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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250007</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ENTREVISTA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>CIDACS: Transformando dados em ci&ecirc;ncia para a sa&uacute;de p&uacute;blica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Chris Bueno<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Jornalista, escritora, divulgadora de ci&ecirc;ncias, editora-executiva da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, e m&atilde;e apaixonada por escrever (especialmente sobre ci&ecirc;ncia).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><i>A integra&ccedil;&atilde;o de dados para a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos transformadores em sa&uacute;de p&uacute;blica encontrou no Centro de Integra&ccedil;&atilde;o de Dados e Conhecimentos para Sa&uacute;de (CIDACS), da Fiocruz Bahia, um exemplo pioneiro e inovador. Criado em 2016 sob a lideran&ccedil;a de Maur&iacute;cio Barreto, m&eacute;dico e epidemiologista com uma carreira marcada pelo compromisso com a ci&ecirc;ncia de impacto social, o CIDACS se destaca mundialmente como uma das iniciativas mais avan&ccedil;adas na utiliza&ccedil;&atilde;o de grandes bases de dados para promover equidade e bem-estar populacional. Maur&iacute;cio Barreto, PhD em Epidemiologia pela Universidade de Londres e membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC), desempenhou um papel central na concep&ccedil;&atilde;o do CIDACS, combinando sua vasta experi&ecirc;ncia acad&ecirc;mica e cient&iacute;fica com uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica para explorar os determinantes sociais e ambientais da sa&uacute;de. O centro, que abriga projetos de grande porte como a Coorte de 100 Milh&otilde;es de Brasileiros, utiliza tecnologias de ponta e m&eacute;todos interdisciplinares para investigar como pol&iacute;ticas sociais e mudan&ccedil;as ambientais impactam a sa&uacute;de e as desigualdades no Brasil. Reconhecido por seu protagonismo na ci&ecirc;ncia aberta, o CIDACS integra dados p&uacute;blicos em pesquisas que geram evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas robustas, auxiliando na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Com contribui&ccedil;&otilde;es significativas para o enfrentamento de crises, como a pandemia de Covid-19, e na defesa de legisla&ccedil;&otilde;es como a Lei Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados (LGPD) voltada &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica, o centro recebeu em 2023 o pr&ecirc;mio "The Information and Data Distribution Award", concedido pela Federa&ccedil;&atilde;o Mundial de Associa&ccedil;&otilde;es de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Nesta entrevista, Maur&iacute;cio Barreto compartilha os desafios enfrentados para implantar o CIDACS, os avan&ccedil;os no uso de dados para pesquisas em sa&uacute;de p&uacute;blica e o impacto transformador de iniciativas interdisciplinares e colaborativas no cen&aacute;rio cient&iacute;fico brasileiro e internacional. Confira!</i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura &#45; Conte um pouco sobre o projeto CIDACS &#45; o que &eacute;, como nasceu, parcerias, principais resultados e desafios?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Maur&iacute;cio Barreto &#45;</b> O CIDACS tem cerca de 10 anos de hist&oacute;ria. Sou epidemiologista e sempre trabalhei com pesquisa em diversas &aacute;reas, utilizando inicialmente dados prim&aacute;rios coletados diretamente em estudos. Mais tarde, come&ccedil;amos a usar dados dos sistemas nacionais de informa&ccedil;&atilde;o para avaliar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Por exemplo, participamos de um dos maiores ensaios cl&iacute;nicos do mundo, com mais de 300 mil pessoas, para avaliar os efeitos da revacina&ccedil;&atilde;o com BCG. A partir desse trabalho, passamos a estudar o impacto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sobre a sa&uacute;de usando dados agregados, como os dados municipais. No Brasil, com quase 6 mil munic&iacute;pios, &eacute; poss&iacute;vel realizar an&aacute;lises robustas nesse formato. Investigamos, por exemplo, o programa Bolsa Fam&iacute;lia, uma pol&iacute;tica social que chamou nossa aten&ccedil;&atilde;o devido &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com os determinantes sociais de sa&uacute;de, como pobreza e desigualdades. Em 2007, publicamos na <i>The Lancet</i> um artigo que mostrou o impacto positivo do Bolsa Fam&iacute;lia na sa&uacute;de. O estudo teve grande repercuss&atilde;o e chamou a aten&ccedil;&atilde;o da ent&atilde;o ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo. Come&ccedil;amos a discutir novas possibilidades de estudo e conseguimos acesso a bases de dados identificadas, com as devidas prote&ccedil;&otilde;es, transferidas para a Fiocruz, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade de Bras&iacute;lia (UnB). Com essa base de dados, estruturamos o CIDACS para armazenar, proteger e vincular informa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e pol&iacute;ticas sociais, como o Cadastro &Uacute;nico. Esse processo, conhecido como <i>data linkage</i>, &eacute; amplamente utilizado em pa&iacute;ses como Inglaterra, Canad&aacute; e Austr&aacute;lia, e come&ccedil;ava a ser explorado no Brasil. Assim, nasceu a ideia de criar uma coorte com dados de 100 milh&otilde;es de brasileiros, que hoje inclui cerca de 30 milh&otilde;es de nascimentos. Vinculamos dados de sa&uacute;de, mortalidade, nutri&ccedil;&atilde;o, hospitaliza&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas sociais, possibilitando an&aacute;lises detalhadas e inovadoras.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Nossos estudos mostram claramente o impacto significativo da redu&ccedil;&atilde;o da pobreza na sa&uacute;de."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>C&amp;C &#45; Qual foi a primeira informa&ccedil;&atilde;o relevante que observaram?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>MB &#45; </b>Nossos estudos mostram claramente o impacto significativo da redu&ccedil;&atilde;o da pobreza na sa&uacute;de. A melhora nas condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o brasileira nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas &eacute; not&aacute;vel, com redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil e da desnutri&ccedil;&atilde;o, em parte devido a programas como o Bolsa Fam&iacute;lia, o Programa Cisternas e o Minha Casa, Minha Vida. Nosso foco principal foi o Bolsa Fam&iacute;lia. Demonstramos que, mesmo com transfer&ecirc;ncias financeiras relativamente pequenas, o impacto na sa&uacute;de e na qualidade de vida das fam&iacute;lias foi enorme. Esses resultados est&atilde;o bem documentados e representam uma das grandes contribui&ccedil;&otilde;es do CIDACS. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a07fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>C&amp;C &#45; Em quais outros estudos o CIDACS tem se envolvido?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>MB &#45; </b>O Cadastro &Uacute;nico (Cad&Uacute;nico), que representa a popula&ccedil;&atilde;o mais vulner&aacute;vel do pa&iacute;s, &eacute; uma base riqu&iacute;ssima para pesquisa. Ele nos permite investigar caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas e sociais espec&iacute;ficas, como as condi&ccedil;&otilde;es de quilombolas e ind&iacute;genas, al&eacute;m de medir desigualdades que ainda persistem, apesar das pol&iacute;ticas sociais. Desenvolvemos estudos sobre doen&ccedil;as espec&iacute;ficas, como infec&ccedil;&otilde;es raras durante a gravidez, que exigem amostras muito grandes para serem analisadas adequadamente. Tamb&eacute;m exploramos as rela&ccedil;&otilde;es entre o Bolsa Fam&iacute;lia e a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de, avaliando os efeitos de programas como a Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia. Mais recentemente, nos aprofundamos nos efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na sa&uacute;de, com financiamento da <i>Wellcome Trust</i>, para integrar dados clim&aacute;ticos &agrave; nossa base nacional. O Brasil, com sua diversidade clim&aacute;tica e biomas, oferece uma oportunidade &uacute;nica para investigar esses efeitos. Por exemplo, queremos entender o impacto de pol&iacute;ticas como o Programa Cisternas no enfrentamento da seca. Al&eacute;m disso, estamos desenvolvendo sistemas para detec&ccedil;&atilde;o precoce de epidemias, utilizando nossa expertise em integra&ccedil;&atilde;o de dados. Isso &eacute; fundamental, considerando a possibilidade concreta de novas epidemias globais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>C&amp;C &#45; Sua pesquisa e trabalho de d&eacute;cadas em sa&uacute;de p&uacute;blica s&atilde;o fortemente baseados na an&aacute;lise de dados de sa&uacute;de, tanto abertos quanto disponibilizados via projetos com restri&ccedil;&otilde;es de acesso. Como &eacute; tratada a quest&atilde;o da privacidade e prote&ccedil;&atilde;o desses dados?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>MB &#45; </b>Desde o in&iacute;cio, o CIDACS teve como prioridade a privacidade e a prote&ccedil;&atilde;o dos dados, o que resultou em um grande investimento em seguran&ccedil;a. Contamos com grupos especializados em governan&ccedil;a de dados, como o liderado pela doutora Bet&acirc;nia Almeida, que &eacute; refer&ecirc;ncia internacional na &aacute;rea. Al&eacute;m disso, temos uma equipe t&eacute;cnica dedicada &agrave; curadoria e &agrave; seguran&ccedil;a de dados. Por exemplo, desenvolvemos a primeira curadoria de dados deste porte (100 milh&otilde;es de brasileiros), para sa&uacute;de p&uacute;blica, no Brasil, voltada para pesquisa, com controle rigoroso de movimenta&ccedil;&atilde;o dos dados. Qualquer dado identificado &eacute; tratado em ambientes isolados e desconectados da internet, eliminando riscos de invas&otilde;es ou vazamentos. Quando um pesquisador apresenta uma quest&atilde;o cient&iacute;fica, ele deve submeter um plano de dados que passa por an&aacute;lise da curadoria e aprova&ccedil;&atilde;o &eacute;tica. S&oacute; ap&oacute;s essa etapa, os dados desidentificados podem ser acessados em &aacute;reas seguras, via VPN, sem possibilidade de <i>download</i>, nem mesmo de dados desidentificados. Pesquisadores em diferentes estados e pa&iacute;ses &#45; como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Londres e Glasgow &#45; acessam os dados usando sistemas altamente seguros, mas os dados permanecem no CIDACS. Trabalhamos com pr&aacute;ticas de seguran&ccedil;a internacionalmente reconhecidas e, at&eacute; hoje, nunca enfrentamos incidentes de vazamento. O acesso &eacute; controlado: os pesquisadores podem gerar tabelas e gr&aacute;ficos, mas n&atilde;o t&ecirc;m contato direto com os dados individuais. Al&eacute;m disso, o CIDACS atua como modelo na &aacute;rea de governan&ccedil;a e curadoria de dados, o que nos enche de orgulho. Nossa abordagem exemplifica como &eacute; poss&iacute;vel manter altos padr&otilde;es de seguran&ccedil;a e ainda produzir ci&ecirc;ncia relevante e impactante. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n1/a07fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>C&amp;C &#45; Como o CIDACS e outros grandes projetos de dados de sa&uacute;de firmam parcerias para uso controlado dessas informa&ccedil;&otilde;es?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>MB &#45; </b>Estabelecemos parcerias de diferentes tipos. Algumas s&atilde;o voltadas para a transfer&ecirc;ncia de tecnologia e conhecimento; outras, para responder conjuntamente a quest&otilde;es cient&iacute;ficas. Nesses casos, colaboramos com pesquisadores para captar recursos e fortalecer nossa infraestrutura. Importante ressaltar que os dados nunca saem do CIDACS &#45; os pesquisadores v&ecirc;m at&eacute; o sistema para realizar an&aacute;lises. Temos, por exemplo, uma parceria interessante com a &Aacute;frica do Sul para comparar estruturas de dados e explorar como as perguntas e respostas cient&iacute;ficas variam conforme o contexto. Isso reflete o fato de que dados n&atilde;o s&atilde;o neutros; eles s&atilde;o constru&iacute;dos em contextos espec&iacute;ficos. Outra linha de parceria envolve o desenvolvimento de modelos comuns de dados, fundamentais para an&aacute;lises federadas. Nesse modelo, testamos hip&oacute;teses em diferentes contextos sem transferir dados, integrando os resultados por meio de meta-an&aacute;lises. Utilizamos essa abordagem em estudos sobre vacinas da COVID-19 com colegas da Esc&oacute;cia e do Brasil. Essas iniciativas demonstram a qualidade dos dados brasileiros e sua relev&acirc;ncia cient&iacute;fica, algo que &eacute; constantemente validado por publica&ccedil;&otilde;es em revistas internacionais de alto impacto. Nosso trabalho comprova que, mesmo enfrentando limita&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, &eacute; poss&iacute;vel criar solu&ccedil;&otilde;es inovadoras e colaborar ao n&iacute;vel global, especialmente entre pa&iacute;ses do Sul Global.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>C&amp;C &#45; O grande volume de dados com que voc&ecirc;s trabalham pode dificultar diagn&oacute;sticos ou an&aacute;lises? Ferramentas de intelig&ecirc;ncia artificial (IA) s&atilde;o utilizadas para auxiliar nesse processo?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>MB &#45; </b>Embora a intelig&ecirc;ncia artificial tenha grande potencial, ela ainda n&atilde;o &eacute; central nas nossas opera&ccedil;&otilde;es. Alguns pesquisadores utilizam ferramentas de IA, mas nosso foco principal &eacute; responder a quest&otilde;es cient&iacute;ficas, para as quais existem m&eacute;todos e algoritmos j&aacute; consolidados. Trabalhamos com ferramentas como Python e R para an&aacute;lises estat&iacute;sticas em larga escala e manipula&ccedil;&atilde;o de grandes volumes de dados. Um dos desafios que enfrentamos &eacute; o <i>linkage</i> de dados. No Brasil, a utiliza&ccedil;&atilde;o crescente do CPF como identificador universal tem facilitado a conex&atilde;o entre diferentes bases de dados. Por&eacute;m, muitos sistemas ainda utilizam informa&ccedil;&otilde;es como nome e nome da m&atilde;e, o que exige o desenvolvimento de <i>softwares</i> espec&iacute;ficos para vincular os dados. Criamos nosso pr&oacute;prio <i>software</i> para isso, e estamos avaliando m&eacute;todos que integrem IA para aprimorar essas solu&ccedil;&otilde;es. Por&eacute;m, &eacute; importante destacar que <i>big data</i> e intelig&ecirc;ncia artificial n&atilde;o s&atilde;o sin&ocirc;nimos. Vejo uma confus&atilde;o crescente no Brasil, onde se discute IA sem considerar a base de dados. Isso pode gerar distor&ccedil;&otilde;es significativas. Dados de qualidade e bem estruturados s&atilde;o o alicerce para qualquer aplica&ccedil;&atilde;o de IA. Ainda h&aacute; um longo caminho para explorar o potencial da IA em quest&otilde;es cient&iacute;ficas, mas precisamos avan&ccedil;ar com cuidado e planejamento.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>C&amp;C &#45; A Ci&ecirc;ncia Aberta &eacute; baseada, entre outros princ&iacute;pios, no compartilhamento livre de dados por meio de sua disponibiliza&ccedil;&atilde;o em reposit&oacute;rios p&uacute;blicos. No caso de dados envolvendo quest&otilde;es legais ou &eacute;ticas (como os associados a pessoas), h&aacute; o compromisso de serem "t&atilde;o abertos quanto poss&iacute;vel, t&atilde;o fechados quanto necess&aacute;rio". Como isso &eacute; praticado no CIDACS e em outros projetos dos quais voc&ecirc; participa?</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>MB &#45; </b>Um ponto importante &eacute; a divulga&ccedil;&atilde;o dos achados cient&iacute;ficos. Todas as nossas publica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o em acesso aberto, e essa &eacute; uma pol&iacute;tica nossa. Contamos com um sistema de colabora&ccedil;&atilde;o intensa, em que pesquisadores podem acessar os dados para responder a quest&otilde;es acad&ecirc;micas. No entanto, tudo isso est&aacute; sujeito a aprova&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e &agrave; curadoria dos dados, pois n&atilde;o h&aacute; possibilidade de abrir completamente dados sens&iacute;veis, como informa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, para uso irrestrito. Esse modelo seria incompat&iacute;vel com a &eacute;tica, a Lei Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados (LGPD) e as normas do sistema &eacute;tico nacional, como as da CONEP. Dados sens&iacute;veis est&atilde;o regulados por leis e sistemas &eacute;ticos, tanto no Brasil quanto em outros pa&iacute;ses, controlando sua utiliza&ccedil;&atilde;o. A abertura de dados, nesse contexto, &eacute; diferente: o acesso pode ser permitido para responder a uma quest&atilde;o relevante, mas sempre dentro de um sistema fechado e sob supervis&atilde;o. Por outro lado, os resultados das pesquisas s&atilde;o amplamente divulgados em acesso aberto. As bases de dados s&atilde;o codificadas e podem ser testadas dentro desse sistema, mas n&atilde;o h&aacute; possibilidade de torn&aacute;-las completamente p&uacute;blicas. Adicionalmente, temos um n&uacute;cleo dedicado &agrave; dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, com ampla participa&ccedil;&atilde;o de diferentes representa&ccedil;&otilde;es sociais. Muitos dos nossos projetos incluem comit&ecirc;s que revisam e discutem as propostas. Tamb&eacute;m realizamos estudos com gestores e membros da sociedade para compreender suas perspectivas sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de dados p&uacute;blicos. No entanto, &eacute; importante destacar que os dados n&atilde;o pertencem a n&oacute;s, pesquisadores; eles pertencem &agrave; sociedade brasileira e s&atilde;o regulados por leis e sistemas &eacute;ticos. O n&iacute;vel de abertura &eacute; decidido por esses sistemas, n&atilde;o pelos pesquisadores. O que podemos controlar &eacute; a divulga&ccedil;&atilde;o das publica&ccedil;&otilde;es e a cria&ccedil;&atilde;o de infraestrutura que facilite o acesso a grupos interessados. Esse processo n&atilde;o &eacute; simples. Envolve custos e sistemas operacionais complexos. &Eacute; por isso que os dados permanecem sob prote&ccedil;&atilde;o rigorosa, mesmo quando desidentificados, e ainda n&atilde;o consideramos seguro transferi-los para outros ambientes. Priorizamos a privacidade acima do conceito de acesso aberto. Estamos tamb&eacute;m desenvolvendo iniciativas para abrir dados rotineiros que n&atilde;o apresentam quest&otilde;es &eacute;ticas, como dados clim&aacute;ticos e informa&ccedil;&otilde;es j&aacute; dispon&iacute;veis pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Esses dados ser&atilde;o documentados, curados e disponibilizados em formatos acess&iacute;veis em um portal para uso por pesquisadores, gestores ou qualquer pessoa interessada. Outra inova&ccedil;&atilde;o em que trabalhamos &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de coortes sint&eacute;ticas, como a popula&ccedil;&atilde;o brasileira sint&eacute;tica desenvolvida por um pesquisador do CIDACS. Essa popula&ccedil;&atilde;o simula as caracter&iacute;sticas da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, mas n&atilde;o representa indiv&iacute;duos reais. Com 190 milh&otilde;es de pessoas fict&iacute;cias, ela pode ser usada para an&aacute;lises preliminares, proje&ccedil;&otilde;es e modelos sint&eacute;ticos em diversas &aacute;reas cient&iacute;ficas. &Eacute; uma forma de compensar as limita&ccedil;&otilde;es do acesso a dados reais e sens&iacute;veis.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Nosso trabalho comprova que, mesmo enfrentando limita&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, &eacute; poss&iacute;vel criar solu&ccedil;&otilde;es inovadoras e colaborar em n&iacute;vel global, especialmente entre pa&iacute;ses do Sul Global."</b></font></p>      ]]></body>
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