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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desenvolvimento sustentável na Amazônia: colaboração, pesquisa e financiamento na América Latina. Proteção ambiental é um passo importante no desenvolvimento econômico da região]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Desenvolvimento sustent&aacute;vel na Amaz&ocirc;nia: colabora&ccedil;&atilde;o, pesquisa e financiamento na Am&eacute;rica Latina. Prote&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute; um passo importante no desenvolvimento econ&ocirc;mico da regi&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Mariana Hafiz</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mestre em Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Cultural no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/Unicamp). Tem experi&ecirc;ncia com jornalismo cient&iacute;fico na Revista ComCi&ecirc;ncia e ajudou a produzir o podcast &ldquo;Ref&uacute;gio em Pauta&rdquo; da Ag&ecirc;ncia da ONU para Refugiados no Brasil (ACNUR)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No come&ccedil;o de agosto, representantes de oito pa&iacute;ses-membros da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado de Coopera&ccedil;&atilde;o Amaz&ocirc;nica (OTCA) se reuniram para discutir o futuro do desenvolvimento sustent&aacute;vel da regi&atilde;o. Na ocasi&atilde;o, participantes da Bol&iacute;via, Brasil, Col&ocirc;mbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela levantaram a&ccedil;&otilde;es e oportunidades necess&aacute;rias para impulsionar uma coopera&ccedil;&atilde;o coordenada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Foram mencionadas a necessidade de implementar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para seguran&ccedil;a alimentar e nutricional, o combate ao desmatamento ilegal e a conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio gen&eacute;tico da floresta. Tamb&eacute;m se destacou a import&acirc;ncia de incluir os povos origin&aacute;rios em todos os debates envolvendo o desenvolvimento sustent&aacute;vel da Amaz&ocirc;nia nos pr&oacute;ximos anos, incluindo mulheres e amaz&ocirc;nidas urbanos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Conforme disse o embaixador Ruy Pereira no evento, diretor da Ag&ecirc;ncia Brasileira para Coopera&ccedil;&atilde;o (ABC), todas essas iniciativas s&atilde;o importantes regionalmente, porque os impactos em um continente interconectado como a Am&eacute;rica do Sul s&atilde;o inevit&aacute;veis em todos os seus pa&iacute;ses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A relev&acirc;ncia de aprofundar as pesquisas cient&iacute;ficas sobre os temas tamb&eacute;m foi apontada como um elemento central das estrat&eacute;gias futuras para o desenvolvimento da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. Uma das prioridades, conforme apontaram Radjindredath Narain, assessor de pol&iacute;ticas do Minist&eacute;rio de Planejamento Espacial e Meio Ambiente do Suriname, e Ali Pe&ntilde;a, vice-presidente do Instituto Geogr&aacute;fico Venezuelano Simon Bol&iacute;var, &eacute; ampliar o financiamento de pesquisas sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, uma vez que eles consideram a prote&ccedil;&atilde;o ambiental um passo importante no desenvolvimento econ&ocirc;mico da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse sentido, o Brasil tem desenvolvido atividades de pesquisa abrangentes e inovadoras para estudar os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na floresta Amaz&ocirc;nica. Em iniciativa envolvendo mais de 40 pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, Europa e Austr&aacute;lia, um experimento est&aacute; sendo constru&iacute;do para medir como a floresta amaz&ocirc;nica responde a condi&ccedil;&otilde;es de altas quantidades de g&aacute;s carb&ocirc;nico (CO<sub>2</sub>) atmosf&eacute;rico &ndash; uma das principais causas das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Trata-se do &ldquo;AmazonFACE&rdquo;, localizado em uma floresta da bacia Amaz&ocirc;nica pr&oacute;xima a Manaus e esperado para come&ccedil;ar a operar em 2024. Por meio de torres espalhadas pela floresta, o projeto simular&aacute; situa&ccedil;&otilde;es de temperaturas elevadas esperadas para o futuro e gerar&aacute; dados sobre como o ecossistema responde a elas (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a09fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O relat&oacute;rio do projeto <a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup> aponta que, ao mesmo tempo em que altas taxas de CO<sub>2</sub> causam mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &ndash; provocando aumento de temperaturas e ocorr&ecirc;ncia crescente de fen&ocirc;menos extremos &ndash; &eacute; poss&iacute;vel que o CO<sub>2</sub> em excesso seja aproveitado para aumentar a produtividade da floresta, por meio da fotoss&iacute;ntese. Por isso, uma das hip&oacute;teses que o projeto busca verificar &eacute; a possibilidade da floresta utilizar o g&aacute;s carb&ocirc;nico para manter o seu equil&iacute;brio, possivelmente se protegendo dos impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&quot;O experimento vai nos dar muitos <i>insights</i> de como a floresta pode se comportar e o qu&atilde;o resiliente ela estar&aacute; às mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e isso reverbera em muitos setores socioecon&ocirc;micos na regi&atilde;o&quot;, explica David Lapola, coordenador do programa &quot;AmazonFACE&quot;. Segundo o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto afetar&aacute; diretamente as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas relacionadas às maneiras com que o Brasil reporta as suas emiss&otilde;es de carbono à Conven&ccedil;&atilde;o-Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (<i>United Nations Framework Convention on Climate Change</i> - UNFCCC) e ao mercado de carbono. Al&eacute;m disso, poder&aacute; afetar indiretamente as futuras regulamenta&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, extrativismo, produ&ccedil;&atilde;o de energia, pesca e transporte.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O projeto usa a tecnologia FACE (<i>Free-Air CO<sub>2</sub> Emission</i>), tradicionalmente utilizada em florestas temperadas de outros continentes. &Eacute; a primeira vez que ela ser&aacute; aplicada no Brasil e no contexto de uma floresta tropical &ndash; que possui particularidades importantes para o estudo de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, como temperaturas mais elevadas e maior biodiversidade. Essas florestas tamb&eacute;m t&ecirc;m uma composi&ccedil;&atilde;o de nutrientes diferentes das florestas temperadas, o que pode afetar a maneira como ela se comporta frente a temperaturas elevadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Devido &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, a colabora&ccedil;&atilde;o internacional com pa&iacute;ses experientes na tecnologia &eacute; importante, al&eacute;m de garantir diversidade na equipe. No momento, o projeto recebe apoio financeiro do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Informa&ccedil;&atilde;o do Brasil (MCTI) e do governo do Reino Unido para a constru&ccedil;&atilde;o da infraestrutura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Indo por outro caminho, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) exploram essas quest&otilde;es partindo de m&eacute;todos da Antropologia. No projeto &ldquo;Nova Cartografia Social da Amaz&ocirc;nia&rdquo;, integrantes de povos e comunidades tradicionais da Amaz&ocirc;nia s&atilde;o convidados a produzirem seus pr&oacute;prios mapas da regi&atilde;o, utilizando a sua pr&oacute;pria terminologia e linguagem. &ldquo;O nosso projeto cria condi&ccedil;&otilde;es das pessoas produzirem seus pr&oacute;prios mapas. Esses mapas podem ser &ndash; e t&ecirc;m sido &ndash; elementos de defesa e de for&ccedil;a para garantir territ&oacute;rios e para denunciar desmatamentos, queimadas e devasta&ccedil;&atilde;o em tempo real&rdquo;, explica Alfredo Wagner, professor da Ufam e coordenador do projeto (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a09fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Alfredo Wagner detalha que, no que diz respeito &agrave;s iniciativas de garantir desenvolvimento sustent&aacute;vel e levantar a&ccedil;&otilde;es para combater mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o projeto d&aacute; condi&ccedil;&otilde;es para os povos que habitam a regi&atilde;o promoverem as suas pr&oacute;prias formas de prote&ccedil;&atilde;o e defesa dos territ&oacute;rios, independentemente de empresas, ONGs e partidos pol&iacute;ticos. Ele destaca que essas s&atilde;o comunidades que, tradicionalmente, atuam na preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais dos seus territ&oacute;rios e de &aacute;reas preservadas, incluindo as terras e os rios da regi&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;As comunidades tradicionalmente atuam na preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais dos seus territ&oacute;rios e de &aacute;reas preservadas, incluindo as terras e os rios da regi&atilde;o.&rdquo;</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Colabora&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ao longo dos seus 13 anos de atua&ccedil;&atilde;o, o projeto coordenado por Alfredo Wagner conta com mapas criados por povos de todos os oito estados brasileiros da Amaz&ocirc;nia Legal (Acre, Amap&aacute;, Amazonas, Mato Grosso, Par&aacute;, Rond&ocirc;nia, Roraima e Tocantins). Tamb&eacute;m existem materiais feitos em parceria com outros pa&iacute;ses amaz&ocirc;nicos, incluindo Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia, Guiana Francesa e Suriname. &ldquo;Essa abrang&ecirc;ncia tem sido respons&aacute;vel pelo &ecirc;xito do projeto e ela tamb&eacute;m &eacute; importante para entendermos que essas realidades da Pan-Amaz&ocirc;nia n&atilde;o s&atilde;o exclusivas do nosso pa&iacute;s. H&aacute; tamb&eacute;m florestas tropicais na Am&eacute;rica Central, por exemplo&rdquo;, destaca.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A import&acirc;ncia de aumentar as colabora&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses da Pan-Amaz&ocirc;nia tamb&eacute;m &eacute; reconhecida pela equipe do AmazonFACE, que se reuniu, no final de agosto, com a OTCA. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; que, daqui para frente, sejam discutidas e implementadas oportunidades de pesquisa envolvendo mais pa&iacute;ses da regi&atilde;o. &ldquo;Como o experimento &eacute; relevante para toda a Amaz&ocirc;nia, faz muito sentido a gente poder atrair a comunidade de toda a Pan-Amaz&ocirc;nia para trabalhar no projeto&rdquo;, afirma David Lapola.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Marilene Corr&ecirc;a, professora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Sociedade e Cultura da Amaz&ocirc;nia (PPGSCA) da Ufam, destaca que n&atilde;o s&oacute; as colabora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o necess&aacute;rias para o avan&ccedil;o das pautas de desenvolvimento sustent&aacute;vel, como tamb&eacute;m &eacute; importante garantir que as institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e os profissionais de pesquisa da regi&atilde;o estejam devidamente amparados. &ldquo;&Eacute; preciso que o Estado fortale&ccedil;a mais as institui&ccedil;&otilde;es locais: o INPA &#91;Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia&#93;, a Embrapa, o museu Em&iacute;lio Goeldi e as universidades federais. &Eacute; preciso tamb&eacute;m interioriz&aacute;-las, ou seja, inclu&iacute;-las na parte mais profunda da floresta amaz&ocirc;nica brasileira&rdquo;, afirma.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;N&atilde;o só as colabora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o necess&aacute;rias para o avan&ccedil;o das pautas de desenvolvimento sustent&aacute;vel, como tamb&eacute;m &eacute; importante garantir que as institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e os profissionais de pesquisa da regi&atilde;o estejam devidamente amparados.&quot;</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; Relat&oacute;rio dispon&iacute;vel no endere&ccedil;o: <a href="https://amazonface.unicamp.br/wp-content/uploads/2023/01/amazonface_science_plan__implementation_strategy.pdf" target="_blank">https://amazonface.unicamp.br/wp-content/uploads/2023/01/amazonface_science_plan__implementation_strategy.pdf</a>.</font></p>      ]]></body>
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