conhecimento humano acerca das coisas e o de aportar solu&ccedil;&otilde;es aos problemas que afligem o planeta &#91;8&#93;. Contudo, nosso argumento aqui &eacute; que essa distin&ccedil;&atilde;o entre b&aacute;sica e aplicada n&atilde;o se adequa plenamente &agrave; Ecologia como ci&ecirc;ncia. Enxergamos como um gradiente, no tempo e espa&ccedil;o, entre o conhecimento gerado e seu eventual uso. At&eacute; porque &eacute; de se esperar que, ao se ampliar o conhecimento humano, aumenta-se muito a chance que problemas pr&aacute;ticos possam ser solucionados a partir desse saber.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, a Ecologia se prop&otilde;e a solucionar problemas como o da conserva&ccedil;&atilde;o de biodiversidade, da preserva&ccedil;&atilde;o de mananciais h&iacute;dricos, do controle do aquecimento global, entre outros. Por&eacute;m, para ter sucesso nessas metas, precisa antes ter um profundo conhecimento acerca do seu objeto de investiga&ccedil;&atilde;o: a natureza biol&oacute;gica, incluindo elementos vivos e n&atilde;o-vivos, humanos e n&atilde;o-humanos. Isso, por sua vez, requer teorias robustas e uma boa tradu&ccedil;&atilde;o para a pr&aacute;tica. Ou seria o contr&aacute;rio (<a href="#fig1">Figura 1</a>)?</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a08fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Ecologia, enquanto ci&ecirc;ncia, tem uma caracter&iacute;stica paradoxal. O fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Michel Foucault se referia &agrave;s disciplinas biol&oacute;gicas como "disciplinas ainda imprecisas e que talvez estejam destinadas a permanecer abaixo da fronteira da cientificidade" &#91;9&#93;. Peters (1991), ainda mais cr&iacute;tico, classificava a ci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica como "fraca", incapaz de lidar com os desafios ambientais &#91;10&#93;. &Eacute; indiscut&iacute;vel que tal rigor pode se fundar no fato da perda de biodiversidade, por exemplo, aumentar h&aacute; d&eacute;cadas &#91;11&#93;. Mas, por outro lado, onde estar&iacute;amos se a Ecologia e sua derivada Biologia da Conserva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fossem t&atilde;o prol&iacute;ficas em teoria e pr&aacute;tica? N&atilde;o seria bem pior? De fato, os mais otimistas quanto &agrave; natureza da Ecologia enquanto ci&ecirc;ncia enxergam avan&ccedil;o no poder preditivo e explanat&oacute;rio de suas teorias &#91;3,12&#93;. Entre eles h&aacute; tamb&eacute;m aqueles que creem na for&ccedil;a dos estudos de casos voltados para a solu&ccedil;&atilde;o de problemas ambientais. Acreditam que da&iacute; possam emergir futuras teorias ecol&oacute;gicas robustas &#91;8,13&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma vez que a Ecologia caminha tanto da teoria para a aplica&ccedil;&atilde;o, como da aplica&ccedil;&atilde;o para a teoria, a distin&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia b&aacute;sica e aplicada n&atilde;o parece apropriada. A <a href="#tab1">Tabela 1</a> apresenta outras duas classifica&ccedil;&otilde;es de conhecimento cient&iacute;fico que nos parecem mais adequadas ao conhecimento ecol&oacute;gico, e suscitam um paralelo com a distin&ccedil;&atilde;o b&aacute;sico-aplicado &#91;<a href="#tab1">Tabela 1</a>&#93;.</font></p>     <p><a name="tab1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a08tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A de Jahn e colaboradores &#91;14&#93; se volta para conhecimento transdisciplinar (no qual a ecologia frequentemente se enquadra) e denomina de "conhecimento sist&ecirc;mico" aquele que se volta para o entendimento de um determinado caso ou fen&ocirc;meno. Seria an&aacute;logo ao que Stokes &#91;15&#93; chama de "b&aacute;sico". O "conhecimento orientador" &eacute; aquele que se requer para a tomada de decis&atilde;o, enquanto o "transformador" se refere ao modo de realizar esta decis&atilde;o &#91;14&#93;. Orientador e transformador est&atilde;o no campo que Stokes chamaria de "aplicado". Tal sistema &#91;14&#93; encontra rela&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m com a usabilidade da ci&ecirc;ncia. O termo "aplicado" parece sugerir que ela tem sentido pr&aacute;tico, utilit&aacute;rio, enquanto o "b&aacute;sico" n&atilde;o o teria. J&aacute; Lemos &#91;16&#93; explica que toda ci&ecirc;ncia &eacute; potencialmente &uacute;til, mesmo que ela n&atilde;o seja imediatamente us&aacute;vel ou ainda n&atilde;o esteja pronta para o uso. Visto dessa forma, o conhecimento ecol&oacute;gico ao qual estamos dando tratamento aqui &eacute; sist&ecirc;mico e &uacute;til, j&aacute; que permite o vaiv&eacute;m entre teoria e pr&aacute;tica, conceitua&ccedil;&atilde;o e uso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ecologia <i>Stricto Sensu</i> e <i>Lato Sensu</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltemos &agrave; quest&atilde;o inicial: j&aacute; que a Ecologia &eacute; uma ci&ecirc;ncia integrativa, n&atilde;o seria o momento de reconectarmos as suas partes fragmentadas? Nisso, lembramos tr&ecirc;s vis&otilde;es dentre as mais antigas da Ecologia (no seu sentido mais estrito), ainda que fora de sua ordem cronol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Comecemos por Hutchinson, que desenvolveu o conceito de nicho ecol&oacute;gico na d&eacute;cada de 1950 (que d&aacute; import&acirc;ncia &agrave;s intera&ccedil;&otilde;es, especialmente competitivas entre esp&eacute;cies). Paradoxalmente, seus pr&oacute;prios disc&iacute;pulos seriam os fundadores dos dois paradigmas te&oacute;ricos j&aacute; mencionados: a ecologia de ecossistemas (de Lindemann e Odum, dedicada &agrave; compreens&atilde;o sobre o funcionamento de ecossistemas e seus fluxos de energia e mat&eacute;ria) e a ecologia evolutiva (com suas disputas acerca de estrat&eacute;gias de esp&eacute;cies, representadas pelas teorias de nicho do pr&oacute;prio Hutchinson e a teoria de biogeografia de ilhas de MacArthur e Wilson). &Eacute; curioso que um &uacute;nico cientista, Hutchinson, tenha estado em algum grau envolvido com vis&otilde;es que ainda hoje a ci&ecirc;ncia tem dificuldade de sintetizar (Huneman &#91;17&#93; traz detalhada revis&atilde;o hist&oacute;rica sobre este debate). Todas essas teorias e paradigmas, ainda que fragmentadas em disciplinas, s&atilde;o fundamentais para entendermos o processo de sucess&atilde;o ecol&oacute;gica, que por sua vez &eacute; o conhecimento sist&ecirc;mico que permite o desenvolvimento transformador da restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica. Todo o entendimento de &aacute;reas m&iacute;nimas para conserva&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies se deve muito &agrave; teoria de biogeografia de ilhas, mas tamb&eacute;m &agrave;s demais acima citadas. E, claro, as disciplinas da restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica e da biologia da conserva&ccedil;&atilde;o regularmente suscitam novas perspectivas te&oacute;ricas para a Ecologia como ci&ecirc;ncia. De novo, nota-se o vaiv&eacute;m b&aacute;sico-aplicado. Quem sabe o conhecimento transformador destas duas disciplinas ditas aplicadas, conserva&ccedil;&atilde;o e restaura&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o auxilie uma s&iacute;ntese das teorias ecol&oacute;gicas?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Quando a Ecologia interage com outros campos com os quais faz fronteiras, fica ainda mais evidente que teorias e paradigmas fragmentados e dispersos por distintas &aacute;reas do conhecimento podem, juntos, permitir um tratamento sist&ecirc;mico &agrave; realidade que o Antropoceno imp&otilde;e."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando a Ecologia interage com outros campos com os quais faz fronteiras, fica ainda mais evidente que teorias e paradigmas fragmentados e dispersos por distintas &aacute;reas do conhecimento podem, juntos, permitir um tratamento sist&ecirc;mico &agrave; realidade que o Antropoceno imp&otilde;e. Por exemplo, a emerg&ecirc;ncia e reemerg&ecirc;ncia de zoonoses s&atilde;o fortemente associadas &agrave;s mudan&ccedil;as e degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. Eventos como a pandemia de Covid-19, as gripes avi&aacute;ria e su&iacute;na, Ebola e Zika demonstram a interdepend&ecirc;ncia entre a sa&uacute;de humana, animal e dos ecossistemas. Al&eacute;m disso, j&aacute; &eacute; conhecido que locais com perda de biodiversidade, alta densidade demogr&aacute;fica e intensas atividades antr&oacute;picas t&ecirc;m maior potencial de sediar surtos pand&ecirc;micos &#91;18&#93;. O conceito de "Sa&uacute;de &Uacute;nica" (do ingl&ecirc;s "<i>One Health</i>", criado em 2004) destaca essa interdepend&ecirc;ncia e integra campos como a Medicina, a Veterin&aacute;ria e a Ecologia para lidar de forma hol&iacute;stica com as amea&ccedil;as zoon&oacute;ticas &#91;19&#93;. <sup> </sup>Trata-se de uma abordagem sist&ecirc;mica, certamente &uacute;til e potencialmente transformadora no sentido de prevenir epidemias e pandemias zoon&oacute;ticas (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n2/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No <i>lato sensu</i> da Ecologia, portanto, caem as fronteiras entre disciplinas. Ainda mais antigo que o exemplo da Sa&uacute;de &Uacute;nica - mas em uma perspectiva semelhante - veja os casos de Alexander Von Humboldt e da dupla Lynn Margulis e James Lovelock. Humboldt, naturalista alem&atilde;o que viajou extensamente na regi&atilde;o norte-amaz&ocirc;nica vizinha ao Brasil, descrevia a Terra como um todo natural animado e a vida como uma grande cadeia de causas e efeitos, na qual nada poderia ser considerado de forma isolada &#91;20&#93;. Sua publica&ccedil;&atilde;o em cinco volumes, produzidos entre 1845 e 1862 (note que anterior ao termo "Ecologia" ser cunhado por Haeckel em 1866), ele chamou de "Kosmos", mas cogitou chamar de "G&auml;a", em refer&ecirc;ncia &agrave; deusa grega. Gaia, por&eacute;m, seria o nome dado &agrave; teoria de Lovelock e Margulis, nos anos 1970, sobre a capacidade autorregulat&oacute;ria, a interdepend&ecirc;ncia e a interconectividade de toda a vida na Terra &#91;21&#93;. Ainda que esses pensadores n&atilde;o sejam frequentemente associados &agrave; ci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica, o s&atilde;o, at&eacute; por, de alguma forma, nos remeterem &agrave;s "ecologias integrais".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ecologias Integrais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia &eacute; um fen&ocirc;meno cultural e, portanto, abra&ccedil;a ou provoca o esp&iacute;rito do tempo. Quase que em paralelo a Darwin, Haeckel e o surgimento da Ecologia como ci&ecirc;ncia, crescia o ambientalismo como movimento social. Em um primeiro momento, o ambientalismo &eacute; rom&acirc;ntico, em alguns casos, quase anti-humano, e isso gradualmente caminha para uma perspectiva mais socialmente engajada, dando origem &agrave; ecosofia (filosofia ecol&oacute;gica), &agrave; ecologia radical e outras linhas an&aacute;logas, que chamaremos coletivamente de "ecologia integral". Charles Fourier (1772-1837) foi precursor nesse cen&aacute;rio. Sua utopia an&aacute;rquica - que propunha recriar de forma radical um "mundo amoroso" - teria influenciado o marxismo, o feminismo e o movimento hippie &#91;22,23&#93;. Linhas como a ecosofia de Felix Guattari (1930-1992) e a ecologia profunda de Arne Naess (1912-2009) v&atilde;o al&eacute;m da ecologia como sendo pertinente ao "n&atilde;o-humano" e podem ser agrupadas em meio a uma variedade de "ecologias integrais", como as chamou o Papa Francisco I. Ecologias integrais combinam a ecologia ambiental, com a social, com a individual (que &eacute; corp&oacute;rea, mental e espiritual), remetendo a um estado futuro no qual humanos e n&atilde;o-humanos est&atilde;o integrados em rela&ccedil;&otilde;es naturais e sustent&aacute;veis &#91;24&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante disso, a ci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica &eacute;, no m&iacute;nimo, cofundadora da ci&ecirc;ncia da sustentabilidade. De forma mais arrojada, talvez se possa dizer que a ci&ecirc;ncia da sustentabilidade nada mais seja do que a ci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica hol&iacute;stica, do todo, como Haeckel originalmente propunha. Por outro lado, cr&iacute;ticos rotulam v&aacute;rias abordagens de ecologia integral como n&atilde;o-cient&iacute;ficas, ou po&eacute;ticas, ou panflet&aacute;rias, ou ainda esot&eacute;ricas. Seria esse o caso? As datas acima mostram o paralelismo que h&aacute; entre a ci&ecirc;ncia e a cultura, as teorias e os movimentos sociais, o suposto realismo cient&iacute;fico, os sonhos e as utopias. Afinal, separar esses lados em n&oacute;s n&atilde;o seria tamb&eacute;m uma forma de reducionismo?</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Diante da crise sist&ecirc;mica que o planeta atravessa, em grande medida causada pela impress&atilde;o de controle que o ser humano tem sobre o pr&oacute;ximo e sobre a natureza n&atilde;o-humana, talvez a coisa mais b&aacute;sica a se fazer seja tamb&eacute;m a mais aplicada: perceber, como dizia S&oacute;crates, que para entendermos a nossa natureza, precisamos entender a natureza do todo."</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Palavras dizem muito sobre as transforma&ccedil;&otilde;es culturais. A palavra "natureza" em nenhum dos idiomas falados na Terra significa, na sua raiz etimol&oacute;gica, o "n&atilde;o-humano" &#91;5&#93;. Da mesma forma, "biodiversidade" n&atilde;o exclui o humano, nem tampouco "biosfera", ou "ecossistema". O ser humano &eacute; natureza, &eacute; biodiversidade, comp&otilde;e a biosfera, e tanto faz parte quanto &eacute; um ecossistema. Somos ecologia na medida em que o mundo &eacute; nossa casa comum e somos casa para o mundo. Somos natureza. Diante da crise sist&ecirc;mica que o planeta atravessa, em grande medida causada pela impress&atilde;o de controle que o ser humano tem sobre o pr&oacute;ximo e sobre a natureza n&atilde;o-humana, talvez a coisa mais b&aacute;sica a se fazer seja tamb&eacute;m a mais aplicada: perceber, como dizia S&oacute;crates, que para entendermos a nossa natureza, precisamos entender a natureza do todo. &Eacute; nessa hora, que a Ecologia - a mais integral poss&iacute;vel - poder&aacute; ajudar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. L&Uuml;TTGE, U.; SCARANO, F. R. Ecofisiologia. <i>Revista Brasileira de Bot&acirc;nica</i>, S&atilde;o Paulo, v. 27, n. 1, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. KREBS, C. J. <i>Ecology</i>. Nova Iorque: Harper &amp; Row, 1972.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. PICKETT, S. T. A.; KOLASA, J.; JONES, C. G. <i>Ecological understanding</i>. Nova Iorque: Academic Press, 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. LIKENS, G. E. <i>Excellence in ecology 3: </i>its use and abuse. Oldendorf: Ecology Institute, 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. SCARANO, F. R.; AGUIAR, A. C. F.; BRINK, E.; CARNEIRO, B. L. R.; HOLZ, V. L. Natureza: por que a palavra importa para a transi&ccedil;&atilde;o para a sustentabilidade? <i>In</i>: RUTA, C.; CONTINS, M. <i>Concep&ccedil;&otilde;es de Natureza: </i>debates contempor&acirc;neos. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2023, no prelo.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. MORTON, T. <i>Ecology without nature: </i>rethinking environmental aesthetics. Cambridge: Harvard University Press, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. THOMAS, C. G. Philosophy of research. <i>In</i>: THOMAS, C. G. <i>Research methodology and scientific writing</i>. Cham: Springer, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. SHRADER-FRECHETTE, K. S.; McCOY, E. D. <i>Method in ecology</i>: strategies for conservation. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. FOUCAULT, M. <i>The archaeology of knowledge</i>. London: Routledge, 1972.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. PETERS, R. H. <i>A Critique for ecology. </i> Cambridge: Cambridge University Press, 1991.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. BRONDIZIO, E. S.; SETTELE, J.; D&Iacute;AZ S.; NGO, H. T. <i>IPBES (2019): </i>Global assessment report on biodiversity and ecosystem services of the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services<i>. </i> Bonn: IPBES Secretariat, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. MURRAY JR. , B. G. Are ecological and evolutionary theories scientific? <i>Biological Review</i>, v. 76, n.2, 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. KITCHER, P. Two approaches to explanation. <i>Journal of Philosophy</i>, v. 82, n. 11, 1985.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. STOKES, D. <i>O Quadrante de Pasteur</i>: a ci&ecirc;ncia b&aacute;sica e a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Campinas: Editora Unicamp, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. JAHN, T.; BERGMANN, M.; KEIL, F. Transdisciplinarity: between mainstreaming and marginalization. <i>Ecological Economics</i>, v. 79, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. LEMOS, M. C. Usable climate knowledge for adaptive and co-managed water governance. <i>Current Opinion in Environmental Sustainability</i>, v. 12, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. HUNEMAN, P. How the modern synthesis came to Ecology. <i>Journal of the History of Biology</i>, v. 52, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. MORSE, S. S.; MAZET, J. A. K.; WOOLHOUSE, M.; PARRISH, C. R.; CARROLL, D.; KARESH, W. B. <i>et al</i>. Prediction and prevention of the next pandemic zoonosis. <i>Lancet</i>, v. 380, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. DESTOUMIEUX-GARZ&Oacute;N, D.; MAVINGUI, P.; BOETSCH, G.; BOISSIER, J.; DARRIET, F.; DUBOZ, P. <i>et al</i>. The One Health concept: 10 years old and a long road ahead. <i>Frontiers in Veterinary Science</i>, v. 5, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. WULF, A. <i>A inven&ccedil;&atilde;o da natureza</i>. S&atilde;o Paulo: Planeta, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. LOVELOCK, J. E.; MARGULIS, L. Atmospheric homeostasis by and for the biosphere: the Gaia hypothesis. <i>Tellus</i>, v. 26, 1974.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. MARCUSE, H. <i>Psychoanalysis, politics and utopia</i>. London: Repeater Books, 1970.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. ROELOFS, J. Charles Fourier: Proto-Red-Green. <i>In</i>: MACAULEY, D. <i>Minding nature: </i>the philosophers of ecology. London: The Guilford Press, 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. MICKEY, S.; KELLY, S.; ROBERT, A. <i>A variety of integral ecologies</i>. Albany: Suny Press, 2017.    </font></p>      ]]></body><back>
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