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<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.48207/2317-6660.20260004</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Música na escola: um corpo/coro criativo]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Ceará Ensino Básico, Técnico e Tecnológico ]]></institution>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Coro]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Corporeidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Transdisciplinaridade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Educação Musical]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana">10.48207/2317&#45;6660.20260004</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>M&uacute;sica na escola: um corpo/coro criativo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"> <b>Erwin Schrader<sup>I</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>I</sup>Professor doutor titular do Ensino   B&aacute;sico, T&eacute;cnico e Tecnol&oacute;gico da Universidade Federal do Cear&aacute;. Atua na &aacute;rea de   Educa&ccedil;&atilde;o Musical e Artes, com &ecirc;nfase em canto coral, express&atilde;o corporal,   percuss&atilde;o brasileira e letramento musical, desenvolvendo pesquisas em pr&aacute;ticas   art&iacute;sticas transdisciplinares no contexto escolar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Resumo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O artigo propõe uma reflex&atilde;o sens&iacute;vel e cr&iacute;tica sobre a   presen&ccedil;a da m&uacute;sica na escola brasileira, tomando o corpo como eixo central da   aprendizagem art&iacute;stico&#45;musical. Parte da compreens&atilde;o de que a educa&ccedil;&atilde;o musical   se construiu historicamente entre perman&ecirc;ncias e deslocamentos, atravessando   projetos catequ&eacute;ticos, modelos conservatoriais, iniciativas nacionalistas e   propostas experimentais. Ao revisitar marcos como o Canto Orfe&ocirc;nico, os M&eacute;todos   Ativos e as pedagogias da cria&ccedil;&atilde;o sonora, o texto evidencia como o corpo &#151;   muitas vezes silenciado ou instrumentalizado &#151; permaneceu como matriz   expressiva fundamental. Em di&aacute;logo com diferentes linguagens art&iacute;sticas,   defende&#45;se a no&ccedil;&atilde;o de uma epistemologia do sentir, na qual aprender m&uacute;sica   implica escutar, mover&#45;se, criar e conviver. Nesse horizonte, apresenta&#45;se o   conceito de corpo/coro criativo como territ&oacute;rio coletivo de produ&ccedil;&atilde;o de   sentidos, capaz de articular voz, gesto, palavra, visualidade, espa&ccedil;os,   tecnologias e espiritualidade. O artigo problematiza a fragmenta&ccedil;&atilde;o curricular   e aponta a necessidade de caminhos did&aacute;ticos transdisciplinares que integrem   aprecia&ccedil;&atilde;o, composi&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o, sustentados por ferramentas   art&iacute;stico&#45;pedag&oacute;gicas sistematizadas. Ao reunir contribui&ccedil;ões da educa&ccedil;&atilde;o, das   artes e da filosofia, o texto afirma a m&uacute;sica como pr&aacute;tica relacional e   experi&ecirc;ncia viva, capaz de ampliar compet&ecirc;ncias criativas, comunicativas e   afetivas. Conclui&#45;se que repensar a educa&ccedil;&atilde;o musical a partir do corpo/coro   criativo constitui uma resposta potente &agrave;s demandas contempor&acirc;neas da escola,   recolocando o sens&iacute;vel, a imagina&ccedil;&atilde;o e o sentir no centro dos processos   formativos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Palavras&#45;Chave:</b> Coro; Corporeidade;   Transdisciplinaridade; Educa&ccedil;&atilde;o Musical.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O territ&oacute;rio sens&iacute;vel da escola</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No compasso das horas escolares, onde o pensamento pulsa entre   aulas disciplinadas e o riso ecoa pelos intervalos, existe um territ&oacute;rio quase   invis&iacute;vel &#151; um lugar onde apenas as artes e a m&uacute;sica ousam habitar com   delicadeza: o espa&ccedil;o do sentir, do imaginar, do aprender pelo corpo sonoro   criativo. Um corpo musical desperto, atento e livre, em sintonia com m&uacute;ltiplas   formas de representa&ccedil;&atilde;o de sentidos a partir das linguagens art&iacute;sticas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A presen&ccedil;a da m&uacute;sica na escola brasileira atravessou   transforma&ccedil;ões profundas na hist&oacute;ria, acompanhando as mudan&ccedil;as sociais,   culturais e educacionais. Antes restrito e pouco atento &agrave; diversidade, o ensino   musical hoje precisa reinventar pr&aacute;ticas diante da heterogeneidade cultural,   dialogando com tend&ecirc;ncias globais, redes sociais e o cotidiano escolar. Assim,   falar de m&uacute;sica na escola, &eacute; falar   de conviv&ecirc;ncia, express&atilde;o sonora e escuta como modos de aprender e compreender   o mundo. &Eacute; reconhecer o som em di&aacute;logo com outras artes, abrindo espa&ccedil;o para   que jovens explorem e revelem suas subjetividades e afetos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse entrela&ccedil;amento de linguagens art&iacute;sticas &#151; m&uacute;sica, dan&ccedil;a,   teatro e artes visuais &#151; que permeia os curr&iacute;culos escolares atuais, torna&#45;se   indispens&aacute;vel revisitar o papel daquele que, tantas vezes, passa despercebido:   o corpo. N&atilde;o o corpo discente reduzido a estat&iacute;sticas, registros e protocolos   institucionais, mas um corpo art&iacute;stico&#45;musical, sens&iacute;vel e expressivo, que   sustenta a constru&ccedil;&atilde;o de significados e a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Nele, as   opera&ccedil;ões cognitivas se incorporam e se entrela&ccedil;am aos elementos da vida   cotidiana, revelando uma rede complexa de percep&ccedil;ões, mem&oacute;rias e experi&ecirc;ncias.<sup>&#91;1&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando pensamos em corpo, m&uacute;sica, escola, gestamos uma   epistemologia do sentir, em que o corpo deixa de ser mero reposit&oacute;rio de   informa&ccedil;ões sonoras ou habilidades t&eacute;cnicas, tornando&#45;se raiz sens&iacute;vel da   aprendizagem art&iacute;stico&#45;musical. Como descreve Silvino (2007),<sup>&#91;2&#93;</sup> um   meio onde o saber pulsa, vibra e toma forma, habitando o esp&iacute;rito criador que   duvida, procura, investiga e pesquisa as dimensões da experi&ecirc;ncia sonora   humana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Temporalidades da experi&ecirc;ncia musical na educa&ccedil;&atilde;o   brasileira</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A hist&oacute;ria do ensino musical no Brasil &eacute; uma ciranda que se   reinventa entre ecos coloniais e culturas mesti&ccedil;as, em que leis e m&eacute;todos   disputam sentidos, enquanto o corpo sonoro, nascido da oralidade comunit&aacute;ria,   persiste como matriz dos saberes h&iacute;bridos herdados de culturas ind&iacute;genas,   africanas e europeias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O primeiro projeto sistem&aacute;tico de ensino musical no Brasil   surgiu com os jesu&iacute;tas no s&eacute;culo XVI, articulado &agrave; catequiza&ccedil;&atilde;o. Ensinava&#45;se   "ler, escrever, contar, cantar e tanger",<sup>&#91;3&#93;</sup> instaurando uma   pedagogia marcada pela imposi&ccedil;&atilde;o cultural e pela centralidade da escrita   musical europeia. Esse modelo racionalizado deixaria marcas duradouras nos   marcos legais e nas institui&ccedil;ões educacionais brasileiras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No s&eacute;culo XIX, a legisla&ccedil;&atilde;o, pela primeira vez, passou a   reconhecer a m&uacute;sica na educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica,   sobretudo o canto, concebido como pr&aacute;tica estruturante da forma&ccedil;&atilde;o. Esse avan&ccedil;o, por&eacute;m, coexistiu   com as exclusões sociais de um Brasil imp&eacute;rio e com a   consolida&ccedil;&atilde;o do ensino conservatorial, fortalecido atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o do   Imperial Conservat&oacute;rio do Rio de Janeiro. Nele, o modelo de ensino baseado na   t&eacute;cnica, na nota&ccedil;&atilde;o e na reprodu&ccedil;&atilde;o de repert&oacute;rios europeus, consolidou o   chamado "<i>habitus</i> conservatorial",<sup>&#91;4&#93;</sup> que naturalizou hierarquias culturais e   restringiu a pluralidade de processos musicais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O in&iacute;cio do s&eacute;culo XX inaugurou uma paisagem sonora marcada   pela diversidade e entrela&ccedil;amento de mundos musicais. Entre batuques   ancestrais, violões chorosos, sanfonas sentidas e uma "pianolatria"   disciplinada, a voz emergiu como eixo agregador para a musicaliza&ccedil;&atilde;o no   contexto escolar. O Canto Orfe&ocirc;nico, idealizado por Heitor Villa&#45;Lobos,   afirmou&#45;se como projeto pedag&oacute;gico de grande escala ao eleger o canto coletivo   como experi&ecirc;ncia central, visando democratizar o acesso &agrave; m&uacute;sica e forjar uma   identidade sonora nacional, articulando m&uacute;sica, moral e civismo.<sup>&#91;5&#93;</sup> Ainda que estruturado por princ&iacute;pios disciplinares e t&eacute;cnicas herdadas do   modelo conservatorial europeu, o orfeonismo permitiu que milhares de estudantes   vivenciassem a produ&ccedil;&atilde;o musical a partir do pr&oacute;prio corpo. Seu legado, ainda   hoje percept&iacute;vel nas pr&aacute;ticas docentes, revela como a educa&ccedil;&atilde;o musical   brasileira se construiu, fazendo do corpo&#45;voz um lugar de mem&oacute;ria e resson&acirc;ncia   coletiva. (<a href="#fig01">Figura 1</a>)</font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a04fig01.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Falar de m&uacute;sica na escola, &eacute; falar de conviv&ecirc;ncia,   express&atilde;o sonora e escuta como modos de aprender e compreender o mundo."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Na primeira metade do s&eacute;culo XX, o ensino de m&uacute;sica nas escolas   brasileiras seguia normas tradicionais, enquanto o pensamento musical   euro&#45;ocidental j&aacute; ensaiava rupturas est&eacute;ticas e pedag&oacute;gicas. A cria&ccedil;&atilde;o   tornava&#45;se experimental, desafiava conven&ccedil;ões, revisitava sonoridades ditas   primitivas e buscava novas complexidades expressivas. No campo educacional, o   ide&aacute;rio da Escola Nova anunciava uma inflex&atilde;o decisiva ao defender uma   pedagogia fundada na experi&ecirc;ncia da crian&ccedil;a, entendida como processo vivo, nutrido   pelas t&eacute;cnicas cognitivas elaboradas historicamente pela humanidade.<sup>&#91;6&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Eacute; nesse horizonte que emergem os chamados M&eacute;todos Ativos &#151; Dalcroze, Kod&aacute;ly, Willems e Orff, deslocando o centro   da aprendizagem musical da abstra&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica para a experi&ecirc;ncia direta.<sup>&#91;7&#93;</sup> Ritmo, movimento, escuta, improvisa&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o passam a constituir o n&uacute;cleo   do fazer pedag&oacute;gico, invertendo a l&oacute;gica teoria/pr&aacute;tica e reconhecendo a m&uacute;sica   como a&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel, ao evitar a centralidade da teoria e de exerc&iacute;cios   descontextualizados, como analisa Figueiredo (2012).<sup>&#91;8&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Entre esses educadores, &Eacute;mile Jaques&#45;Dalcroze destaca&#45;se ao   afirmar que o fen&ocirc;meno musical &eacute; indissoci&aacute;vel do corpo. Em sua <i>Eurhythmie </i>defendia   que ritmo, pulsa&ccedil;&atilde;o e fraseado fossem vivenciados fisicamente antes de serem   conceituados, integrando escuta, coordena&ccedil;&atilde;o motora e gesto expressivo. Para o   autor, a musicalidade resulta da articula&ccedil;&atilde;o entre percep&ccedil;&atilde;o sonora, voz e   consci&ecirc;ncia r&iacute;tmica corporal, fazendo do aprendizado uma experi&ecirc;ncia   cinest&eacute;sica em que gesto e som se relacionam mutuamente.<sup>&#91;9&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Contudo, essa primeira gera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o rompeu com o repert&oacute;rio   europeu nem com a concep&ccedil;&atilde;o de que a aptid&atilde;o musical &eacute; uma capacidade   inata, herdada do paradigma conservatorial. Como aponta Nassif (2022),<sup>&#91;7&#93;</sup> tratava&#45;se menos de pesquisadores do que de m&uacute;sicos atentos &agrave;s discussões   pedag&oacute;gicas, cujas pr&aacute;ticas permaneceram empiristas e pouco sistematizadas. A   principal contribui&ccedil;&atilde;o dos M&eacute;todos Ativos residiu, portanto, n&atilde;o na revis&atilde;o do   c&oacute;digo musical, mas no modo de acesso a ele: ativo, corporal e experiencial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do mil&ecirc;nio, enquanto pol&iacute;ticas educacionais   dilu&iacute;am a m&uacute;sica no campo gen&eacute;rico da Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica, uma segunda gera&ccedil;&atilde;o   de educadores, inspirada pelas vanguardas e pela m&uacute;sica nova, passou a defender   o experimentalismo, a escuta ampliada e a cria&ccedil;&atilde;o a partir de m&uacute;ltiplas fontes   sonoras. Em propostas como as de John Paynter e Murray Schafer, a m&uacute;sica   dialoga organicamente com a palavra, o corpo e as artes visuais, numa   "conflu&ecirc;ncia das artes" compar&aacute;vel aos "tribut&aacute;rios de um rio".<sup>&#91;10&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Compreender essa trajet&oacute;ria revela que o ensino de m&uacute;sica no   Brasil se construiu entre perman&ecirc;ncias e deslocamentos. Repens&aacute;&#45;lo hoje exige   romper com paradigmas &uacute;nicos, reconhecer a diversidade cultural brasileira e   situar a m&uacute;sica no fluxo mais amplo das artes, como pr&aacute;tica relacional,   sensorial e transdisciplinar. Toda sonoridade &#151; do canto &agrave; percuss&atilde;o, do corpo &agrave;s tecnologias &#151; nasce conectada a formas plurais de   perceber e recriar o mundo. &Eacute; desse   ponto de escuta que abrimos questões para caminhos did&aacute;ticos futuros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O corpo/coro criativo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Aprender m&uacute;sica a partir do corpo &eacute; uma experi&ecirc;ncia ancestral   que atravessa gera&ccedil;ões e culturas. Antes de m&eacute;todos e curr&iacute;culos, o corpo j&aacute;   era fonte sonora primordial: pulsava, marcava ritmos, transformava sons em   linguagem e convertia melodias em gestos travestidos de visualidades. No   Brasil, a hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o musical tamb&eacute;m narra os destinos desse corpo   sonoro, individual e coletivo, ora acolhido, ora moldado ou silenciado por   pol&iacute;ticas educacionais e projetos de coloniza&ccedil;&atilde;o cultural. Entre a execu&ccedil;&atilde;o   t&eacute;cnica e a inven&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica, o corpo foi, em certos contextos do ensino   formal, reduzido a mero reprodutor de malabarismos sonoros, obscurecendo sua   potencialidade como protagonista de experi&ecirc;ncias criativas, capaz de produzir e   vivenciar musicalidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">No contexto educacional   brasileiro, a organiza&ccedil;&atilde;o curricular tem sido marcada por uma estrutura   segmentada e desarticulada. Grande parte dos curr&iacute;culos escolares e at&eacute; mesmo   universit&aacute;rios s&atilde;o concebidos como compartimentos fechados, isolados, desiguais   e distantes das realidades sociais, produzindo uma forma&ccedil;&atilde;o insatisfat&oacute;ria para   os alunos e futuros professores, deixando&#45;os despreparados para lidar com as   pr&aacute;ticas educacionais que exigem constantemente compet&ecirc;ncias articuladas e   muita criatividade. Segundo Morin (2008),<sup>&#91;11&#93;</sup> a produ&ccedil;&atilde;o de   conhecimento tem sido caracterizada por uma fragmenta&ccedil;&atilde;o excessiva em   disciplinas especializadas, alicer&ccedil;adas em pilares da ordem, da separatividade,   da raz&atilde;o e da desconsidera&ccedil;&atilde;o da subjetividade, ignorando a complexidade e a   interdepend&ecirc;ncia dos fen&ocirc;menos estudados. (<a href="#fig02">Figura 2</a>)</font></p>     <p><a name="fig02"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a04fig02.jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Diante das demandas contempor&acirc;neas, intensificadas pelos   ambientes virtuais e pelas tecnologias digitais, os educadores de arte,   especialmente os professores de m&uacute;sica, s&atilde;o desafiados a articular teoria e   pr&aacute;tica de forma contextualizada e socialmente significativa, promovendo   conexões entre saberes vitais e saberes disciplinares, acad&ecirc;micos e n&atilde;o   acad&ecirc;micos.<sup>&#91;12&#93;</sup> Nesse horizonte, a did&aacute;tica e as a&ccedil;ões pedag&oacute;gicas   demandam uma abordagem que integre estrat&eacute;gias de aprendizagem diversas,   orientadas ao desenvolvimento de compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas, afetivas e criativas,   organizadas a partir do que entendemos como tr&ecirc;s pressupostos orientadores para   uma epistemologia do sentir.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O primeiro pressuposto orienta a compreens&atilde;o da aprendizagem   como <i>experi&ecirc;ncia </i>efetivamente   significativa. Nessa perspectiva, o professor atua como mediador e o aluno como   sujeito construtor do conhecimento, entendendo a experi&ecirc;ncia como um territ&oacute;rio   de passagem sens&iacute;vel, no qual o que acontece afeta, produz afetos, inscreve   marcas e deixa vest&iacute;gios, conforme propõe Bond&iacute;a (2002).<sup>&#91;13&#93;</sup> Trata&#45;se de um sujeito "ex&#45;posto", atravessado pelos acontecimentos e   transformado por eles.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O segundo pressuposto refere&#45;se &agrave; atualiza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas   educativas n&atilde;o apenas para responder &agrave;s demandas de um mundo digital   midiatizado, mas tamb&eacute;m para instaurar a&ccedil;ões no mundo f&iacute;sico e concreto,   capazes de equilibrar o uso excessivo de ferramentas virtuais. Nesse contexto,   o <i>encontro</i> assume papel central. Para Periss&eacute; (2016),<sup>&#91;14&#93;</sup> ele constitui um   campo de "jogo" e de interc&acirc;mbios enriquecedores, no qual se experimenta a   liberdade e se amadurece humanamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O terceiro pressuposto reflete sobre modos de conduzir   experi&ecirc;ncias musicais e art&iacute;sticas que ampliem as compet&ecirc;ncias profissionais de   artistas&#45;pesquisadores&#45;docentes. Em di&aacute;logo com os anteriores, sustenta que   tais compet&ecirc;ncias se fundamentam na compreens&atilde;o cr&iacute;tica das novas tecnologias,   na abertura &agrave;s mudan&ccedil;as e na <i>articula&ccedil;&atilde;o</i> de uma aprendizagem musical viva com outras linguagens art&iacute;sticas, como teatro,   dan&ccedil;a, literatura, e artes visuais. Tal articula&ccedil;&atilde;o desloca o ensino da m&uacute;sica   de um campo isolado para um territ&oacute;rio de conflu&ecirc;ncias, no qual a cria&ccedil;&atilde;o   emerge do di&aacute;logo entre diferentes modos de express&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"A m&uacute;sica segue a florescer no cotidiano escolar: n&atilde;o como   um conte&uacute;do te&oacute;rico a cumprir, mas como experi&ecirc;ncia que atravessa o dia e faz   da escola um lugar no qual o corpo, a imagina&ccedil;&atilde;o e o afeto transitam em   harmonia."</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">De acordo com a Lei nº 13.278/2016,<sup>&#91;15&#93;</sup> que   consolida o ensino de artes como componente curricular obrigat&oacute;rio da educa&ccedil;&atilde;o   b&aacute;sica, refor&ccedil;a&#45;se a necessidade de uma postura interdisciplinar no &acirc;mbito   escolar. A aprendizagem musical passa a integrar aulas de artes que contemplam   m&uacute;ltiplas linguagens, demandando dos professores uma atua&ccedil;&atilde;o plurissemi&oacute;tica.   Nesse contexto, a pr&aacute;tica docente implica em um compromisso cont&iacute;nuo com a   constru&ccedil;&atilde;o do que Bond&iacute;a (2002)<sup>&#91;13&#93;</sup> define como   "experi&ecirc;ncia/sentido", ou seja, a atribui&ccedil;&atilde;o de significado ao que somos, ao   que nos acontece e &agrave; maneira como nos posicionamos diante de n&oacute;s mesmos, dos   outros e do mundo. A reorganiza&ccedil;&atilde;o dos saberes musicais, orientada por novas   din&acirc;micas educativas, implica compreender o conhecimento musical como parte de   "redes de cria&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o de obras de arte".<sup>&#91;16&#93;</sup></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Nesse horizonte, propomos caminhos did&aacute;ticos transdisciplinares   que articulam aprecia&ccedil;&atilde;o, composi&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o, tomando como eixo um   corpo/coro criativo e considerando, a priori, sete "formas de representa&ccedil;&atilde;o de   sentidos".<sup>&#91;17&#93;</sup> Tais formas emergem de elementos que estruturam as   obras de arte, a partir de emo&ccedil;ões e mem&oacute;rias, permitindo a express&atilde;o pela:   cria&ccedil;&atilde;o de sonoridades por meio da voz, do canto e da percuss&atilde;o corporal;   cria&ccedil;&atilde;o de textos atrav&eacute;s da palavra falada; cria&ccedil;&atilde;o de movimentos por gestos e   cinesia; produ&ccedil;&atilde;o de visualidades por meio de materialidades vest&iacute;veis;   organiza&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os e rela&ccedil;ões corporais; integra&ccedil;&atilde;o de tecnologias de   representa&ccedil;&atilde;o multimodal; e pelo desenvolvimento da espiritualidade como   conex&atilde;o com valores existenciais, interligando &agrave;s demais formas de   representa&ccedil;&atilde;o de sentidos. Podemos ainda mencionar duas formas pouco exploradas   na contemporaneidade: a cria&ccedil;&atilde;o de sabores, atrav&eacute;s da gastronomia, e a cria&ccedil;&atilde;o   de aromas, via arte olfativa.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para sustentar essa abordagem, postulamos o corpo/coro como   fonte principal da express&atilde;o art&iacute;stico&#45;musical. Eymess (2016)<sup>&#91;18&#93;</sup> define o "coro" como um coletivo que, ao mesmo tempo, atua como agente unit&aacute;rio   e comunica uma a&ccedil;&atilde;o conjunta. Assim, o termo &eacute; empregado para caracterizar a   representa&ccedil;&atilde;o coletiva de m&uacute;ltiplos corpos em express&atilde;o. A concep&ccedil;&atilde;o de   corpo/coro como elemento central poi&eacute;tico – termo que deriva do grego antigo <i>poi&#275;tikos</i>,   que significa criativo –emerge, ainda, como resposta a contextos escolares   brasileiros frequentemente marcados por precariedades estruturais,   especialmente nas aulas de m&uacute;sica, nas quais a escassez de instrumentos   evidencia a necessidade de pr&aacute;ticas criativas ancoradas no corpo como matriz   expressiva compartilhada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma abordagem did&aacute;tica para o desenvolvimento de um <i>corpo/coro</i> criativo tamb&eacute;m pressupõe o acolhimento de din&acirc;micas e viv&ecirc;ncias que contenham   est&iacute;mulos para evocar a atividade cognitiva dos alunos a partir de seus   discursos interiores, fazendo&#45;se uso de dispositivos concretos estruturantes   para a express&atilde;o de suas experi&ecirc;ncias pessoais e em grupo. Para tanto, jogos e   viv&ecirc;ncias que envolvem n&atilde;o somente a m&uacute;sica, mas tamb&eacute;m outras formas de   express&atilde;o art&iacute;stica, podem ser sobrepostas e, ao mesmo tempo, transversais com   o intuito de incentivar a intera&ccedil;&atilde;o entre as diferentes formas de linguagem e   potencializar a cria&ccedil;&atilde;o de significados pr&oacute;prios e, ao mesmo tempo, coletivos   em uma experi&ecirc;ncia de arte viva.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="verdana"><b>"Toda sonoridade &#151; do canto &agrave; percuss&atilde;o, do corpo &agrave;s   tecnologias &#151; nasce conectada a formas plurais de perceber e recriar o mundo."</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Face &agrave; car&ecirc;ncia de   abordagens dessa natureza, que integrem a aprendizagem musical &agrave;s demais artes,   especialmente no que se refere &agrave; sistematiza&ccedil;&atilde;o de ferramentas   art&iacute;stico&#45;pedag&oacute;gicas, seus conte&uacute;dos, objetivos e organiza&ccedil;&atilde;o das viv&ecirc;ncias,   sugerimos revisitar contribui&ccedil;ões de artistas&#45;educadores, que em suas   trajet&oacute;rias, apontaram perspectivas interdisciplinares ressignificando seus   conte&uacute;dos e m&eacute;todos para tornar a aprendizagem de um corpo/coro musical   abrangente e integrada, em uma perspectiva transdisciplinar junto &agrave;s demais   linguagens art&iacute;sticas. Alguns exemplos s&atilde;o as no&ccedil;ões de "Dom&iacute;nio do Movimento",<sup>&#91;19&#93;</sup> o processo de "Contato Improvisa&ccedil;&atilde;o",<sup>&#91;20&#93;</sup> as pr&aacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o   Som&aacute;tica<sup>&#91;21&#93;</sup> e os "Six Viewpoints"<sup>&#91;22&#93;</sup> favorecem uma   percep&ccedil;&atilde;o relacional do corpo consigo, com o outro e com o espa&ccedil;o. Na dimens&atilde;o   vocal, a redescoberta da voz, inspirada na <i>Escola do Desvendar da   Voz,<sup>&#91;23&#93;</sup></i> convoca o "esquecido sentido da escuta", abrindo   caminhos para uma vocalidade inventiva e expressiva, em di&aacute;logo com a   "combina&ccedil;&atilde;o de fonemas como sugest&atilde;o de sonoridade".<sup>&#91;24&#93;</sup> As   contribui&ccedil;ões de Nketia (1974)<sup>&#91;25&#93;</sup> ampliam a compreens&atilde;o dos   sistemas r&iacute;tmicos impl&iacute;citos e das categorias cognitivas da percuss&atilde;o africana   a partir de c&oacute;digos musicais n&atilde;o euroc&ecirc;ntricos. Na palavra, Bakhtin (1999)<sup>&#91;26&#93;</sup> e Zumthor (1993)<sup>&#91;27&#93;</sup> nos lembram que o pensamento se torna sens&iacute;vel   quando ganha o som das palavras. No campo visual e espacial, Barthes (2009)<sup>&#91;28&#93;</sup> l&ecirc; o vestu&aacute;rio como linguagem, enquanto Oiticica (apud FAVARETTO, 2000)<sup>&#91;29&#93;</sup> e Marinho (2020)<sup>&#91;30&#93;</sup> instauram experi&ecirc;ncias participativas de vestir, habitar e criar   espacialidades.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A raz&atilde;o pela qual propomos a   no&ccedil;&atilde;o de caminhos did&aacute;ticos transdisciplinares de aprendizagem musical a partir   de um corpo/coro criativo reside na escassez de estudos que articulem a m&uacute;sica   &agrave;s demais linguagens art&iacute;sticas. Essa lacuna aponta para a necessidade de   didatizar ferramentas art&iacute;stico&#45;pedag&oacute;gicas capazes de sustentar pr&aacute;ticas inter   e transdisciplinares, organizando conte&uacute;dos, objetivos, modos de enuncia&ccedil;&atilde;o,   sequ&ecirc;ncias de viv&ecirc;ncias e crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o. Encontrar tais ferramentas   implica reconhecer dispositivos que ampliam compet&ecirc;ncias comunicativas por meio   da express&atilde;o pessoal e coletiva, situando o corpo/coro criativo como fonte   central de cria&ccedil;&atilde;o e de representa&ccedil;&atilde;o de sentidos, mediando a transmiss&atilde;o e a   ressignifica&ccedil;&atilde;o de afetos, pensamentos e modos de agir na experi&ecirc;ncia art&iacute;stica   compartilhada. (<a href="#fig03">Figura 3</a>)</font></p>     <p><a name="fig03"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v78n1/a04fig03.jpg"></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>O que permanece em jogo</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">&Agrave; luz de caminhos   did&aacute;ticos transdisciplinares, compreender a trajet&oacute;ria da   educa&ccedil;&atilde;o musical torna&#45;se condi&ccedil;&atilde;o   essencial para enfrentar os desafios   do presente. Em meio &agrave; enxurrada de dados das redes, da internet e da   intelig&ecirc;ncia artificial, o corpo/coro criativo afirma&#45;se como resposta sens&iacute;vel   e cr&iacute;tica, convocando uma virada cultural que relativiza as fronteiras entre   ci&ecirc;ncia e arte. A m&uacute;sica segue a florescer no cotidiano escolar: n&atilde;o como um   conte&uacute;do te&oacute;rico a cumprir, mas como experi&ecirc;ncia que atravessa o dia e faz da   escola um lugar no qual o corpo, a imagina&ccedil;&atilde;o e o afeto transitam em harmonia,   revelando melodias, ritmos, gestos, cores, palavras, dimensões, imagens,   espiritualidade e intimidade com os espa&ccedil;os da vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;1&#93; MAGELA, Andr&eacute;   Luiz Lopes. Da artesania teatral &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade: educa&ccedil;&atilde;o e   agenciamento em tempos de cat&aacute;strofe. S&atilde;o Paulo: Hucitec, 2023.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143458&pid=S0009-6725202600010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;2&#93; SILVINO, Iza&iacute;ra. Ah, se eu tivesse asas. Fortaleza: Express&atilde;o   Gr&aacute;fica e Editora, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143460&pid=S0009-6725202600010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;3&#93; SALES, Andrea de Lima Ribeiro. A escola para &iacute;ndios no Rio de   Janeiro: o que dizem os anos de 1845 a 1875. Tese (doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o) –   Universidade rural do rio de Janeiro, Serop&eacute;dica, 2021. 25 p. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://rima.ufrrj.br/jspui/bitstream/20.500.14407/9927/3/2021%20&#45;%20Andrea%20de%20Lima%20Ribeiro%20Sales.pdf" target="_blank">https://rima.ufrrj.br/jspui/bitstream/20.500.14407/9927/3/2021%20&#45;%20Andrea%20de%20Lima%20Ribeiro%20Sales.pdf</a>.   Acesso em: 23 nov. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143462&pid=S0009-6725202600010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;4&#93; PEREIRA, Marcus Vin&iacute;cius Medeiros. Licenciatura em m&uacute;sica e habitus   conservatorial: analisando o curr&iacute;culo. Revista da ABEM, Porto Alegre, v. 22,   n. 32, p. 90&#45;103, jul. 2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://abem.emnuvens.com.br/revistaabem/article/view/464/388" target="_blank">https://abem.emnuvens.com.br/revistaabem/article/view/464/388</a>. Acesso em: 20   nov. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143464&pid=S0009-6725202600010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;5&#93; LEMOS J&Uacute;NIOR, Wilson. O ensino do canto orfe&ocirc;nico na escola   secund&aacute;ria brasileira (d&eacute;cadas de 1930 e 1940). Revista HISTEDBR On&#45;line,   Campinas, v. 11, n. 42, p. 279&#45;295, mar. 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639880" target="_blank">https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639880</a>.   Acesso em: 1 dez. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143466&pid=S0009-6725202600010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;6&#93; COSTA, Michele Cristine da Cruz. O pensamento educacional de   C&eacute;lestin Freinet e suas aproxima&ccedil;ões aos ideais do movimento da escola nova.   2008. 160 f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o Escolar) – Universidade Estadual   Paulista, Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Letras, Araraquara, 2008. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/e91221c7&#45;0e6d&#45;4a8f&#45;8f95&#45;562fdf586f3f/content" target="_blank">https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/e91221c7&#45;0e6d&#45;4a8f&#45;8f95&#45;562fdf586f3f/content</a>.   Acesso em: 19 nov. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143468&pid=S0009-6725202600010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;7&#93; NASSIF, Silvia. Educa&ccedil;&atilde;o musical no Brasil: aonde chegamos, para   onde vamos. Epistemus, La Plata, v. 10, p. 1&#45;15, 2022. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://sedici.unlp.edu.ar/handle/10915/139664" target="_blank">https://sedici.unlp.edu.ar/handle/10915/139664</a>. Acesso em: 30 nov. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143470&pid=S0009-6725202600010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;8&#93; FIGUEIREDO, S&eacute;rgio Luiz Ferreira de. A educa&ccedil;&atilde;o musical do s&eacute;culo   XX: os m&eacute;todos tradicionais. In: JORD&Atilde;O, Gisele et al. (org.). A m&uacute;sica na   escola. Bras&iacute;lia: Allucci &amp; Associados Comunica&ccedil;ões, 2012. p. 85.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.academia.edu/8020209/MINIST%C3%89RIO_DA_CULTURA_E" target="_blank">https://www.academia.edu/8020209/MINIST%C3%89RIO_DA_CULTURA_E</a>.   Acesso em: 20 nov. 2025</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143472&pid=S0009-6725202600010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;9&#93; JAQUES&#45;DALCROZE, &Eacute;mile. O ritmo, a m&uacute;sica e a educa&ccedil;&atilde;o. Tradu&ccedil;&atilde;o de   Rodrigo Batalha et al. Rio de Janeiro: UFRJ, 2023. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/21526/3/O%20ritmo%20a%20musica%20e%20a%20educacao.pdf" target="_blank">https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/21526/3/O%20ritmo%20a%20musica%20e%20a%20educacao.pdf</a> Acesso em: 3 dez. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143473&pid=S0009-6725202600010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;10&#93; SCHAFFER, Raymond Murray. Patria: the complete cycle. Toronto:   Coach House Books, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143475&pid=S0009-6725202600010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;11&#93; MORIN, Edgar. Introdu&ccedil;&atilde;o ao pensamento complexo. 4. ed. Tradu&ccedil;&atilde;o de   Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143477&pid=S0009-6725202600010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;12&#93; MENDES, Paulo Corr&ecirc;a. "Trans&#45;forma&ccedil;&atilde;o" por pr&aacute;xis dial&oacute;gica   art&iacute;stica: uma estrat&eacute;gia did&aacute;tica transdisciplinar na forma&ccedil;&atilde;o docente &agrave;   educa&ccedil;&atilde;o profissional. Revista Terceiro Inclu&iacute;do, Goi&acirc;nia, v. 5, n. 1, p.   163&#45;188, jan./jun. 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://revistas.ufg.br/teri/article/view/36355" target="_blank">https://revistas.ufg.br/teri/article/view/36355</a>.   Acesso em: 27 nov. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143479&pid=S0009-6725202600010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;13&#93; BOND&Iacute;A, Jorge Larrosa. Notas sobre a experi&ecirc;ncia e o saber de   experi&ecirc;ncia. Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o, n. 19, p. 20&#45;28, jan./abr. 2002.   Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?format=pdf&lang=pt" target="_blank">https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?format=pdf&amp;lang=pt</a>.   Acesso em: 20 nov. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143481&pid=S0009-6725202600010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;24&#93; LEITE, Marcos. Canto popular brasileiro para vozes m&eacute;dio&#45;agudas.   Rio de Janeiro: Lumiar, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143503&pid=S0009-6725202600010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;25&#93; NKETIA, J. H. Kwabena. The music of Africa. London: W. W. Norton   &amp; Company, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143505&pid=S0009-6725202600010000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;26&#93; BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 9. ed.   Tradu&ccedil;&atilde;o de Michel Lahud; Yara Frateschi Vieira. S&atilde;o Paulo: Hucitec, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143507&pid=S0009-6725202600010000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;27&#93; ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz: a "literatura" medieval. Tradu&ccedil;&atilde;o   de Am&aacute;lio Pinheiro e Jerusa Pires Ferreira. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras,   1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143509&pid=S0009-6725202600010000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;28&#93; BARTHES, Roland. Sistema da Moda. Tradu&ccedil;&atilde;o de Ivone C. Benedetti.   S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143511&pid=S0009-6725202600010000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;29&#93; FAVARETTO, Celso Fernando. A inven&ccedil;&atilde;o de H&eacute;lio Oiticica. S&atilde;o Paulo:   Ateli&ecirc; Editorial, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143513&pid=S0009-6725202600010000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">&#91;30&#93; MARINHO, Claudia. Corpecendo: Vestir&#45;se e criar espacialidades   in&#45;comuns. DAT Journal, S&atilde;o Paulo, v. 5, n. 4, p. 213&#45;230, 2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://datjournal.anhembi.br/dat/article/view/291" target="_blank">https://datjournal.anhembi.br/dat/article/view/291</a>. Acesso em: 17 dez. 2025.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=143515&pid=S0009-6725202600010000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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