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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[César Lattes: a Colaboração Brasil-Japão e a Física de partículas elementares]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C&eacute;sar Lattes: a Colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o e a F&iacute;sica de part&iacute;culas elementares</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Antonio Augusto Passos Videira<sup>I</sup>; Karin Fornazier Guimar&atilde;es<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), al&eacute;m de professor no Programa de Ensino e Hist&oacute;ria da Matem&aacute;tica (UFRJ), professor convidado no Instituo de Biof&iacute;sica (UFRJ) e pesquisador colaborador no Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF)    <br>   <sup>II</sup>P&oacute;s-doc no Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) na &aacute;rea de Cosmologia e neutrinos massivos. Participa ativamente junto ao experimento MeerKAT (An&aacute;lise de dados, Separa&ccedil;&atilde;o de componentes, RFI), &eacute; colaboradora do CosmoGlobe (Universidade de Oslo) e desenvolve estudos sobre a Hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o (CBJ), uma das mais longevas coopera&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas j&aacute; mantidas pela F&iacute;sica brasileira, foi uma importante contribui&ccedil;&atilde;o dada por C&eacute;sar Lattes. Criada a partir de conversas informais mantidas entre o f&iacute;sico brasileiro Giuseppe Ochiallini e Hideki Yukawa, ela deveria estudar o comportamento da mat&eacute;ria em n&iacute;veis energ&eacute;ticos e de densidade extremamente elevados, a fim de que fosse poss&iacute;vel determinar as leis respons&aacute;veis pelo surgimento de novas part&iacute;culas elementares. Fato interessante e pouco conhecido ainda hoje &eacute; que a CBJ n&atilde;o era motivada apenas por quest&otilde;es cient&iacute;ficas. Entre os cientistas japoneses havia uma motiva&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica expl&iacute;cita e favor&aacute;vel &agrave; dial&eacute;tica marxista, &agrave; qual permaneceu indiferente aos colegas brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> C&eacute;sar Lattes; Colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o, F&iacute;sica; F&iacute;sica de part&iacute;culas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As bolas de fogo e a produ&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas &aacute;reas da f&iacute;sica nuclear e de part&iacute;culas elementares, o termo <i>fireball</i> (bolas de fogo, em portugu&ecirc;s) alude a uma regi&atilde;o energ&eacute;tica e densa, gerada em eventos nucleares espec&iacute;ficos, notadamente em colis&otilde;es de &iacute;ons pesados relativ&iacute;sticos. Esse termo &eacute; recorrentemente adotado para caracterizar os estados iniciais (e ef&ecirc;meros) de energia e de densidade extremas, assumidos pela mat&eacute;ria, durante tais colis&otilde;es. Nessas colis&otilde;es, percebe-se a libera&ccedil;&atilde;o significativa de energia, culminando na instaura&ccedil;&atilde;o de um estado de mat&eacute;ria delineado como uma "bola de fogo", em virtude das temperaturas e das densidades muito altas. As condi&ccedil;&otilde;es atingem extremos tais que pr&oacute;tons e n&ecirc;utrons, constituintes normais dos n&uacute;cleos at&ocirc;micos, podem reunir-se de maneira tempor&aacute;ria, propiciando a forma&ccedil;&atilde;o de um estado de mat&eacute;ria aquecida e altamente excitada, conhecido (atualmente) como plasma de quarks e gl&uacute;ons.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa em F&iacute;sica nuclear de altas energias (outra denomina&ccedil;&atilde;o para F&iacute;sica de part&iacute;culas elementares), em especial aquela realizada nos experimentos conduzidos em aceleradores de part&iacute;culas, como no Grande Colisor de H&aacute;drons (<i>Large Hadron Collisor</i>, ou simplesmente LHC) no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN, no original em franc&ecirc;s), prop&otilde;e-se a investigar e entender esse estado da mat&eacute;ria em condi&ccedil;&otilde;es extremas, de modo a aperfei&ccedil;oar a compreens&atilde;o das propriedades fundamentais da mat&eacute;ria e das transi&ccedil;&otilde;es de fase que se desdobram em n&iacute;veis energ&eacute;ticos elevados. A an&aacute;lise da "bola de fogo" figura como elemento essencial nessas investiga&ccedil;&otilde;es, que buscam decifrar os prim&oacute;rdios do Universo e os fen&ocirc;menos extremos associados &agrave;s colis&otilde;es de part&iacute;culas elementares (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A mat&eacute;ria n&atilde;o seria, portanto, uma subst&acirc;ncia est&aacute;tica; seria energia din&acirc;mica e condensada."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo "bolas de fogo" parece ter surgido de forma espont&acirc;nea ao longo do tempo, &agrave; medida que os cientistas come&ccedil;aram a descrever esses estados na tentativa de explicar a profus&atilde;o de part&iacute;culas que emergiam dessas colis&otilde;es, violando, aparentemente, o princ&iacute;pio de conserva&ccedil;&atilde;o de momento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa regi&atilde;o altamente energ&eacute;tica e densa de part&iacute;culas &eacute; chamada de "bola de fogo", porque as part&iacute;culas colidem e se dispersam de tal forma que permitem o surgimento de uma esfera de mat&eacute;ria altamente excitada e quente. O interesse na ideia de <i>fireball</i> pode originar a especula&ccedil;&atilde;o sobre a forma&ccedil;&atilde;o de quarks e gl&uacute;ons, bem como suas propriedades, ou seja, sobre aquela que se imagina ser a estrutura "&uacute;ltima" da mat&eacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo <i>fireball</i> foi, ao que tudo indica, usado pela primeira vez em refer&ecirc;ncia a eventos nucleares. A explos&atilde;o de uma bomba nuclear &eacute; frequentemente descrita como uma bola de fogo, pois a explos&atilde;o inicial cria uma enorme esfera de g&aacute;s ionizado quente que se expande rapidamente. Na F&iacute;sica de part&iacute;culas elementares (aqui n&atilde;o se deve confundir esta &aacute;rea de pesquisa com raios c&oacute;smicos, apesar de ambas se interessarem por fen&ocirc;menos que acontecem a energias muito elevadas), o termo "<i>fireball</i>" come&ccedil;ou a ser usado por essa mesma &eacute;poca, quando os f&iacute;sicos passaram a estudar colis&otilde;es de alta energia entre n&uacute;cleos at&ocirc;micos em aceleradores de part&iacute;culas, existindo men&ccedil;&otilde;es ao termo que remontam aos anos 1950. A partir do momento em que a express&atilde;o "bolas de fogo" come&ccedil;ou a ser usada, ela era compreendida como um est&aacute;gio intermedi&aacute;rio, produzido pelo choque de duas part&iacute;culas elementares, dando origem, por exemplo, a m&eacute;sons. No caso desta "classe" de part&iacute;culas, o estudo dos fen&ocirc;menos associados &agrave;s bolas de fogo seria relevante para determinar a din&acirc;mica que governa a produ&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla de m&eacute;sons, um fen&ocirc;meno que atra&iacute;a a aten&ccedil;&atilde;o dos f&iacute;sicos desde a d&eacute;cada de 1930.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diferentemente da cren&ccedil;a, adotada por cientistas europeus e norte-americanos, que acreditavam na exist&ecirc;ncia de um limite no valor da energia, a partir do qual a natureza seria simples &#91;1&#93;, isto &eacute;, nenhum fen&ocirc;meno novo interessante ocorreria, alguns f&iacute;sicos japoneses se opunham &agrave; exist&ecirc;ncia de um tal valor m&aacute;ximo. Os f&iacute;sicos japoneses (Fujimoto, Taketani, Osada, entre outros), membros da CBJ, acreditavam que a produ&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla de m&eacute;sons seria determinada por um tipo de subst&acirc;ncia diferente das at&eacute; ent&atilde;o conhecidas. Eles recusavam as descri&ccedil;&otilde;es fenomenol&oacute;gicas como correspondendo aos &uacute;ltimos est&aacute;gios na descri&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos nucleares e subnucleares (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a03fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partid&aacute;rios da filosofia proposta por Mituo Taketani, que chegou a ser diretor do Instituto de F&iacute;sica Te&oacute;rica (IFT) justamente na &eacute;poca em que a ideia da CBJ estava sendo proposta (aproximadamente entre os anos de 1958 e 1961), Yoichi Fujimoto e seus colegas defendiam que a causa do processo de cria&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas, tais como m&eacute;sons &pi;, deveria ser substancial, o que corresponderia ao segundo est&aacute;gio no processo de desenvolvimento da ci&ecirc;ncia no esquema filos&oacute;fico proposto por Taketani, claramente inspirado na dial&eacute;tica marxista. A CBJ tamb&eacute;m pode ser vista como um exemplo muito interessante das sempre complexas e ricas intera&ccedil;&otilde;es entre a Filosofia e a F&iacute;sica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>F&iacute;sica de part&iacute;culas elementares e Filosofia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">F&iacute;sico te&oacute;rico de forma&ccedil;&atilde;o e atua&ccedil;&atilde;o, Taketani, desde a sua juventude, interessava-se por Filosofia, em particular pelo marxismo. At&eacute; o final da sua vida, no ano 2000, Taketani se posicionou em favor da dial&eacute;tica. Inspirado na vers&atilde;o proposta por Hegel, mas adaptada pela dupla Marx e Engels, ele afirmava que a evolu&ccedil;&atilde;o e a transforma&ccedil;&atilde;o da F&iacute;sica ocorreriam necessariamente em tr&ecirc;s est&aacute;gios. O primeiro est&aacute;gio, o fenomenol&oacute;gico, corresponderia &agrave; descri&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos individuais. O segundo, denominado substancialista, estaria relacionado &agrave; determina&ccedil;&atilde;o dos tipos de coisas que constituem objetos, tais como as part&iacute;culas elementares. J&aacute; ao terceiro est&aacute;gio (o essencialista) caberia formular a lei fundamental que determina o comportamento dos objetos segundo as intera&ccedil;&otilde;es que estes &uacute;ltimos mant&ecirc;m entre si.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das motiva&ccedil;&otilde;es de Taketani e colegas era saber como ter seguran&ccedil;a de que as ci&ecirc;ncias progridem. Com a crescente matematiza&ccedil;&atilde;o da F&iacute;sica, isso estava cada vez mais dif&iacute;cil de ser percebido, uma vez que as estruturas matem&aacute;ticas empregadas pelos f&iacute;sicos poderiam ser muito diferentes entre elas, exigindo um trabalho de "tradu&ccedil;&atilde;o" para que se soubesse se elas se referiam aos mesmos fen&ocirc;menos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Taketani gostaria que a F&iacute;sica n&atilde;o ficasse muito dependente da Matem&aacute;tica, uma vez que a F&iacute;sica &eacute; o estudo da natureza como um todo, evitando que modelos matem&aacute;ticos, ainda que complexos e elaborados, fossem tomados como a pr&oacute;pria natureza. Nas palavras de Taketani: "(A) F&iacute;sica desenvolveu-se tanto que o pensamento formal nunca poderia compreend&ecirc;-la. (O pensamento formal) surgiu em consequ&ecirc;ncia da chamada matematiza&ccedil;&atilde;o que insiste que 'equa&ccedil;&atilde;o &eacute; tudo'" &#91;2&#93;. Da&iacute; a import&acirc;ncia que a dial&eacute;tica do Engels tinha para ele, compreendida como favor&aacute;vel &agrave; tese de que existia um mundo externo independente dos seres humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A filosofia do ex-diretor do IFT defendia que nada &eacute; fixo e definitivo. Taketani valorizava a produ&ccedil;&atilde;o de novos fen&ocirc;menos e entidades f&iacute;sicas, como as part&iacute;culas elementares. A experi&ecirc;ncia e o laborat&oacute;rio eram relevantes no processo, raramente linear, de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento. As bases da busca pelos elementos &uacute;ltimos da estrutura da mat&eacute;ria estariam em constante transforma&ccedil;&atilde;o. Uma concep&ccedil;&atilde;o de mundo para a qual a imutabilidade seria necess&aacute;ria estaria sendo substitu&iacute;da por uma concep&ccedil;&atilde;o onde a natureza seria percebida como processo. Ou ainda: uma vis&atilde;o est&aacute;tica de natureza estaria sendo substitu&iacute;da por outra din&acirc;mica. A mat&eacute;ria n&atilde;o seria, portanto, uma subst&acirc;ncia est&aacute;tica; seria energia din&acirc;mica e condensada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em conson&acirc;ncia com essas ideias, a observa&ccedil;&atilde;o seria progressivamente acompanhada pelos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos presentes no laborat&oacute;rio: aquilo que &eacute; observado &eacute; criado por meio da t&eacute;cnica. A natureza n&atilde;o se restringiria apenas aquilo alcan&ccedil;ado pela observa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m por aquilo que decorre da verifica&ccedil;&atilde;o experimental: saber &eacute; prever mais do que ver. O conhecimento seria a&ccedil;&atilde;o efetiva, ou seja, a&ccedil;&atilde;o concretamente realizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; certo que a ci&ecirc;ncia avan&ccedil;a pela cria&ccedil;&atilde;o de novos conceitos, mas &eacute; igualmente correto pensar ser necess&aacute;rio mostrar que esses conceitos s&atilde;o adequados &agrave; descri&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos naturais, ou seja, que eles realmente dizem respeito &agrave; natureza. Da&iacute; toda a relev&acirc;ncia dada por Taketani ao laborat&oacute;rio. Sem a refer&ecirc;ncia &agrave; natureza, esta ci&ecirc;ncia deixaria de fazer sentido, fazendo com que ela adotasse uma atitude solipsista. Taketani preocupava-se em fazer com que a F&iacute;sica n&atilde;o perdesse a capacidade de realizar aut&ecirc;nticas descobertas: descobrir novidades no comportamento e na estrutura da natureza.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Lattes e a Colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais da metade da vida profissional de C&eacute;sar Lattes foi passada no contexto da Colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o (1962- ~2004), da qual ele foi um dos criadores e o l&iacute;der brasileiro desde o seu come&ccedil;o. Lattes defendia a tese de que os objetivos da CBJ eram basicamente os mesmos de Gleb Wataghin, desde quando este estava &agrave; frente no Departamento de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e onde ele se formou em F&iacute;sica aos 19 anos <a name="1a"></a><sup>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93;</sup>.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Saber &eacute; prever mais do que ver."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O in&iacute;cio da CBJ ocorreu ao mesmo tempo em que Lattes estava envolvido em outra colabora&ccedil;&atilde;o internacional, mais abrangente, j&aacute; que envolvia mais pa&iacute;ses: a <i>International Collaboration of Flight Emulsions</i>, tamb&eacute;m conhecida como ICEF. O seu l&iacute;der, &agrave; &eacute;poca, era Marcel Schein, que trabalhava na Universidade de Chicago (EUA), desde o in&iacute;cio da Segunda Guerra Mundial. No entanto, antes mesmo de a ICEF come&ccedil;ar a analisar as suas emuls&otilde;es, Lattes recebeu uma carta de Yukawa, de 16 de abril de 1959, que atuou como um porta-voz de um pequeno grupo de f&iacute;sicos, mais interessados em explorar as caracter&iacute;sticas e facilidades do laborat&oacute;rio de f&iacute;sica c&oacute;smica, sediado em Chacaltaya (Bol&iacute;via) (<a href="#fig3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n1/a03fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A resposta de Lattes, naquela altura, n&atilde;o foi conclusiva. Ele, talvez por ainda estar organizando a sua pr&oacute;pria equipe de colaboradores, preferiu ganhar tempo:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i> "Eu discuti a sua carta com os meus colegas e sentimos que seria sensato adiar a nossa decis&atilde;o sobre o assunto &#91;de criar uma colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em raios c&oacute;smicos envolvendo cientistas dos dois pa&iacute;ses&#93; at&eacute; depois dos Encontros Internacionais sobre Raios C&oacute;smicos e F&iacute;sica de Altas Energias que ter&atilde;o lugar na URSS em julho &#91;de 1959&#93;. Participarei de ambas as reuni&otilde;es e ent&atilde;o entrarei em contato com o Dr. Nishimura. Nosso grupo de emuls&otilde;es est&aacute; ficando em boa forma agora. Temos 14 microsc&oacute;pios de varredura e 2 de espalhamento, 14 scanners, dos quais 8 bastante experientes. Nossas instala&ccedil;&otilde;es de processamento s&atilde;o pequenas: 750 cm2 de 600 &#91;chapas de&#93; emuls&otilde;es por vez. Nosso pessoal cient&iacute;fico: 12 f&iacute;sicos, dos quais apenas tr&ecirc;s (U. Camerini, A. Wataghin e eu) temos experi&ecirc;ncia com f&iacute;sica de altas energias"</i>. <a name="2a"></a><sup>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93;</sup></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lattes e Jun Nishimura, o representante japon&ecirc;s, se encontraram em Moscou tr&ecirc;s meses depois da carta de Yukawa. O encontro entre eles aconteceu durante a 6ª <i>International Cosmic Ray Conference</i> (ICRC), na capital da ent&atilde;o Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Naqueles anos, n&atilde;o era f&aacute;cil para os f&iacute;sicos japoneses participarem das reuni&otilde;es cient&iacute;ficas internacionais: faltava-lhes verba para isso. Para a reuni&atilde;o na antiga capital sovi&eacute;tica, os f&iacute;sicos japoneses conseguiram superar esse obst&aacute;culo e obtiveram recursos financeiros suficientes para custear a viagem de Minoru Oda e Nishimura. A reuni&atilde;o entre este &uacute;ltimo e Lattes n&atilde;o correu conforme o desejado. Eles n&atilde;o se entenderam devido a diferen&ccedil;as culturais e barreiras lingu&iacute;sticas. O impasse somente foi resolvido dois anos mais tarde, quando, durante a 7ª ICRC, no Jap&atilde;o, Lattes, alguns de seus assistentes e Giuseppe Occhialini tiveram outra reuni&atilde;o com o grupo japon&ecirc;s, representado pessoalmente por Yukawa. Anos depois, Lattes descreveu a reuni&atilde;o na capital japonesa com as seguintes palavras:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i> "&#91;...&#93; numa confer&ecirc;ncia internacional de raios c&oacute;smicos no Jap&atilde;o, nos reunimos numa mesa, o Occhialini, o Fujimoto, o professor Taketani, que &eacute; o papa da f&iacute;sica te&oacute;rica japonesa, e arrumamos para fazer a colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o sobre raios c&oacute;smicos, que come&ccedil;ou em 1962 e continua at&eacute; hoje. &Eacute; um acordo que funciona muito bem, mas nada est&aacute; por escrito, nada &eacute; preto no branco. &Eacute; financiado, no Brasil, com verbas do CNPq, da FAPESP, da Comiss&atilde;o de Energia Nuclear. E l&aacute; existem os equivalentes"</i>. <a name="3a"></a><sup>&#91;<a href="#3b">iii</a>&#93;</sup></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo de suas pouco mais de quatro d&eacute;cadas de funcionamento, a CBJ esteve sempre marcada por essa informalidade. Nenhum acordo oficial foi assinado entre os dois pa&iacute;ses de modo a estabelecer as bases oficiais da colabora&ccedil;&atilde;o. Provavelmente, o prest&iacute;gio cient&iacute;fico dos seus l&iacute;deres, entre os quais Yukawa, detentor de um pr&ecirc;mio Nobel (F&iacute;sica, 1949), era considerado garantia suficiente da viabilidade da colabora&ccedil;&atilde;o. O mesmo acontecera com a ICEF. Essa informalidade combinava bem com a personalidade de Lattes, avesso a formalidades burocr&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objetivo da CBJ inicialmente era pesquisar as intera&ccedil;&otilde;es nucleares a partir de valores de energia <b>E &ge; 10<sup>15</sup> e V</b>, ou seja, o foco da colabora&ccedil;&atilde;o estava voltado para energias elevad&iacute;ssimas e que n&atilde;o eram produzidas em laborat&oacute;rio, como ainda hoje n&atilde;o o s&atilde;o. As tarefas da CBJ eram, ent&atilde;o, conduzidas principalmente pelos f&iacute;sicos japoneses, que j&aacute; conheciam as t&eacute;cnicas, desde as observa&ccedil;&otilde;es feitas no monte Norikuma, nos anos 1950. Devido &agrave; inexperi&ecirc;ncia dos membros brasileiros da CBJ, a participa&ccedil;&atilde;o brasileira, ao menos nos est&aacute;gios iniciais da colabora&ccedil;&atilde;o, foi modesta. O Brasil seria respons&aacute;vel pelo fornecimento de chumbo para a constru&ccedil;&atilde;o das c&acirc;maras de emuls&atilde;o a serem instaladas em Chacaltaya. Al&eacute;m do chumbo, seria de responsabilidade da parte brasileira o financiamento da estada e do transporte dos japoneses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto a ICEF como a CBJ recorriam aos raios c&oacute;smicos para tentar descobrir as propriedades dos elementos constituintes do n&uacute;cleo at&ocirc;mico, bem como a din&acirc;mica, isto &eacute;, os processos f&iacute;sicos, subjacentes ao estrato subnuclear da mat&eacute;ria. Em artigo de revis&atilde;o, publicado em 1980, 18 anos ap&oacute;s o in&iacute;cio da CBJ, Fujimoto e Lattes, acompanhados de S. Hasegawa, enfatizaram que, para conhecer a estrutura subnuclear das part&iacute;culas elementares, seria necess&aacute;rio escolher fen&ocirc;menos com energias acima daquelas obtidas pelas "grandes m&aacute;quinas":</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i> "Os grandes aceleradores foram gradualmente desempenhando pap&eacute;is importantes na f&iacute;sica das part&iacute;culas desde a descoberta artificial dos m&eacute;sons pi em 1948 pelo c&iacute;clotron de Berkeley. A busca por n&iacute;veis de energia n&atilde;o alcan&ccedil;ados pelos aceleradores de part&iacute;culas foi uma marca registrada da CBJ. Assim, os experimentos com raios c&oacute;smicos tiveram que focar a aten&ccedil;&atilde;o nos fen&ocirc;menos de energia t&atilde;o alta que n&atilde;o seriam alcan&ccedil;ados pelos aceleradores. Juntamente com as restri&ccedil;&otilde;es naturais inerentes aos raios c&oacute;smicos, escolhemos como tema do experimento da Colabora&ccedil;&atilde;o os fen&ocirc;menos hadr&ocirc;nicos acima de v&aacute;rios TeV. Um fen&ocirc;meno t&iacute;pico desta regi&atilde;o energ&eacute;tica j&aacute; era conhecido: a produ&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla de h&aacute;drons".</i><a name="4a"></a><sup>&#91;<a href="#4b">iv</a>&#93;</sup>.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o, desde o seu in&iacute;cio e at&eacute; o seu t&eacute;rmino j&aacute; nos primeiros anos do s&eacute;culo XXI, sempre atuou em Chacaltaya, de modo a aproveitar as excelentes condi&ccedil;&otilde;es locais para a observa&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos com energias muito elevadas, n&atilde;o alcan&ccedil;&aacute;veis pelos maiores colisores (os aceleradores de part&iacute;culas) existentes, seja nos Estados Unidos, seja na Europa. A natureza boliviana permite o estudo de fen&ocirc;menos, dificilmente observ&aacute;veis em outras regi&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os experimentos montados em Chacaltaya procuravam coletar dados emp&iacute;ricos capazes de fazer com que a F&iacute;sica de part&iacute;culas elementares ultrapassasse o segundo est&aacute;gio ou etapa em que ela se encontrava, segundo a perspectiva filos&oacute;fica de Taketani. Nos termos da maioria dos f&iacute;sicos da &aacute;rea de part&iacute;culas elementares: a etapa fenomenol&oacute;gica; j&aacute; no vocabul&aacute;rio de Taketani e dos membros japoneses da CBJ, o substancialista. Segundo estes &uacute;ltimos, uma descri&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica n&atilde;o representava o progresso almejado, pois n&atilde;o poderia ser considerada uma aut&ecirc;ntica lei cient&iacute;fica. Para a descri&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica poder ser uma lei de fato, era preciso conhecer a din&acirc;mica subjacente aos processos de produ&ccedil;&atilde;o de m&eacute;sons, descritos por conceitos como <i>fireballs</i>. As "bolas de fogo" seriam, portanto, uma etapa intermedi&aacute;ria, funcionando como uma "ponte" entre os fen&ocirc;menos observados e a lei fundamental. Para que o terceiro est&aacute;gio fosse alcan&ccedil;ado, era necess&aacute;rio ter acesso &agrave;s energias fornecidas pelos raios c&oacute;smicos "capturados" na Bol&iacute;via.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A investiga&ccedil;&atilde;o a respeito daquilo que constituiria a natureza n&atilde;o terminaria jamais."</b></styled-content></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os princ&iacute;pios que norteavam a CBJ estabeleciam que a natureza &eacute; din&acirc;mica, o que faria com que - ao menos, em princ&iacute;pio - a ci&ecirc;ncia fosse capaz de apresentar novidades at&eacute; ent&atilde;o desconhecidas. Assim, a investiga&ccedil;&atilde;o a respeito daquilo que constituiria a natureza n&atilde;o terminaria jamais. A perspectiva reducionista n&atilde;o seria aceita pelo grupo de f&iacute;sicos brasileiros e japoneses. Apenas o estudo da natureza poderia dizer o que ela &eacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Agrade&ccedil;o os financiamentos dados pelas seguintes ag&ecirc;ncias: CNPq (nº 303.597/2022-5), Capes (por meio do projeto Capes-Print, nº 88887.900637/2023-00) e Faperj (programa Proci&ecirc;ncia). Tamb&eacute;m quero registar a hospitalidade da Faculdade de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa (polo Braga), onde uma primeira vers&atilde;o deste texto foi escrita.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a>&#91;<a href="#1a">i</a>&#93; LATTES; FUJIMOTO; HASEGAWA, 1980, p. 154 &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="2b"></a>&#91;<a href="#2a">ii</a>&#93; TAKETANI, 1971, p. 27 &#91;3&#93;. Este artigo foi originalmente escrito em 1936.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="3b"></a>&#91;<a href="#3a">iii</a>&#93; "Um grande n&uacute;mero de pessoas, incluindo o autor, pensa que Fermi foi o primeiro a introduzir as ideias termodin&acirc;micas no problema da produ&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla e assim iniciou o estudo da bola de fogo (E. Fermi, Prog. Theor. Phys. 5 (1950), 570). Mas, recentemente, o autor foi informado do artigo de G. Wataghin pelo professor Lattes. Em seu relat&oacute;rio ao Simp&oacute;sio de Raios C&oacute;smicos, Rio de Janeiro, 1941 (os anais foram publicados pela Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, 1943), apresentou a ideia de bola de fogo exatamente da mesma forma que estive agora explanando" (Fujimoto, 1973, p. 29, tradu&ccedil;&atilde;o nossa) &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="4b"></a>&#91;<a href="#4a">iv</a>&#93; TAVARES, 2017, p. 210 &#91;4&#93;. Na resposta de Lattes, chama-nos aten&ccedil;&atilde;o o fato de que a equipe brasileira era constitu&iacute;da por pessoas ainda pouco experientes. Os dois nomes mencionados por Lattes eram f&iacute;sicos com larga trajet&oacute;ria em F&iacute;sica de part&iacute;culas. O curioso na resposta de Lattes &eacute; que Ugo Camerini e Andrea Wataghin (o filho mais de velho de Gleb Wataghin) n&atilde;o estavam mais trabalhando no Brasil, ainda que os seus afastamentos fossem, naquela &eacute;poca, tempor&aacute;rios. Ambos n&atilde;o voltariam a trabalhar em institui&ccedil;&otilde;es brasileiras. Camerini se fixou na Universidade de Wisconsin, enquanto Wataghin filho ficou na It&aacute;lia, na Universidade de G&ecirc;nova.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;1&#93; FUJIMOTO, Y. Concept of Fire-Ball. <i>Supplement of the of Theoretical Physcis</i>, n. 54, p. 17-30, 1973.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;2&#93; LATTES, C. M. G.; FUJIMOTO, Y.; HASEGAWA, S. Hadronic interactions of high energy cosmic-ray observed by emulsion chambers. <i>Physics Reports</i>, v. 65, n. 3,&nbsp;p. 151-229, out. 1980.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;3&#93; TAKETANI, M. Dialetics of nature: on quantum mechanics<i>. Progress of Theoretical Physics</i>, v. 50, p. 27-36, 1971.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;4&#93; TAVARES, H. D. Estilo de pensamento em f&iacute;sica nuclear e de part&iacute;culas no Brasil (1934-1975): C&eacute;sar Lattes entre raios c&oacute;smicos e aceleradores. Rio de Janeiro: HCTE/UFRJ, 2017.    </font></p>      ]]></body><back>
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