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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250004</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia cidad&atilde;: conceitos e pr&aacute;ticas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Sarita Albagli<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (IBICT). &Eacute; soci&oacute;loga e possui doutorado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ci&ecirc;ncia cidad&atilde; &eacute; possivelmente uma das vertentes menos conhecidas dentre os movimentos pela ci&ecirc;ncia aberta, embora, ao menos desde o s&eacute;culo XIX, se observe a contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia dos chamados "amadores". Trata-se de um termo poliss&ecirc;mico, que admite diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es, m&eacute;todos e pr&aacute;ticas, dependendo de quem o mobiliza, com que motiva&ccedil;&otilde;es, pontos de vista e objetivos, contextos e condi&ccedil;&otilde;es. No Brasil, iniciativas de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; v&ecirc;m atraindo aten&ccedil;&atilde;o desde a segunda d&eacute;cada deste s&eacute;culo, com foco principalmente em temas associados a agendas socioambientais. O artigo faz um apanhado de diferentes concep&ccedil;&otilde;es, motiva&ccedil;&otilde;es e tipos de projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, seus m&eacute;todos e instrumentos, bem como os protocolos e salvaguardas para sua implementa&ccedil;&atilde;o de modo &eacute;tico e justo. Apresenta ainda um panorama de temas e exemplos de projetos desenvolvidos no Brasil com essa abordagem.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras-chave:</b> Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde;; Ci&ecirc;ncia Aberta; Desenvolvimento Sustent&aacute;vel; Brasil. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ci&ecirc;ncia cidad&atilde; &eacute; possivelmente uma das vertentes menos conhecidas dentre os movimentos pela ci&ecirc;ncia aberta, embora, ao menos desde o s&eacute;culo XIX, figura se observe a contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia dos chamados "amadores", aqueles que se interessam por ci&ecirc;ncia, mas n&atilde;o tiveram um treinamento espec&iacute;fico para pratic&aacute;-la. O termo cientista surge na terceira d&eacute;cada daquele s&eacute;culo,<sup>[1]</sup> indicando o in&iacute;cio da profissionaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica cient&iacute;fica, o que se intensifica a partir da segunda metade do s&eacute;culo XX.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Trata-se de um termo poliss&ecirc;mico, que admite diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es, m&eacute;todos e pr&aacute;ticas, dependendo de quem o mobiliza, com que motiva&ccedil;&otilde;es, pontos de vista e objetivos, contextos e condi&ccedil;&otilde;es. Outras express&otilde;es &#150; como ci&ecirc;ncia comunit&aacute;ria, ci&ecirc;ncia participativa, engajamento p&uacute;blico na ci&ecirc;ncia, gera&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; de dados, entre outras &#150; s&atilde;o termos an&aacute;logos &agrave; ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, mas guardam distin&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas e eventualmente m&eacute;todos distintos.<sup>[2]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Este artigo faz um apanhado de diferentes concep&ccedil;&otilde;es, motiva&ccedil;&otilde;es e tipos de projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, seus m&eacute;todos e instrumentos, bem como os protocolos e salvaguardas para sua implementa&ccedil;&atilde;o de modo &eacute;tico e justo. Apresenta ainda um panorama de temas e exemplos de projetos desenvolvidos no Brasil com essa abordagem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>Um termo em constru&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O termo ci&ecirc;ncia cidad&atilde; come&ccedil;ou a ser utilizado nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990, expandindo-se nas primeiras duas d&eacute;cadas deste s&eacute;culo, a partir de um conjunto de fatores.<sup>[3]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um primeiro aspecto refere-se ao aumento da complexidade dos desafios postos &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; necessidade de produ&ccedil;&atilde;o de um maior volume de dados heterog&ecirc;neos e dispersos, intensificando seu processo de datifica&ccedil;&atilde;o, e evidenciando tamb&eacute;m os limites das equipes cient&iacute;ficas e or&ccedil;amentos dispon&iacute;veis para enfrent&aacute;-los. Um segundo aspecto, relacionado ao anterior, diz respeito &agrave; difus&atilde;o de novos meios t&eacute;cnicos de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, especialmente as plataformas, dispositivos m&oacute;veis e aplicativos digitais que permitem o registro e o envio de dados &agrave; dist&acirc;ncia, a custos acess&iacute;veis e com interface amig&aacute;vel, facilitando a contribui&ccedil;&atilde;o social na produ&ccedil;&atilde;o de dados. Um terceiro aspecto remete &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da coprodu&ccedil;&atilde;o de conhecimentos como parte da constru&ccedil;&atilde;o da cidadania, projetando a ideia de cidadania cient&iacute;fica.<sup>[4]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por fim, a ci&ecirc;ncia cidad&atilde; &eacute; vista ainda como forma de contribuir para a educa&ccedil;&atilde;o, a divulga&ccedil;&atilde;o e a populariza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e ambiental, em formatos mais dial&oacute;gicos, n&atilde;o se tratando de termos equivalentes. Esse papel da ci&ecirc;ncia cidad&atilde; ganha import&acirc;ncia ante o crescimento de campanhas de descr&eacute;dito da ci&ecirc;ncia e a dissemina&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias falsas (<i>fake news</i>) e de falsa ci&ecirc;ncia (<i>fake Science</i>).<sup>[5]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em linhas gerais, duas grandes abordagens de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; se projetam, desde sua dissemina&ccedil;&atilde;o. Uma de vi&eacute;s mais instrumental, cujo prop&oacute;sito &eacute; mobilizar a contribui&ccedil;&atilde;o social para a coleta e o registro de dados, visando o aumento da quantidade e da velocidade dos resultados da pesquisa cient&iacute;fica. Outra de vi&eacute;s mais democr&aacute;tico ou participativo, tendo como foco ampliar a colabora&ccedil;&atilde;o entre a ci&ecirc;ncia e outros tipos de conhecimentos, de forma mais horizontal. Essas duas abordagens n&atilde;o s&atilde;o necessariamente opostas e podem ser complementares, envolvendo, entretanto, m&eacute;todos e protocolos distintos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um projeto ou iniciativa de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; pode ser iniciado e liderado por uma equipe cient&iacute;fica, como pode tamb&eacute;m partir de um indiv&iacute;duo, grupo ou comunidade sem forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. As motiva&ccedil;&otilde;es envolvem desde lazer ou interesse em ci&ecirc;ncia, at&eacute; a produ&ccedil;&atilde;o de dados, informa&ccedil;&otilde;es e conhecimentos por grupos mobilizados em torno de causas de interesse coletivo, incluindo grupos em situa&ccedil;&atilde;o de risco ou vulnerabilidade, buscando ampliar sua participa&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia na tomada de decis&atilde;o e em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que os afetam, especialmente em quest&otilde;es sob controv&eacute;rsia ou conflito. Muitas vezes buscam colabora&ccedil;&atilde;o ou certifica&ccedil;&atilde;o de equipes cient&iacute;ficas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diversos termos t&ecirc;m sido utilizados para denominar quem participa de projetos e iniciativas de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, tais como: cidad&atilde;os cientistas, n&atilde;o-cientistas, leigos, amadores, "<i>hobbystas</i>", volunt&aacute;rios, al&eacute;m de outras denomina&ccedil;&otilde;es mais gen&eacute;ricas, como participantes, contribuidores, colaboradores, comunidades, p&uacute;blico, grupos de interesse, entre outras, o que &eacute; tamb&eacute;m objeto de debate.<sup>[6]</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia cidad&atilde;: protocolos e salvaguardas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A ci&ecirc;ncia cidad&atilde; vem sendo objeto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de diretrizes de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais.<sup>[7]</sup> Nas Recomenda&ccedil;&otilde;es da Unesco sobre Ci&ecirc;ncia Aberta,<sup>[8]</sup> dois de seus quatro eixos orientadores fazem refer&ecirc;ncia direta ou indireta &agrave; ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, quais sejam, o "envolvimento aberto dos atores sociais" e o "di&aacute;logo aberto com outros sistemas de conhecimento".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Por um lado, a ci&ecirc;ncia cidad&atilde; amplia o significado de abertura para al&eacute;m do campo estrito da ci&ecirc;ncia, implicando maior porosidade na rela&ccedil;&atilde;o com outros tipos de saberes. Esfor&ccedil;os de di&aacute;logo entre conhecimentos cient&iacute;ficos e conhecimentos tradicionais e ancestrais t&ecirc;m tido seu papel reconhecido no enfrentamento dos atuais desequil&iacute;brios socioambientais planet&aacute;rios. Articular distintos regimes de conhecimento &eacute;, entretanto, um desafio. N&atilde;o se trata de validar cientificamente outros tipos de conhecimentos, mas de promover e valorizar os aprendizados rec&iacute;procos entre diferentes pr&aacute;ticas e modos de conhecer, que ao final expressam diferentes modos de viver.<sup>[9]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Por outro, a ado&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios e requisitos da ci&ecirc;ncia aberta vem sendo requerida a projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, especialmente no que se refere ao compartilhamento dos dados, o acesso aberto &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es deles resultantes, e o uso de hardware e software abertos e livres. O papel crescente de infraestruturas e ferramentas digitais para coletar e registrar dados, incluindo recursos de intelig&ecirc;ncia artificial,<sup>[10]</sup> requer aten&ccedil;&atilde;o dos projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; quanto a protocolos que salvaguardem a &eacute;tica na pesquisa e a soberania sobre os dados. Para al&eacute;m dos princ&iacute;pios FAIR de gest&atilde;o de dados (que os dados sejam localiz&aacute;veis, acess&iacute;veis, interoper&aacute;veis e recuper&aacute;veis), trata-se tamb&eacute;m de considerar os princ&iacute;pios CARE (benef&iacute;cios coletivos, autoridade para controlar, responsabilidade e &eacute;tica).<sup>[11]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A&iacute; incluem-se o consentimento livre, pr&eacute;vio e informado dos participantes, o reconhecimento das contribui&ccedil;&otilde;es recebidas, a devolutiva e o acesso aos resultados e a reparti&ccedil;&atilde;o justa de benef&iacute;cios deles derivados. Trata-se de estabelecer mecanismos que resguardem os envolvidos quanto ao extrativismo acad&ecirc;mico e, eventualmente, comercial de projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, e quanto ao neoextrativismo de dados da emergente Economia de Plataforma.<sup>[12]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Cabe ainda atentar para outros aspectos do arcabou&ccedil;o jur&iacute;dico-normativo que afeta projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, como direitos de propriedade intelectual (sobre imagens, dados, textos e outros materiais), prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais e coletivos, entre outros.<sup>[13]</sup></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia cidad&atilde; no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A Am&eacute;rica Latina possui uma larga trajet&oacute;ria de reflex&otilde;es, conceitua&ccedil;&otilde;es e experimenta&ccedil;&otilde;es que fornecem uma fundamenta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria para a ci&ecirc;ncia participativa e cidad&atilde; na regi&atilde;o. Tem-se a pedagogia do oprimido do educador brasileiro Paulo Freire; a pesquisa-a&ccedil;&atilde;o participativa do soci&oacute;logo colombiano Orlando Fals Borda; a perspectiva decolonial de v&aacute;rios autores, como An&iacute;bal Quijano, Enrique Dussel, Walter Mignolo; as formula&ccedil;&otilde;es e experi&ecirc;ncias no campo das tecnologias e inova&ccedil;&otilde;es sociais; o pensamento anticolonial de autores ind&iacute;genas, quilombolas, afrodescendentes, feministas e interseccionais, como Andre Baniwa, Ailton Krenak, Antonio Bispo dos Santos (N&ecirc;go Bispo) e Lelia Gonz&aacute;lez, s&oacute; para destacar alguns no Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No Brasil, iniciativas e projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; v&ecirc;m se expandindo na &uacute;ltima d&eacute;cada, fortalecendo-se tamb&eacute;m sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o. Em 2021, foi formada a Rede Brasileira de Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde; (RBCC), contando atualmente com mais de 400 membros, visando promover o di&aacute;logo e o aprendizado entre pesquisadores e praticantes de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;; incentivar o engajamento em projetos de ci&ecirc;ncia cidad&atilde;; subsidiar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de apoio &agrave; ci&ecirc;ncia cidad&atilde;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Ao final de 2023, foi aprovado, no &acirc;mbito do Edital 2022 de Institutos Nacionais de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (INCT) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), o Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde; (INCC), projeto com dura&ccedil;&atilde;o de cinco anos, sob coordena&ccedil;&atilde;o desta autora, tendo como institui&ccedil;&atilde;o executora o Instituto Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (IBICT), contando tamb&eacute;m com o apoio da Capes. Trata-se de uma rede com a participa&ccedil;&atilde;o de cerca de 50 pesquisadores do Brasil e alguns do exterior, estruturando-se em sete linhas de pesquisa e a&ccedil;&atilde;o: (1) Coprodu&ccedil;&atilde;o e Engajamento Social em Iniciativas de Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde;; (2) Tecnologias, Ferramentas e Infraestruturas; (3) Governan&ccedil;a, Avalia&ccedil;&atilde;o e Protocolos; (4) Forma&ccedil;&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o; (5) Dissemina&ccedil;&atilde;o Social e Subs&iacute;dios a Pol&iacute;ticas; (6) Arcabou&ccedil;o Te&oacute;rico-Conceitual; (7) Gest&atilde;o, Articula&ccedil;&atilde;o e Internacionaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Desde 2022, est&aacute; em opera&ccedil;&atilde;o a C&iacute;vis, plataforma de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; desenvolvida pelo IBICT, a partir do c&oacute;digo-fonte aberto da plataforma europeia de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; Eu-Citizen.Science, tendo como foco iniciativas e projetos desenvolvidos no Brasil e em outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e Caribe. A maioria desses projetos tem foco na &aacute;rea socioambiental, consoante com o que se verifica em outros pa&iacute;ses e regi&otilde;es, onde se tem dado &ecirc;nfase ao papel da ci&ecirc;ncia cidad&atilde; para o alcance dos objetivos do desenvolvimento sustent&aacute;vel (ODS).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Cerca da metade dos projetos no Brasil, atualmente cadastrados na C&iacute;vis, tratam de temas associados &agrave; biodiversidade e &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Vejam-se, por exemplo, o Programa de Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde; do Instituto Nacional da Mata Atl&acirc;ntica (INMA) e o Programa Monitora do Instituto Chico Mendes de Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade (ICMBio-MMA).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um ter&ccedil;o do total de projetos brasileiros presentes na C&iacute;vis trata de temas associados a ambientes marinhos, costeiros e fluviais. Vejam-se, por exemplo, a Brydes do Brasil, uma rede sobre a baleia-de-<i>bryde</i> em &aacute;guas jurisdicionais brasileiras, mobilizando a pesquisa cient&iacute;fica participativa; e o programa Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde; para Amaz&ocirc;nia, desenvolvido pela rede Alian&ccedil;a &Aacute;guas Amaz&ocirc;nicas, tendo por objetivo gerar informa&ccedil;&otilde;es sobre peixes e &aacute;guas na escala amaz&ocirc;nica, envolvendo comunidades pesqueiras locais. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Outros temas s&atilde;o objetos das iniciativas e projetos, como clima, res&iacute;duos s&oacute;lidos, e ainda: </font></p> <ul>       <li><font size="2" face="verdana">Avistamento e registro de esp&eacute;cies de aves, como o caso do Wikiaves, disponibilizando ferramentas para controle de registros fotogr&aacute;ficos e sonoros, textos sobre esp&eacute;cies de aves, promovendo a comunica&ccedil;&atilde;o entre observadores; e o Projeto Cidad&atilde;o Cientista da Save Brasil, com diversas iniciativas de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; sobre p&aacute;ssaros. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Observa&ccedil;&atilde;o do c&eacute;u, como as iniciativas EXOSS (<i>Exploring the Southern Sky</i>) e Bramon (Rede Brasileira de Observa&ccedil;&atilde;o de Meteoros), ambas orientadas para o monitoramento de meteoros e b&oacute;lidos na atmosfera, envolvendo redes de volunt&aacute;rios e parcerias com institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa. </font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Polinizadores, como o projeto Guardi&otilde;es da Chapada, visando o monitoramento participativo sobre a intera&ccedil;&atilde;o entre plantas e seus visitantes em ambientes naturais, urbanos e agr&iacute;colas, por meio de registros fotogr&aacute;ficos. </font></li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li><font size="2" face="verdana">Animais silvestres e vetores de doen&ccedil;as, como o SISSGeo &#150; Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Silvestre, desenvolvido pela Funda&ccedil;&atilde;o Oswald Cruz (Fiocruz), em parceria com o Laborat&oacute;rio Nacional de Computa&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica (LNCC); </font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Preven&ccedil;&atilde;o de desastres e situa&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-desastres ambientais, como o projeto Cemaden Educa&ccedil;&atilde;o, que mobiliza jovens e comunidades para construir conhecimentos, refletir e agir na preven&ccedil;&atilde;o de riscos de desastres; o CoAdapta | Litoral, que visa melhorar a adapta&ccedil;&atilde;o aos riscos clim&aacute;ticos atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias e a&ccedil;&otilde;es de cogest&atilde;o de riscos baseadas na comunidade; e o Que Lama &eacute; Essa, Rede de Monitoramento Geoparticipativo, que visa investigar a situa&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas, lama de enchentes e solos ap&oacute;s as chuvas de janeiro e fevereiro de 2022, em pontos das bacias do Rio das Velhas, do Rio Paraopeba e do Rio Doce, em Minas Gerais.</font></li>       <li><font size="2" face="verdana">Grupos em &aacute;reas urbanas ou rurais, que mobilizam produ&ccedil;&atilde;o de dados e ci&ecirc;ncia cidad&atilde; para a defesa dos interesses de comunidades e localidades, em risco ou vulnerabilidade, como o Instituto Decodifica, com foco nas realidades e necessidades das periferias, sendo um desdobramento do projeto LabJaca.<sup>[1]</sup></font></li>     </ul>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">V&aacute;rios projetos e iniciativas desenvolvem atividades de educa&ccedil;&atilde;o formal ou informal, dentro ou fora do ambiente escolar, como o Programa Interinstitucional de Ci&ecirc;ncia Cidad&atilde; na Escola (PICCE), envolvendo uma rede de institui&ccedil;&otilde;es no estado do Paran&aacute;. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Muitos projetos utilizam aplicativos de celular e disp&otilde;em de plataformas de dados ou utilizam de infraestruturas de terceiros. Alguns recorrem a dispositivos de <i>hardware</i> aberto, por exemplo, para o monitoramento de condi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas e da qualidade da &aacute;gua. O uso de ferramentas de geovisualiza&ccedil;&atilde;o participativa e, em alguns casos, de cartografia social &eacute; recorrente. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">H&aacute;, portanto, um amplo espectro de possibilidades de entendimentos e de usos da ci&ecirc;ncia cidad&atilde;, como conceito, m&eacute;todo e abordagem, de modo situado e adequado &agrave; cada realidade, temas e quest&otilde;es. S&atilde;o tamb&eacute;m in&uacute;meros os desafios, que envolvem sobretudo como e em que condi&ccedil;&otilde;es promover uma ci&ecirc;ncia cidad&atilde; participativa, respons&aacute;vel e comprometida com os direitos e interesses dos diversos grupos envolvidos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">[ ] LIRA, C. de. LabJaca: dados em favor das favelas. E dos direitos humanos. Habitability.    8 de maio de 2023. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://habitability.com.br/labjaca-dados-em-favor-das-favelas-e-dos-direitos-humanos/#:~:text=Criado%20em%202020%2C%20o%20LabJaca,e%20pelos%20moradores)%20da%20comunidade" target="_blank">https://habitability.com.br/labjaca-dados-em-favor-das-favelas-e-dos-direitos-humanos/#:~:text=Criado%20em%202020%2C%20o%20LabJaca,e%20pelos%20moradores)%20da%20comunidade</a> . Acesso em 31 jan. 2025.    </font></p>      ]]></body><back>
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