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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Biodiversidade: haver&aacute; um mapa para este tesouro?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Regina Pekelmann Markus<sup>I</sup>; Miguel Trefaut Rodrigues<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professora em&eacute;rita do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Universidade de S&atilde;o Paulo e Pesquisadora S&ecirc;nior do CNPq    <br>   <sup>II</sup>Professor aposentado do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da Universidade de S&atilde;o Paulo desde 1996, foi Diretor do Museu de Zoologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (1997-2001), Membro do Conselho Deliberativo de Curadoria das Cole&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas Zool&oacute;gicas do Instituto Butantan (2003-2007) e do International Herpetological Committee</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil, com sua vasta biodiversidade, &eacute; comparado a um grande tesouro que precisa ser explorado com responsabilidade. Para aproveitar essa riqueza de maneira sustent&aacute;vel, &eacute; crucial o suporte do conhecimento cient&iacute;fico em projetos que investiguem e apliquem racionalmente esses recursos. Visando &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o e ao uso respons&aacute;vel dessa biodiversidade, especialistas discutem suas pesquisas no N&uacute;cleo Tem&aacute;tico da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura para orientar pol&iacute;ticas que garantam o crescimento sustent&aacute;vel e o cont&iacute;nuo estudo do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Biodiversidade; Ci&ecirc;ncia; Acervo biol&oacute;gico; Preserva&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Diversidade biol&oacute;gica" significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aqu&aacute;ticos e os complexos ecol&oacute;gicos de que fazem parte; compreendendo ainda a    diversidade dentro de esp&eacute;cies, entre esp&eacute;cies e de ecossistemas. </i></font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(Artigo 2 da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Diversidade Biol&oacute;gica)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil, pa&iacute;s de dimens&otilde;es continentais, sabidamente possui uma enorme biodiversidade, sendo definida como a maior do planeta. Possuir muito, e de diferentes fontes, ecoa aos nossos sentidos como ter &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, ao alcance de todos, um grande tesouro. No entanto, todos sabemos que um grande tesouro escondido em locais inacess&iacute;veis, ou mesmo localizado sob os nossos olhos, sem que tenhamos possibilidade de enxerg&aacute;-lo, significa um grande sonho... e sonhos n&atilde;o costumam tornar-se realidade... podem at&eacute; evoluir para pesadelos...</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, fica evidente que o conhecimento cient&iacute;fico, embasado em fatos, &eacute; essencial para dar suporte a hip&oacute;teses que gerem projetos que permitam expandir esses conhecimentos e servir de partida para projetos que permitam a aplica&ccedil;&atilde;o racional e sustentada dessa riqueza. Todos sabem que a pior atitude &eacute; "matar a galinha dos ovos de ouro". Portanto, precisamos saber de onde v&ecirc;m os ovos, como cuidar da galinha e faz&ecirc;-la reproduzir para que possamos transmitir essa riqueza como heran&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o objetivo de dar subs&iacute;dios concretos para que o Brasil possa usufruir de sua biodiversidade, na nossa e nas futuras gera&ccedil;&otilde;es, e para que leis, que t&ecirc;m como objetivo prim&aacute;rio proteger, n&atilde;o sejam impeditivas a ponto de penalizar os que buscam entender como esses "ovos de ouro" s&atilde;o gerados, especialistas de diferentes &aacute;reas reunidos neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura exp&otilde;em os seus dados e opini&otilde;es. Este n&uacute;mero servir&aacute; para sinalizar e fomentar o debate do tema dentro da SBPC e da sociedade cient&iacute;fica para que esta possa se posicionar, de forma organizada, frente aos desafios da busca e da aplica&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel desses conhecimentos. Somente assim poderemos planejar e executar pol&iacute;ticas norteadoras que n&atilde;o tragam no bojo impedimentos ao crescimento sustentado da na&ccedil;&atilde;o e ao estudo do Brasil pelos brasileiros (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a19fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na organiza&ccedil;&atilde;o deste n&uacute;cleo, procuramos inicialmente responder &agrave; pergunta b&aacute;sica: "O que sabemos sobre nosso acervo biol&oacute;gico?". A import&acirc;ncia das cole&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, do descobrir, descrever e inventariar a diversidade das esp&eacute;cies &eacute; destacado pelas pesquisadoras da &aacute;rea de Bot&acirc;nica - Ariane Luna Peixoto (UFRRJ e Jardim Bot&acirc;nico - RJ) e Marli Pires Morim (Jardim Bot&acirc;nico - RJ) e pelos zo&oacute;logos Hussam Zaher (Museu de Zoologia da USP) e Paulo S. Young (Museu Nacional da UFRJ). Vanderley Canhos (Centro de Refer&ecirc;ncia em Informa&ccedil;&atilde;o Ambiental - Cria) faz o mesmo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cole&ccedil;&otilde;es de microorganismos. Como exp&otilde;em os pesquisadores, o problema n&atilde;o &eacute; s&oacute; inventariar, mas tamb&eacute;m tornar dispon&iacute;veis e utilizar as informa&ccedil;&otilde;es fabulosas que esse valioso patrim&ocirc;nio encerra. Nesse contexto, tamb&eacute;m est&aacute; inclu&iacute;do o texto de Guita Grin Debbert (Unicamp), onde &eacute; discutida a &eacute;tica dentro da pesquisa cient&iacute;fica, com uma importante &ecirc;nfase na antropologia. A recontextualiza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e sua utiliza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m de ser debatidas quando encaramos a grande diversidade do territ&oacute;rio nacional (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v76n2/a19fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Fica evidente que o conhecimento cient&iacute;fico, embasado em fatos, &eacute; essencial para dar suporte a hip&oacute;teses que gerem projetos que permitam expandir esses conhecimentos e servir de partida para projetos que permitam a aplica&ccedil;&atilde;o racional e sustentada dessa riqueza."</b></styled-content> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A exist&ecirc;ncia dessa enorme biodiversidade tem implica&ccedil;&otilde;es diretas para a sa&uacute;de humana e animal? Esta importante pergunta &eacute; avaliada, quanto &agrave; sa&uacute;de animal, no artigo de Jos&eacute; Luiz Cat&atilde;o-Dias (USP), sobre a relev&acirc;ncia do conhecimento relacionada a doen&ccedil;as infecciosas de animais silvestres para a prote&ccedil;&atilde;o de nosso patrim&ocirc;nio biol&oacute;gico e como quest&atilde;o central para nosso futuro bem-estar. Para conservar &eacute; preciso conhecer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como o homem pode utilizar esses conhecimentos. &Eacute; sobre esta &oacute;ptica que os pesquisadores Elaine Elizabetsky (UFRGS) e Jo&atilde;o Batista Calixto (UFSC) escrevem seus artigos. O primeiro versando sobre a Etnofarmacologia, ou seja, "a explora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica interdisciplinar dos agentes biologicamente ativos, tradicionalmente empregados ou observados pelo homem" e o segundo avaliando as possibilidades de utiliza&ccedil;&atilde;o de fitoter&aacute;picos e f&aacute;rmacos derivados de produtos nacionais. Neste artigo, s&atilde;o apontadas dire&ccedil;&otilde;es e metas que permitam ao Brasil usar o seu parque cient&iacute;fico para esse desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, vem a quest&atilde;o de como usufruir das informa&ccedil;&otilde;es obtidas, como regulamentar a sua utiliza&ccedil;&atilde;o e como, de forma organizada, congregar cientistas com diferentes capacita&ccedil;&otilde;es sob um projeto comum. Gostar&iacute;amos de ter inclu&iacute;do um texto sobre o problema da biopirataria, diretamente relacionado ao tema da biodiversidade e t&atilde;o em moda, mas a limita&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o e a profundidade de tratamento que requer n&atilde;o nos permitiram faz&ecirc;-lo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o descritos dois projetos em andamento. O primeiro chamado de "Mem&oacute;ria Naturalis", assinado por Leandro O. Salles (Museu Nacional - RJ), Peter Mann de Toledo (Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi) e Marcos Tavares (Museu de Zoologia da USP), que pretende viabilizar a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede informatizada dos acervos das cole&ccedil;&otilde;es nacionais. Os pesquisadores contam os passos que, iniciados sob a &eacute;gide do MCT em reuni&atilde;o realizada em 2002, resultaram na carta de Bras&iacute;lia e permitir&atilde;o ao Brasil unir as diferentes cole&ccedil;&otilde;es e facilitar o seu acesso e estudo. Saber qual &eacute; e onde est&aacute; nosso acervo biol&oacute;gico &eacute; uma quest&atilde;o estrat&eacute;gica para o pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outro artigo que mostra a relev&acirc;ncia do trabalho multidisciplinar, Carlos Alberto Joly (Unicamp) e &Eacute;rica Speglich (Cria) relatam a hist&oacute;ria e o sucesso do projeto Biota/Fapesp, que nasceu de uma vontade da comunidade paulista, e permitiu a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede de projetos e a organiza&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores envolvidos no desvendar da biodiversidade do estado. No artigo, os pesquisadores n&atilde;o s&oacute; relatam o projeto em si, mas fornecem os endere&ccedil;os j&aacute; dispon&iacute;veis para consulta.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Finalmente, vem a quest&atilde;o de como usufruir das informa&ccedil;&otilde;es obtidas, como regulamentar a sua utiliza&ccedil;&atilde;o e como, de forma organizada, congregar cientistas com diferentes capacita&ccedil;&otilde;es sob um projeto comum."</b></styled-content> </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"&Eacute; muito importante que seja entendida a complexa legisla&ccedil;&atilde;o gerada sobre o assunto e qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o da mesma com as atividades de pesquisa cient&iacute;fica."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda no t&oacute;pico de gerenciamento, &eacute; muito importante que seja entendida a complexa legisla&ccedil;&atilde;o gerada sobre o assunto e qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o da mesma com as atividades de pesquisa cient&iacute;fica. &Eacute; importante que o pa&iacute;s tenha uma legisla&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria que permita salvaguardar suas riquezas, mas a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o e o desconhecimento fazem com que qualquer riqueza seja in&oacute;cua. Este assunto &eacute; tratado por Walter Colli (USP), que fez um importante levantamento das leis, portarias e outros instrumentos legais que versam sobre o tema. O cotejamento destas com a pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o brasileira visa dar uma perspectiva que admita a busca do conhecimento de forma continuada e progressiva, sem deixar de lado sua possibilidade de explora&ccedil;&atilde;o e a necessidade da conserva&ccedil;&atilde;o. Em outras palavras, como pode ser legislada a explora&ccedil;&atilde;o sustentada de nossas riquezas. O &uacute;ltimo artigo versa diretamente sobre o gerenciamento de projetos que possam direcionar o esfor&ccedil;o de cientistas de diferentes &aacute;reas para a coloca&ccedil;&atilde;o de produtos no mercado. Este &eacute; o t&oacute;pico tratado por Miguel Trefaut Rodrigues (USP), onde s&atilde;o analisadas as formas de execu&ccedil;&atilde;o, sendo exemplificados modelos que poderiam contribuir para colher os nossos "ovos de ouro", n&atilde;o s&oacute; mantendo a galinha, mas tamb&eacute;m gerando descend&ecirc;ncia para a biodiversidade brasileira ser algo mais que hist&oacute;ria para os nossos filhos e netos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Texto publicado originalmente em:</b>    <!-- ref --><br>   MARKUS, R. P.; RODRIGUES, M. T. Biodiversidade: haver&aacute; um mapa para este tesouro? Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, S&atilde;o Paulo, v. 55, n. 3, 2003.    <br>   <i>* Esse texto foi atualizado segundo o novo Acordo Ortogr&aacute;fico da L&iacute;ngua Portuguesa.</i></font></p>      ]]></body><back>
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