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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Cem anos do nascimento de C&eacute;sar Lattes e a organiza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Antonio Augusto Passos Videira<sup>I</sup>; Ildeu de Castro Moreira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), al&eacute;m de professor no Programa de Ensino e Hist&oacute;ria da Matem&aacute;tica (UFRJ), professor convidado no Instituo de Biof&iacute;sica (UFRJ) e pesquisador colaborador no Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF)    <br>   <sup>II</sup>Professor do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Recebeu o Pr&ecirc;mio Jos&eacute; Reis de Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica do CNPq, em 2013. &Eacute; presidente de honra da SBPC, membro do Conselho Editorial de Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A participa&ccedil;&atilde;o decisiva em duas experi&ecirc;ncias diferentes entre os anos de 1946 e 1948, ambas relacionadas &agrave; exist&ecirc;ncia da mesma part&iacute;cula elementar (o m&eacute;son pi, ou p&iacute;on), transformaram, para sempre, a vida de um jovem f&iacute;sico brasileiro com apenas 23 anos. Ele nascera em 11 de julho de 1924, na cidade de Curitiba (PR), e se formara em F&iacute;sica, com 19 anos na USP, tendo como mestres Gleb Wataghin e Giuseppe Occhialini. Em pouco tempo, e ainda no in&iacute;cio da sua carreira, C&eacute;sar Lattes viu-se catapultado ao pante&atilde;o da fama. Este acontecimento foi um divisor de &aacute;guas e teria um papel essencial na organiza&ccedil;&atilde;o e no desenvolvimento da pesquisa cient&iacute;fica no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1946/47, foi feita a descoberta da exist&ecirc;ncia do m&eacute;son Pi (p&iacute;on), com a confirma&ccedil;&atilde;o experimental feita a partir da an&aacute;lise de emuls&otilde;es nucleares expostas aos raios c&oacute;smicos por Occhialini (Pic du Midi, Fran&ccedil;a) e por Lattes (Chacaltaya, Bol&iacute;via). Nesse per&iacute;odo, Lattes trabalhava no grupo de Bristol (Reino Unido), para onde havia sido levado por Occhialini. O resultado principal foi divulgado pela revista <i>Nature</i>, em 1947, em artigo assinado por C&eacute;sar Lattes, Hugh Muirhead, Giuseppe Occhialini e Cecil Powell. Era a comprova&ccedil;&atilde;o de uma hip&oacute;tese feita, anos antes, pelo f&iacute;sico japon&ecirc;s Hideki Yukawa, de que a coes&atilde;o do n&uacute;cleo at&ocirc;mico era devida &agrave; troca de uma part&iacute;cula, ent&atilde;o desconhecida, entre pr&oacute;tons e n&ecirc;utrons. Esse feito coletivo levaria &agrave; atribui&ccedil;&atilde;o do Pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica, em 1950, a Cecil Powell, chefe do grupo de pesquisa de Bristol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro trabalho not&aacute;vel de Lattes, no ano seguinte, foi a confirma&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia do p&iacute;on no c&iacute;clotron, constru&iacute;do por Ernest Lawrence e colaboradores na Calif&oacute;rnia (EUA), para a qual Lattes contribuiu decisivamente, com Eugene Gardner. Tais descobertas contribu&iacute;ram para o desenvolvimento da f&iacute;sica de part&iacute;culas elementares e de altas energias. A divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos por Lattes e seus companheiros, pela sua import&acirc;ncia para a ci&ecirc;ncia, correu o mundo e eles foram amplamente difundidos pela m&iacute;dia no Brasil. Em um momento em que a f&iacute;sica nuclear adquirira enorme destaque, logo depois da constru&ccedil;&atilde;o e do uso catastr&oacute;fico das primeiras bombas at&ocirc;micas, Lattes exemplificava o talento brasileiro no dom&iacute;nio da ci&ecirc;ncia e do nuclear. O impacto foi tal que ele chegou a ser chamado de "nosso her&oacute;i nuclear."</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos por Lattes e seus companheiros, pela sua import&acirc;ncia para a ci&ecirc;ncia, correu o mundo e eles foram amplamente difundidos pela m&iacute;dia no Brasil."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de convites de v&aacute;rias universidades do exterior, com laborat&oacute;rios e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho adequadas, Lattes optou por retornar ao Brasil. Estava convencido de que a ci&ecirc;ncia era algo que os governos nacionais deveriam obrigatoriamente se preocupar e apoiar. Tinha como parceiros e companheiros de batalha cientistas como Jos&eacute; Leite Lopes, Jayme Tiomno, Elisa Frota-Pess&ocirc;a, M&aacute;rio Schenberg, Gleb Wataghin, Marcelo Damy, Bernhard Gross, Costa Ribeiro, &Aacute;lvaro Alberto, Francisco Xavier Roser e outros mais. No contexto desenvolvimentista da &eacute;poca, que englobava v&aacute;rios setores da sociedade brasileira, Lattes e seus companheiros arrega&ccedil;aram as mangas e foram atr&aacute;s de apoio para a institucionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, para que ela deixasse de ser algo fr&aacute;gil, fugaz e d&eacute;bil no Brasil. A primeira grande conquista, j&aacute; em 1949, foi a cria&ccedil;&atilde;o do Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF), fruto de uma alian&ccedil;a entre cientistas e setores militares e empresariais progressistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outros avan&ccedil;os importantes se seguiram. Ainda que Lattes e seus companheiros nem sempre tenham sido bem-sucedidos em seus sonhos e projetos para o pa&iacute;s, &eacute; ineg&aacute;vel que mudaram a ci&ecirc;ncia brasileira. A organiza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia brasileira e as primeiras iniciativas de uma pol&iacute;tica cient&iacute;fica nacional, com a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes) e, posteriormente, da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp) - e de outras FAPs - e do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (MCTI) s&atilde;o resultados dos esfor&ccedil;os de um conjunto de pessoas, de setores sociais e das entidades cient&iacute;ficas que j&aacute; haviam sido criadas, como a Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC). Lattes se dedicaria tamb&eacute;m, nos anos seguintes, ao lado de v&aacute;rios colegas, a estimular a coopera&ccedil;&atilde;o internacional em sua &aacute;rea de pesquisa, o que levou &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rio no monte Chacaltaya e a uma longa e relevante coopera&ccedil;&atilde;o com cientistas japoneses. Sempre valorizando a f&iacute;sica experimental, ele se dedicaria tamb&eacute;m, nas d&eacute;cadas seguintes, a formar grupos de pesquisa no pa&iacute;s, como na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para se compreender a import&acirc;ncia do trabalho de C&eacute;sar Lattes, &eacute; preciosa a avalia&ccedil;&atilde;o de seu amigo e parceiro de muitos anos e de lutas pela ci&ecirc;ncia brasileira, Jos&eacute; Leite Lopes: "O trabalho dele mostrou que era poss&iacute;vel um jovem brasileiro fazer uma descoberta importante na f&iacute;sica universal. Isso teve um grande impacto na Am&eacute;rica Latina. Pa&iacute;ses como Argentina, Peru e Bol&iacute;via ficaram entusiasmados e, tamb&eacute;m, avan&ccedil;aram em suas pesquisas. Ele tamb&eacute;m mostrou que era poss&iacute;vel a um pa&iacute;s do Terceiro Mundo e da Am&eacute;rica Latina fazer pesquisa de qualidade mesmo em condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&atilde;o favor&aacute;veis quanto as dos pa&iacute;ses do Primeiro Mundo."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Leite Lopes, o estudo da F&iacute;sica no Brasil se alterou muito depois de C&eacute;sar Lattes: "Mudou muita coisa. Foram criados v&aacute;rios institutos de pesquisa e a ci&ecirc;ncia ganhou um impulso importante. Os f&iacute;sicos brasileiros ficaram entusiasmados com o trabalho do Lattes no exterior. Ele foi um divisor de &aacute;guas. Depois da cria&ccedil;&atilde;o do CBPF, outros institutos foram criados para fazer pesquisa em F&iacute;sica. Em Pernambuco, S&atilde;o Paulo, Rio Grande do Sul, Belo Horizonte. Tamb&eacute;m houve um impacto importante no pr&oacute;prio governo. O almirante &Aacute;lvaro Alberto disse que era importante criar um conselho nacional de pesquisa. A proposta foi aprovada, dando origem, em 1951, ao CNPq. O Lattes fez parte da comiss&atilde;o que escreveu o projeto."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; interessante registrar a conex&atilde;o profunda entre a ascens&atilde;o cient&iacute;fica de Lattes e o surgimento da SBPC. H&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o entre a cria&ccedil;&atilde;o da sociedade e a movimenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica criada pelas descobertas de Lattes e colegas, que foram amplamente divulgadas na m&iacute;dia brasileira, a partir de fevereiro de 1948. N&atilde;o &eacute; coincid&ecirc;ncia, portanto, que a SBPC tenha sido criada em julho de 1948, no per&iacute;odo em que a fama e o prest&iacute;gio de Lattes explodira nas m&iacute;dias e galvanizara o pa&iacute;s, o que favoreceu e estimulou os cientistas a se organizarem para lutar pela ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o por acaso, o primeiro editorial desta revista da SBPC, Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura &#91;v. I, n. 1-2, p. 44, 1949&#93;, teve por t&iacute;tulo "<i>Organiza&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia no Brasil</i>" e estava todo escorado em uma entrevista de Lattes, dada em sua visita ao Rio de Janeiro, com "declara&ccedil;&otilde;es de grande atualidade". Alguns trechos da entrevista de Lattes foram destacados no editorial da revista:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O essencial no Brasil &eacute; organizar laborat&oacute;rios onde os nossos cientistas possam trabalhar. Assim, formaremos um ambiente prop&iacute;cio &agrave;s pesquisas cient&iacute;ficas no pa&iacute;s e poderemos convocar t&eacute;cnicos estrangeiros que nos ministrem ensinamentos. &#91;...&#93; Nos Estados Unidos, na Inglaterra, em todos os pa&iacute;ses adiantados, tanto o governo como as entidades privadas interessam-se profundamente pelo desenvolvimento das pesquisas. Dos laborat&oacute;rios, em grande parte, chegam as solu&ccedil;&otilde;es para os grandes problemas da atualidade, o bem-estar presente e futuro. &#91;...&#93; Os nossos cientistas encontram grandes dificuldades para se entregarem &agrave;s pesquisas, n&atilde;o s&oacute; pela falta de laborat&oacute;rios, como por n&atilde;o perceberem o suficiente para viver. &#91;...&#93; Vejam o que aconteceu nos EUA: os grandes cientistas europeus foram atra&iacute;dos ao pa&iacute;s e hoje ensinam nas universidades. &#91;...&#93; Precisamos fazer o mesmo. O governo, por sua vez, deveria fornecer bolsas de estudos aos melhores estudantes brasileiros a fim de que, sob nosso patroc&iacute;nio, pudessem estudar nas universidades norte-americanas. &#91;...&#93; O Centro Nacional de Pesquisas Cient&iacute;ficas, ora em organiza&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; de grande import&acirc;ncia para o desenvolvimento cient&iacute;fico do Brasil.</font></p> </blockquote>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Apesar de convites de v&aacute;rias universidades do exterior, com laborat&oacute;rios e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho adequadas, Lattes optou por retornar ao Brasil."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em dezembro de 1948, a SBPC iniciou uma s&eacute;rie de palestras sobre f&iacute;sica nuclear. Na segunda confer&ecirc;ncia da s&eacute;rie, C&eacute;sar Lattes falou sobre "<i>M&eacute;sons e sua produ&ccedil;&atilde;o artificial</i>". Ele discorreu sobre seus importantes trabalhos, em colabora&ccedil;&atilde;o com Gardner, que resultaram na produ&ccedil;&atilde;o artificial dos p&iacute;ons. C&eacute;sar Lattes foi apresentado por Wataghin a um p&uacute;blico que lotava completamente o sal&atilde;o da Faculdade de Direito de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este n&uacute;mero especial da <b>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</b>, destinado a comemorar o centen&aacute;rio de Lattes, constitui uma homenagem da SBPC a ele e a seu legado. Mas &eacute; mais do que isso. Pretende tamb&eacute;m colaborar para o resgate de um per&iacute;odo importante da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia brasileira. Nele, est&atilde;o contidos artigos, <i>podcasts</i> e v&iacute;deos de historiadores da ci&ecirc;ncia, conhecedores da obra de Lattes e especialistas naquele per&iacute;odo da ci&ecirc;ncia brasileira, depoimentos pessoais de colaboradores de Lattes, textos jornal&iacute;sticos e outros materiais e refer&ecirc;ncias sobre Lattes, sua vida e sua obra.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Ainda que Lattes e seus companheiros nem sempre tenham sido bem-sucedidos em seus sonhos e projetos para o pa&iacute;s, &eacute; ineg&aacute;vel que mudaram a ci&ecirc;ncia brasileira."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lattes foi um dos cientistas mais conhecidos e venerados pelos brasileiros. Pesquisas recentes mostram que ainda &eacute; conhecido por uma parcela de seus conterr&acirc;neos, mas ela se reduz com o tempo. &Eacute; necess&aacute;rio que se fa&ccedil;a um resgate permanente de Lattes e de muitos outros cientistas brasileiros, como &eacute; o caso de Johanna D&ouml;bereiner, bem como de nossas institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa. Em 2018, um selo conjunto de C&eacute;sar Lattes e Johanna D&ouml;bereiner foi emitido pelos Correios. Seria importante que a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia no Brasil fosse tamb&eacute;m abordada, em alguma medida, na escola b&aacute;sica e nas universidades. Um pa&iacute;s com forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica deficiente e com desconhecimento grande da ci&ecirc;ncia que foi e que &eacute; aqui praticada pode favorecer atitudes negacionistas e a antici&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as frases preferidas de Lattes, que dizia ter sido "arrastado pela hist&oacute;ria", temos a seguinte, que ele atribu&iacute;a a Rabelais: "Ci&ecirc;ncia sem consci&ecirc;ncia &eacute; a ru&iacute;na da alma". No final de uma entrevista &agrave; revista Ci&ecirc;ncia Hoje, criada pela SBPC, deixou como recado para todos n&oacute;s a frase de Salom&atilde;o no Livro da Sabedoria: "A sabedoria n&atilde;o entra de jeito nenhum na alma malvada". E completou: "Acho que est&aacute; a&iacute; a distin&ccedil;&atilde;o entre sabedoria e ci&ecirc;ncia. A sabedoria realmente n&atilde;o entra na alma malvada, mas a ci&ecirc;ncia sim.."</font></p>      ]]></body>
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