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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Arte na Am&eacute;rica Latina: do monumento ao testemunho. A arte permite que hist&oacute;rias locais extrapolem as fronteiras e ajudem a desconstruir hist&oacute;rias nacionalistas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Mariuzzo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Divulgadora de ci&ecirc;ncia e coordenadora de comunica&ccedil;&atilde;o do projeto HIDS Unicamp (Hub Internacional para o   Desenvolvimento Sustent&aacute;vel)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em &ldquo;Ex&iacute;lios, escombros, resist&ecirc;ncias&rdquo;, o fot&oacute;grafo argentino Marcelo Brodsky fala sobre mem&oacute;ria, ex&iacute;lios, viol&ecirc;ncia e direitos humanos. No Museu Judaico, em S&atilde;o Paulo, a exposi&ccedil;&atilde;o, que fica em cartaz at&eacute; novembro, traz uma retrospectiva da obra do artista que, para al&eacute;m do registro fotogr&aacute;fico, costuma fazer interven&ccedil;&otilde;es nas fotos, ora escrevendo, ora desenhando. Um dos eixos da mostra tem como foco as diversas ditaduras na Am&eacute;rica Latina, nos anos 1960. Em uma das interven&ccedil;&otilde;es, ele pinta as m&atilde;os dadas de Leila Diniz, Odete Lara, Normal Bengell e outras atrizes em uma foto de arquivo sobre as mobiliza&ccedil;&otilde;es estudantis contra a ditatura, em 1968, no Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais do que a contempla&ccedil;&atilde;o, o conjunto da exposi&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e uma reflex&atilde;o sobre mem&oacute;ria, viol&ecirc;ncia e resist&ecirc;ncia. A arte aqui se coloca como um caminho para quebrar o paradigma de uma narrativa &uacute;nica e monumental para a Am&eacute;rica Latina. Um caminho para abandonar uma narrativa linear, homog&ecirc;nea, calcada em um punhado de her&oacute;is, sempre brancos, sempre homens e construir novas identidades, a partir de mem&oacute;rias coletivas, como ensinou o soci&oacute;logo franc&ecirc;s Maurice Halbwachs. O dispositivo est&eacute;tico tem um papel fundamental na divis&atilde;o da sociedade entre elites dominadoras e subalternizados, explica o curador da mostra, M&aacute;rcio Seligmann-Silva, pois produz imagens que justamente sustentam os quadros de mem&oacute;ria conservadores. N&atilde;o existe, portanto, um salto para fora da colonialidade e sua terr&iacute;vel continuidade sem uma revolu&ccedil;&atilde;o no campo cultural das imagens. &ldquo;A arte &eacute; coisa ser&iacute;ssima. N&atilde;o por acaso todos os regimes autorit&aacute;rios a censuram. Basta lembrar da balburdia negacionista racista que marcou a Funda&ccedil;&atilde;o Cultural palmares entre 2019-2022, numa verdadeira tentativa de apagar a cultura afrodescendente no Brasil&rdquo;, aponta o professor titular de Teoria Liter&aacute;ria na Unicamp.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&quot;A arte &eacute; coisa ser&iacute;ssima. N&atilde;o por acaso todos os regimes autorit&aacute;rios a censuram.&quot;</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apagamentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&quot;Depois chegaram os chamados brancos, com a cruz e o arcabuz (...). J&aacute; chegam sabendo mais do que nós, sobre o que querem de nós&quot;</i>, escreveu o poeta Tiago de Mello (1953) &#91;1&#93;. A gesta&ccedil;&atilde;o da Modernidade dependeu de col&ocirc;nias e de povos colonizados. No caso das Am&eacute;ricas, que t&ecirc;m na diversidade um conceito-chave, as centenas de povos que aqui viviam – incas, <i>calchaqu&iacute;es, tzotziles, olmecas</i>, maias, guaranis, tupis etc. foram chamados de &iacute;ndios, uma palavra que n&atilde;o existia na regi&atilde;o. &quot;Se nos documentos históricos europeus eles foram chamados de &iacute;ndios ou negros da terra, em suas próprias l&iacute;nguas n&atilde;o existe nenhuma palavra para se referir a todos os povos que viviam nas Am&eacute;ricas&quot;, escreveu o arqueólogo e historiador da Unicamp, Pedro Paulo Funari, no artigo &quot;Am&eacute;rica Latina antiga, patrim&ocirc;nio arqueológico ind&iacute;gena e sua import&acirc;ncia para a convivialidade&quot;, publicado no livro &quot;Arte e arqueologia da Am&eacute;rica Ind&iacute;gena&quot; (Editora da Unicamp, 2022).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de coloniza&ccedil;&atilde;o se d&aacute; pela imposi&ccedil;&atilde;o de um tipo de pensamento europeu &agrave;s demais culturas do mundo. &ldquo;Nesse processo, milhares de l&iacute;nguas, c&oacute;digos de conduta, modelos de est&eacute;tica, narrativas, hist&oacute;rias e h&aacute;bitos multicenten&aacute;rios foram sendo apagados. Para al&eacute;m de uma mera terminologia ou de uma refer&ecirc;ncia geogr&aacute;fica, a pr&oacute;pria g&ecirc;nese do termo Am&eacute;rica Latina, que se d&aacute; em meados do s&eacute;culo XIX, deve ser alvo de reflex&atilde;o. Em seu livro &ldquo;<i>La idea de Am&eacute;rica Latina</i>&rdquo;, Walter Mignolo &#91;2&#93;, semi&oacute;logo argentino e professor de literatura na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e um dos principais te&oacute;ricos decoloniais, explica que:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&quot;em meados do s&eacute;culo XIX, a ideia da Am&eacute;rica como um todo come&ccedil;ou a se dividir, n&atilde;o de acordo com os estados-na&ccedil;&atilde;o que surgiam, mas segundo as diferentes histórias imperiais do Hemisf&eacute;rio Ocidental, o que resultou na configura&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica sax&atilde;, ao norte, e da Am&eacute;rica Latina, ao sul. Naquele momento, &quot;Am&eacute;rica Latina&quot; foi o termo escolhido para nomear a restaura&ccedil;&atilde;o da &quot;civiliza&ccedil;&atilde;o&quot; da Europa meridional, católica e latina, na Am&eacute;rica do Sul e, simultaneamente, reproduzir as aus&ecirc;ncias (dos ind&iacute;genas e dos africanos) do primeiro per&iacute;odo colonial. &#91;...&#93; A &quot;ideia&quot; de Am&eacute;rica Latina &eacute; a triste celebra&ccedil;&atilde;o, por parte das elites crioulas, de sua inclus&atilde;o nos tempos modernos, quando, na realidade, elas submergiam cada vez mais na lógica da colonialidade&quot; &#91;2&#93;.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&quot;Nós despertamos para este fato &quot;tarde demais&quot;, infelizmente. Mas ainda temos muito a fazer para impedir que esse processo elimine os &uacute;ltimos basti&otilde;es da megadiversidade, como &eacute; o caso das popula&ccedil;&otilde;es amer&iacute;ndias, com suas l&iacute;nguas, seus saberes e t&eacute;cnicas que podem nos ajudar a sobreviver às mazelas do modelo monol&iacute;ngue ocidental&quot;, defende Seligmann-Silva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Identidades plurais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda na d&eacute;cada de 1960, diversos artistas latino-americanos assumiram para si a tarefa de problematizar a ideia de Am&eacute;rica Latina e, ao mesmo tempo, refletir sobre o efetivo lugar ocupado por essa regi&atilde;o no mundo. Uma das representa&ccedil;&otilde;es mais conhecidas &eacute; o desenho &ldquo;<i>El Norte es el Sur</i>&rdquo;, do artista uruguaio Torres Garc&iacute;a, de 1935, no qual ele opera uma invers&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o do mapa do continente sul-americano. Conforme explica a professora Maria de F&aacute;tima Morethy Couto, do Instituto de Artes da Unicamp, o desenho deve ser entendido como um gesto simb&oacute;lico, que acabou por se converter em poderoso instrumento de afirma&ccedil;&atilde;o de identidade cultural. &ldquo;Com ele, Torres Garc&iacute;a n&atilde;o apenas transgrediu a cartografia cl&aacute;ssica, revelando que o planeta &eacute; estruturado por complexas rela&ccedil;&otilde;es de poder, como tamb&eacute;m exp&ocirc;s a necessidade de trilharmos caminhos pr&oacute;prios, aut&ocirc;nomos&rdquo;, escreveu em seu artigo &ldquo;Para al&eacute;m das representa&ccedil;&otilde;es convencionais: a ideia de arte latino-americana em debate&rdquo; <a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup>. Para ela, &eacute; poss&iacute;vel ter uma arte que conteste essas narrativas pautadas por outros interesses e assuntos e que, muitas vezes, querem empregar conceitos que n&atilde;o nos servem de modo mais amplo. Um exemplo &eacute; a ideia de uma arte universal, de uma est&eacute;tica regulada por quest&otilde;es ocidentais, que desconsidere por exemplo, no nosso caso, a produ&ccedil;&atilde;o de artistas afro diasp&oacute;ricos, ou artistas ind&iacute;genas, ou que possam dar visibilidade a temas que dizem respeito &agrave; nossa regi&atilde;o ou a fatos que nos marcaram, como, por exemplo, a Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana e as ditaduras &ndash; tema que comp&otilde;e a mostra de Marcelo Brodsky no Museu Judaico (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abandonar o paradigma de uma identidade latino-americana abre in&uacute;meras possiblidades de cria&ccedil;&atilde;o e de contribui&ccedil;&otilde;es, a partir dos pa&iacute;ses que formam esta entidade geogr&aacute;fica. &ldquo;No campo das artes, h&aacute; muitas iniciativas para aproximar esses pa&iacute;ses, muitas curadorias que tratam, por exemplo e sobretudo em arte contempor&acirc;nea, de um tipo de arte conceitual voltada a refletir sobre quest&otilde;es pol&iacute;ticas&rdquo;, explica F&aacute;tima Couto. Ela se lembra de importante acervo mantido pelo Museu de Arte Contempor&acirc;nea da Universidade de S&atilde;o Paulo (MAC-USP). Existe ainda uma iniciativa do Centro Internacional para as artes das Am&eacute;ricas (ICAA), do Museu de Belas Artes de Houston (Estados Unidos), que criou e disponibilizou uma plataforma de documenta&ccedil;&atilde;o de arte latina e latino-americana do s&eacute;culo XX. Lan&ccedil;ado pela primeira vez em 2002, o projeto &eacute; uma iniciativa dedicada &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o e &agrave; publica&ccedil;&atilde;o de materiais de fonte prim&aacute;ria e textos cr&iacute;ticos. De acesso aberto, a plataforma tem mais de oito mil documentos de arte dos s&eacute;culos XX e XXI na Am&eacute;rica Latina, no Caribe e entre as comunidades latinas dos Estados Unidos. &ldquo;A arte &eacute; respons&aacute;vel por criar espa&ccedil;os de converg&ecirc;ncia e esse espa&ccedil;o n&atilde;o precisa ser consensual, ao contr&aacute;rio, pode expressar opini&otilde;es opostas, estimulando debates e gerando provoca&ccedil;&otilde;es&rdquo;, complementou. Para a pesquisadora da Unicamp, as artes s&atilde;o essenciais para refletir sobre localidades determinadas, com hist&oacute;rias espec&iacute;ficas, para pensar em nossa pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o humana (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Arte e testemunho</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A arte e a cultura podem ser instrumentos de combate ao autoritarismo e de defesa dos direitos humanos. Como isso se d&aacute;? Para M&aacute;rcio Seligmann-Silva, a palavra-chave aqui seria criar uma cultura do testemunho. &ldquo;Refiro-me a uma cultura que se abrisse para as diversas narrativas, para diversas l&iacute;nguas e hist&oacute;rias, para al&eacute;m dos textos can&ocirc;nicos que t&ecirc;m servido de muro e barragem a essas outras narrativas. Construir uma hist&oacute;ria cr&iacute;tica implica nessa abertura a outras vozes e nos levaria a escovar nossa hist&oacute;ria a contrapelo&rdquo;, afirma. Segundo ele, &eacute; importante permitir que hist&oacute;rias locais e pesquisas que extrapolem as fronteiras nacionais ajudem a desconstruir hist&oacute;rias nacionalistas e voltadas para o enaltecimento de um suposto &ldquo;povo&rdquo; homog&ecirc;neo com uma suposta hist&oacute;ria &uacute;nica de suposto triunfo e progresso. &ldquo;Na verdade, do ponto de vista das popula&ccedil;&otilde;es espezinhadas por esse longo processo da Modernidade, o progresso &eacute; a cat&aacute;strofe e a cat&aacute;strofe &eacute; o progresso&rdquo;, complementou.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Andrea Califano, professor do programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais (PPGRI) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), n&oacute;s precisamos de uma defesa que esteja baseada nas especificidades hist&oacute;ricas e culturais da regi&atilde;o &ndash; o que inclui as linguagens e as express&otilde;es art&iacute;sticas. &ldquo;&Eacute; uma defesa dos direitos humanos que passa pelo reconhecimento dos sujeitos hist&oacute;ricos que foram brutalmente subjugados no processo de constitui&ccedil;&atilde;o dos estados nacionais dependentes dos centros do sistema capitalista mundial. E isso &eacute; um processo hist&oacute;rico t&iacute;pico de todos os pa&iacute;ses da regi&atilde;o&rdquo;, pontua.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>&ldquo;&Eacute; uma defesa dos direitos humanos que passa pelo reconhecimento dos sujeitos hist&oacute;ricos que foram brutalmente subjugados no processo de constitui&ccedil;&atilde;o dos estados nacionais dependentes dos centros do sistema capitalista mundial.&rdquo;</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cultura do testemunho abre caminhos para o que Seligmann chama de arte testemunhal, na qual n&atilde;o h&aacute; uma separa&ccedil;&atilde;o entre o artista, a constru&ccedil;&atilde;o de sua subjetividade e a de suas obras. Em artigo publicado no &ldquo;Suplemento de Pernambuco&rdquo; <a name="2a"></a><sup>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93;</sup>, o autor explica que o corpo do artista &eacute; mobilizado no fazer art&iacute;stico. Nesse novo contexto das artes e da literatura, tornou-se necess&aacute;ria a rela&ccedil;&atilde;o entre a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e a identidade &eacute;tnica racial, sobretudo quando se tratava de um artista com origem afro. A obra de Carolina Maria de Jesus n&atilde;o poderia ser compreendida sem se pensar em seu elemento testemunhal. A obra de Concei&ccedil;&atilde;o Evaristo e sua &ldquo;escreviv&ecirc;ncia&rdquo; tamb&eacute;m expressa essa virada. O testemunho nessas escritoras faz com que s&eacute;culos de literatura pensada como produtos de g&ecirc;nios (na maioria homens brancos), que manteriam uma rela&ccedil;&atilde;o de dist&acirc;ncia com seu estrato hist&oacute;rico, sejam abalados e revistos. As no&ccedil;&otilde;es de literatura e de artes s&atilde;o redelineadas a partir dessa virada testemunhal. Essas autoras fazem com que, finalmente, compreendamos que tamb&eacute;m aqueles autores do c&acirc;none tradicional testemunhavam: eles eram testemunhas de culturas machistas e coloniais (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v75n3/img/a12fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo M&aacute;rcio Seligmann-Silva, o testemunho constitui uma for&ccedil;a propulsora de contra imagens e agencia um encontro &ldquo;face a face&rdquo; com aquele que porta hist&oacute;rias e experi&ecirc;ncias que, ao serem compartilhadas, promovem uma identifica&ccedil;&atilde;o positiva. &ldquo;No Brasil, seria muito importante se nossos alunos estudassem a hist&oacute;ria dos povos amer&iacute;ndios e dos povos vindos da &Aacute;frica e de seus desdobramentos no Brasil, primeiro como escravizados, depois como uma popula&ccedil;&atilde;o que luta pela sobreviv&ecirc;ncia em meio a uma cultura estruturalmente racista. Para al&eacute;m desse estudo hist&oacute;rico, seria genial se, em nossas escolas, os alunos pudessem optar por estudar l&iacute;nguas amer&iacute;ndias. Assim como nas escolas ind&iacute;genas o ensino &eacute; bil&iacute;ngue, ou multil&iacute;ngue, o mesmo poderia acontecer no Brasil com a introdu&ccedil;&atilde;o de l&iacute;nguas ind&iacute;genas em nosso curr&iacute;culo. Isso promoveria uma mudan&ccedil;a na nossa rela&ccedil;&atilde;o com nossas hist&oacute;rias de opress&atilde;o e viol&ecirc;ncia contra os ind&iacute;genas e a abertura para uma constru&ccedil;&atilde;o de outras identidades transversais e dial&oacute;gicas&rdquo;. Ele se lembra de que s&atilde;o justamente os saberes amer&iacute;ndios, por exemplo, que impedem hoje que a Amaz&ocirc;nia se transforme em deserto. O mesmo vale para saberes quilombolas e se repete em outros pa&iacute;ses das Am&eacute;ricas, na &Aacute;frica ou na &Aacute;sia, onde vozes at&eacute; h&aacute; pouco amorda&ccedil;adas se manifestam e ganham espa&ccedil;o nas sociedades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; 	COUTO, M. de F. M. Para al&eacute;m das representa&ccedil;&otilde;es convencionais: a ideia de arte latino-americana em debate. P&oacute;s: Revista do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Artes - EBA/UFMG, Belo Horizonte, v. 7, n. 13, mai./ out. 2017.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2b"></a>&#91;<a href="#2a">ii</a>&#93; SELIGMANN-SILVA, M. O testemunho hist&oacute;rico como fundamento &eacute;tico da arte. Suplemento Pernambuco, Recife, n. 210, ago. 2023.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. MELLO, T. 1953.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. MIGNOLO, W.    </font></p>     ]]></body>
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