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Ciência e Cultura

Print version ISSN 0009-6725On-line version ISSN 2317-6660

Cienc. Cult. vol.57 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2005

 

 

VERA LÚCIA DE OLIVEIRA

 

O INDIZÍVEL

 

dentro de mim
o oculto
amor

não te dou senão
o que vou tecendo
de perda em perda

o que dou já se destrói
o que dou perverte
o que dou
ANDORINHAS

estou de bem com o mundo até
um tanque de guerra se cansa
da guerra até um pássaro pára
para
repousar

e depois o céu hoje é de um
azul que faz mal aos olhos
agudo que a gente fica ali
barriga pro ar
admirando as andorinhas
que volteiam
matutando no que pensam lá no alto
no que
sabem
se sabem que estou de bem com o mundo
que volteiam lá em cima também para mim

 

O SILÊNCIO

 

o silêncio desta noite
rói de solidão
toda poesia

não comporei nenhum verso solene
não comporei

 

 

Vera Lúcia de Oliveira é poeta e professora de literatura portuguesa e brasileira na Universidade de Lecce, na Itália. Recebeu vários prêmios no Brasil e na Itália por sua produção poética e, recentemente, o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras 2005, pelo livro A chuva nos ruídos (São Paulo, Escrituras, 2004) publicou os seguintes títulos: A porta range no fim do corredor, Scortecci, São Paulo, 1983; Geografia d’ombra, Fonèma, Venezia, 1989; Pedaços / Pezzi, Etruria, Cortona, 1992; Tempo de doer / Tempo di soffrire, Pellicani, Roma, 1998; La guarigione, La Fenice, Senigallia, 2000; Uccelli convulsi, Manni, Lecce, 2001; Poesia, mito e história no Modernismo brasileiro (ensaio), Ed da Unesp e Edifurb, São Paulo, 2002; e No coração da boca / Nel cuore della parola, Adriatica, Bari, 2003.

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