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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317-6660.20250028</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Cortes Qu&acirc;nticos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Renan Siqueira da Silva<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Doutor e mestre em Ensino e Hist&oacute;ria das Ci&ecirc;ncias pela Universidade Federal do ABC e Licenciado em F&iacute;sica pela Universidade de S&atilde;o Paulo. Atualmente realiza p&oacute;s-doutorado e atua como pesquisador colaborador da Universidade Federal do ABC.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, dois adventos transformaram radicalmente nossa percep&ccedil;&atilde;o da realidade: o cinema e a f&iacute;sica qu&acirc;ntica. Embora perten&ccedil;am a dom&iacute;nios aparentemente distintos &#150; arte e ci&ecirc;ncia &#150; esses campos compartilham caracter&iacute;sticas relativas &agrave;s historicidades e formas de representar e interpretar o mundo. Buscaremos mostrar como o estudo comparado dessas duas &aacute;reas pode iluminar compreens&otilde;es mais ricas sobre ambas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>G&ecirc;nese paralela: Tecnologia, percep&ccedil;&atilde;o e media&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora a matura&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica e da f&iacute;sica qu&acirc;ntica tenha ocorrido em meados do s&eacute;culo XX, ambas emergiram de uma mesma conjuntura cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica, marcada por avan&ccedil;os em &oacute;ptica, eletricidade e processos industriais que criaram formas de ver e representar o mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O cinema n&atilde;o surge sobre um terreno virgem e sem cultura,<sup>[[i]]</sup> pelo contr&aacute;rio: resulta da converg&ecirc;ncia de desenvolvimentos como a fotografia, estudos sobre movimento e pr&aacute;ticas narrativas teatrais &#150; um per&iacute;odo conhecido como pr&eacute;-cinema.<sup>[[ii]]</sup> Essa combina&ccedil;&atilde;o de fatores tornou poss&iacute;vel, mais tarde, as primeiras exibi&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de filmes. J&aacute; a f&iacute;sica qu&acirc;ntica &eacute; resultado da tentativa de diversos cientistas de lidarem com problemas que a f&iacute;sica cl&aacute;ssica n&atilde;o conseguia explicar. Em ambos os casos, os precursores n&atilde;o previram o qu&atilde;o disruptivo cada empreendimento seria para cada campo do saber.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Os precursores n&atilde;o previram o qu&atilde;o disruptivo cada empreendimento seria para cada campo do saber.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Outro aspecto compartilhado por ambos se refere aos limites da percep&ccedil;&atilde;o humana. No cinema, a ilus&atilde;o de movimento cont&iacute;nuo decorre da limita&ccedil;&atilde;o do sistema visual,   que n&atilde;o distingue imagens exibidas acima de 24 quadros por segundo. Essa &ldquo;falha&rdquo; biol&oacute;gica permite que sequ&ecirc;ncias de fotogramas sejam percebidas como fluxo cont&iacute;nuo.   De modo an&aacute;logo, na f&iacute;sica qu&acirc;ntica, a dificuldade em perceber efeitos qu&acirc;nticos no cotidiano decorre de limita&ccedil;&otilde;es de escala. O processo de decoer&ecirc;ncia   explica por que sistemas macrosc&oacute;picos parecem obedecer &agrave; f&iacute;sica cl&aacute;ssica: as superposi&ccedil;&otilde;es qu&acirc;nticas s&atilde;o &ldquo;borradas&rdquo; por intera&ccedil;&otilde;es com o ambiente.<sup>[[iii]]</sup> Como observa Barreto (2015),<sup>[[iv]]</sup> assim como nossos olhos n&atilde;o veem os fotogramas individuais do cinema, n&atilde;o percebemos os &ldquo;saltos qu&acirc;nticos&rdquo; em fen&ocirc;menos como o movimento de um p&ecirc;ndulo. Isso ocorre porque, utilizando a equa&ccedil;&atilde;o proposta por Planck em 1900 para sistematizar o princ&iacute;pio da equiparti&ccedil;&atilde;o da energia, verifica-se que para um p&ecirc;ndulo que possui 10 cent&iacute;metros de comprimento, os degraus de energia s&atilde;o extremamente pequenos (~10<sup>-33</sup>J), isso &eacute;,   s&atilde;o insignificantes em escala humana. Como, ent&atilde;o, jogar luz naquilo que n&atilde;o &eacute; percebido por nossos sentidos, em nossas experi&ecirc;ncias cotidianas?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Media&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e a constru&ccedil;&atilde;o da realidade</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A necessidade de se utilizar instrumentos como condi&ccedil;&atilde;o para &ldquo;tornar vis&iacute;vel&rdquo; o que &eacute; invis&iacute;vel aos sentidos humanos &eacute; outro elemento comum.   No cinema, utilizam-se c&acirc;meras e projetores para os fotogramas serem exibidos em uma velocidade suficiente para transformar o que era discreto em cont&iacute;nuo, formatando a ilus&atilde;o de movimento em tela. Na f&iacute;sica qu&acirc;ntica, as propriedades, as propriedades dos objetos s&oacute; podem ser analisadas a partir de sua intera&ccedil;&atilde;o com o aparato experimental   (<a href="#fig01">Figura 1</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar da depend&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, nas duas &aacute;reas, o papel dos operadores &#150; cientistas e cineastas &#150; permanece crucial. Enquanto o cineasta utiliza a tecnologia com   o objetivo final de estabelecer um di&aacute;logo com o p&uacute;blico, o cientista emprega instrumentos para tornar tang&iacute;veis fen&ocirc;menos intang&iacute;veis, permitindo sua an&aacute;lise mais profunda. Embora seus objetivos difiram, arte e ci&ecirc;ncia aqui representadas dependem fundamentalmente da interpreta&ccedil;&atilde;o e criatividade humana.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No cinema, a &ldquo;realidade&rdquo; filmada &eacute; sempre constru&iacute;da (enquadramento, cortes, ilumina&ccedil;&atilde;o). Na qu&acirc;ntica, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel estabelecer um   racioc&iacute;nio semelhante, a partir do princ&iacute;pio da complementariedade proposto por Bohr em 1927, que estabeleceu que o comportamento dos objetos qu&acirc;nticos (manifestando-se como onda ou part&iacute;cula) estava indissociavelmente vinculado ao aparato experimental utilizado. Nessa vis&atilde;o, o observador deixava de ser um agente passivo para tornar-se parte constitutiva do fen&ocirc;meno: sua escolha de medi&ccedil;&atilde;o determina qual aspecto da realidade qu&acirc;ntica se manifestar&aacute;. Essa depend&ecirc;ncia de media&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e o papel dos observadores/construtores desafiam no&ccedil;&otilde;es ing&ecirc;nuas de realismo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Gram&aacute;ticas da invisibilidade: Linguagens e rupturas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O desenvolvimento da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX foi marcado por formula&ccedil;&otilde;es complementares. Em 1925, Heisenberg prop&ocirc;s a mec&acirc;nica matricial, descrevendo fen&ocirc;menos qu&acirc;nticos com operadores n&atilde;o comutativos. Pouco antes, De Broglie sugerira que part&iacute;culas como el&eacute;trons possu&iacute;am propriedades ondulat&oacute;rias,   e em 1926 Schr&ouml;dinger desenvolveu a equa&ccedil;&atilde;o de onda, reinterpretada por Max Born como amplitude de probabilidade, estabelecendo o car&aacute;ter estat&iacute;stico da teoria. Em   1927, Heisenberg sintetizou essas ideias no princ&iacute;pio da incerteza, mostrando que vari&aacute;veis conjugadas n&atilde;o podem ser determinadas simultaneamente com precis&atilde;o absoluta.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;Como, ent&atilde;o, jogar luz naquilo que n&atilde;o &eacute; percebido por  nossos sentidos, em  nossas experi&ecirc;ncias cotidianas?&rdquo;</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O debate avan&ccedil;ou em 1935 com o paradoxo EPR (Einstein-Podolsky-Rosen), que questionava a completude da teoria qu&acirc;ntica ao apontar correla&ccedil;&otilde;es &ldquo;fantasmag&oacute;ricas&rdquo; entre part&iacute;culas emaranhadas. Essa cr&iacute;tica s&oacute; seria superada em 1964, quando John Bell formulou seu teorema, demonstrando que qualquer teoria de vari&aacute;veis ocultas locais   produziria previs&otilde;es incompat&iacute;veis com a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica. A verifica&ccedil;&atilde;o experimental dos efeitos de Bell, realizada por Alain Aspect em 1982, refor&ccedil;ou a interpreta&ccedil;&atilde;o de Copenhague e descartou o realismo local.<sup>[[v],[vi],[vii]]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O cinema tamb&eacute;m teve sua gram&aacute;tica desenvolvida paulatinamente. No <i>primeiro cinema</i>,<sup>[[viii]]</sup> entre o final do s&eacute;culo XIX e o in&iacute;cio do XX, prevaleciam registros experimentais sem   linguagem pr&oacute;pria. Posteriormente, movimentos como o Expressionismo, o Neorrealismo, a Nouvelle Vague e o Cinema Novo expandiram as possibilidades narrativas e est&eacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Um dos elementos estruturantes dessa linguagem foi o conceito de montagem, que pode ser compreendido como a constru&ccedil;&atilde;o do discurso f&iacute;lmico pela articula&ccedil;&atilde;o entre planos.<sup>[[ix]]</sup> A teoria da montagem sovi&eacute;tica, desenvolvida nas d&eacute;cadas de 1920 e 1930, foi fundamental nesse processo. Lev Kulechov demonstrou, com o chamado Efeito Kulechov,   como a ordem dos planos altera a percep&ccedil;&atilde;o do espectador. Serguei Eisenstein prop&ocirc;s uma montagem dial&eacute;tica baseada no choque de imagens para provocar reflex&atilde;o, enquanto Dziga Vertov via o cinema como reinterpreta&ccedil;&atilde;o ativa da realidade.<sup>[[x]]</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim como o teorema de Bell enterrou o realismo local na qu&acirc;ntica, a teoria da montagem desmontou a ilus&atilde;o   da c&acirc;mera como janela transparente para o mundo. Ambos os campos ressignificaram causalidades cl&aacute;ssicas: na qu&acirc;ntica, pela n&atilde;o localidade das part&iacute;culas; no   cinema, pela n&atilde;o linearidade da narrativa. Al&eacute;m disso, a n&atilde;o comutatividade, central na mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, tamb&eacute;m se manifesta no cinema: a sequ&ecirc;ncia   dos planos altera a estrutura e o sentido do filme.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Encantamento e letramento: Desafios contempor&acirc;neos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Diversos filmes exploram conceitos qu&acirc;nticos com abordagens distintas. Exemplos de produ&ccedil;&otilde;es desse tipo incluem obras como &ldquo;<i>Coer&ecirc;ncia</i>&rdquo; (2013),&ldquo;<i>Interestelar</i>&rdquo; (2014) e &ldquo;<i>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</i>&rdquo; (2022), vencedor do Oscar de melhor filme, todos tidos como obras de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, g&ecirc;nero marcado pela presen&ccedil;a dominante de um <i>novum</i> &#150; uma inova&ccedil;&atilde;o cognitiva que, validada por uma l&oacute;gica interna, introduz uma novidade imaginativa no universo do espectador/leitor.<sup>[[xi]]</sup> Essa defini&ccedil;&atilde;o aplica-se perfeitamente &agrave; representa&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica no cinema. O <i>novum</i>, ou estranhamento, &eacute; usualmente dado por um elemento especulativo de interesse popular, como viagem no tempo   e multiversos. J&aacute; a racionalidade que conecta o espectador com a narrativa, possibilitando sua identifica&ccedil;&atilde;o com ela,&eacute; dada pela fundamenta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica das bases da f&iacute;sica (<a href="#fig02">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v77n2/a12fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Seja qual for o n&iacute;vel de fidelidade &agrave;s ci&ecirc;ncias, filmes de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica cativam amplas audi&ecirc;ncias. &Eacute; cab&iacute;vel, portanto, a pergunta: por que   atraem tanto? Diante da complexidade dessa discuss&atilde;o, acreditamos que, inicialmente, a qu&acirc;ntica oferece um raro misto de assombro intelectual e possibilidade radical. Esses filmes exploram algo profundamente sedutor &#150; a promessa de que a realidade &eacute; mais estranha, mais male&aacute;vel e mais cheia de potencial do que nossos sentidos sugerem. O sucesso de audi&ecirc;ncia revela um   desejo duplo: compreender o incompreens&iacute;vel e escapar dos limites do mundo tradicional, mesmo que atrav&eacute;s de met&aacute;foras imperfeitas. Outro aspecto a ser considerado &eacute; que cinema   e f&iacute;sica qu&acirc;ntica compartilham outro elemento: ambos despertam o encantamento.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>&ldquo;A qu&acirc;ntica oferece um raro misto de assombro intelectual e possibilidade radical.&rdquo;</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Celebrar o Ano Internacional da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia Qu&acirc;nticas &eacute; tamb&eacute;m reconhecer que, entre equa&ccedil;&otilde;es e imagens, entre experimentos e narrativas, reside   um impulso comum: o desejo humano de decifrar e &ldquo;reencantar&rdquo; a realidade. Contudo, nem todo encantamento &eacute; ben&eacute;fico. Ao contr&aacute;rio, quando acr&iacute;tico, possibilita   a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o, tornando-se feiti&ccedil;o para fins question&aacute;veis. Vemos isso, por exemplo, no chamado &ldquo;misticismo qu&acirc;ntico&rdquo; (Pessoa Junior, 2011),<sup>[[xii]]</sup> em que conceitos como emaranhamento e superposi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o esvaziados para justificar pseudoci&ecirc;ncias, como terapias &ldquo;qu&acirc;nticas&rdquo; e teorias de pensamento positivo. O perigo reside na sedu&ccedil;&atilde;o do jarg&atilde;o cient&iacute;fico distorcido: cria-se uma ilus&atilde;o de credibilidade que pode enganar at&eacute; p&uacute;blicos escolarizados. Como alerta Pessoa Junior, o verdadeiro conhecimento qu&acirc;ntico exige rigor matem&aacute;tico e experimental, n&atilde;o analogias simplistas. No cinema, a aus&ecirc;ncia de letramento midi&aacute;tico pode levar &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o acr&iacute;tica de vers&otilde;es distorcidas da realidade, moldando subjetividades e percep&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas. Em s&iacute;ntese, tanto o cinema quanto a f&iacute;sica qu&acirc;ntica mostram que o mundo &eacute; mais complexo do que nossos sentidos alcan&ccedil;am &#150; mas tamb&eacute;m nos alertam que &ldquo;ver&rdquo; sem compreender pode ser perigoso.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, imp&otilde;e-se o desafio de fortalecer o letramento cient&iacute;fico e midi&aacute;tico. Em tempos de negacionismo cient&iacute;fico, a aproxima&ccedil;&atilde;o entre f&iacute;sica   qu&acirc;ntica e cinema pode se revelar uma estrat&eacute;gia pedag&oacute;gica poderosa. O encantamento, ent&atilde;o, deve ser cultivado n&atilde;o como um atalho para o obscurantismo, mas como um   portal para a reflex&atilde;o cr&iacute;tica.</font></p>      ]]></body>

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